sexta-feira, 22 de abril de 2011

UNIDADE DE NEGLIGÊNCIA E ESCRAVISMO PÚBLICA (Fábrica de Corpos Latentes)

UNIDADE DE NEGLIGÊNCIA E ESCRAVISMO PÚBLICA (Fábrica de Corpos Latentes)
(Amanda do Prado/Lucas P. Delavour)

I

Os muros cinzas,
como uma fenix negra,
se edificam sobre o pó
da verve antiga.
E suas cores se esvaem
e se escorrem pelo esgoto,
como se fossem sangue.
Seus ralos são artérias
que movimentam todo o entusiasmo
do local,
traduzido na essência putrefata
do seu fedor.

II

É a festa dos urubus,
à espreita,
que suplicam as vísceras,
para expor no banquete,
repetidas vezes,
o empalamento da liberdade,
subscrita no universo do cortiço amargo
que é o seu coração.
De uma casa que não é lar,
livre espera e escravidão.
Faz a humanidade sua
e fábrica de ninguém.

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