sábado, 30 de julho de 2011

O PROTAGONISTA DOS SUBÚRBIOS

Eis aqui o último poema, que fecha a trajetória do projeto do blog. Isso não significa que eu não poste mais nada, vou postar. Mas o hiato se deve ao fato do fechamento de um ciclo. Existem poemas que ainda pretendo postar aqui e projetos de poemas inacabados - ou perdidos - como "Madalena Apedrejada" e "Influência Ofídica" (para fechar o pacote de 70 poesias). Entretanto, como eu disse, não me comprometerei com relação ao tempo de atividade útil da página. Não sei se existem pessoas que acompanham - ainda - o blog, mas o projeto nunca visou o reconhecimento internáutico, visou organização em relação à minha obra e uma tentativa de auto conhecimento. Talvez eu crie - com certeza - uma página para o(s) meu(s) próximos projetos. Então é isso... Obrigado à todos. À todos os meus seguidores e fantasmas. Que o final esteja ligado ao começo:





O PROTAGONISTA DOS SUBÚRBIOS

Toda a minha essência humana foi consumida
Hoje eu não sou mais nada
Não passo de uma fruta podre sem recheio
Uma casca mal cheirosa e derramada
Capaz de transformar qualquer aterro sanitário em paraíso

Apenas desencontrei a minha identidade abortada em meio aos meus desejos:
Sou o condenado que cansou de dançar
E o mais insignificante dos ínfimos grãos de feijão estragados na bacia
Prestes a ser decantado
Pelas mãos sujas do próprio viver
Resumido na solidão e nas falsas lembranças idealizadas do tempo

Não há caminhos que desviem meu destino traçado:
As palavras aqui postas são apenas mais do mesmo
Enfileiradas
Na espera de cuspir em minha face
Gargalhando
Porque eu insisto em parir o corpo
Dessas criaturas que me retiram e tiraram a honra
E que me deixam doente
De tanto pensar
Fugir
Morrer
Calar
E aceitar
Encarcerado em meu próprio câncer

Porque isso tudo está na minha mente
E eu readmito que a causa ideal e total é indiferente
Porque até os meus pobres desencantos estão démodé:
Eu escrevo a história que ninguém contará
Ou vai se lembrar
Consistida na trajetória nula e agonizada de um protagonista sem rumo
Que nunca encontrou o seu palco
Ou o seu foco
Ou a sua luz
Ou até mesmo o seu papel
Vagando cansado pelos subúrbios do seu intuito psíquico
Onde ninguém sequer ouviu falar do seu nome

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