sexta-feira, 22 de abril de 2011

UNIDADE DE NEGLIGÊNCIA E ESCRAVISMO PÚBLICA (Fábrica de Corpos Latentes)

UNIDADE DE NEGLIGÊNCIA E ESCRAVISMO PÚBLICA (Fábrica de Corpos Latentes)
(Amanda do Prado/Lucas P. Delavour)

I

Os muros cinzas,
como uma fenix negra,
se edificam sobre o pó
da verve antiga.
E suas cores se esvaem
e se escorrem pelo esgoto,
como se fossem sangue.
Seus ralos são artérias
que movimentam todo o entusiasmo
do local,
traduzido na essência putrefata
do seu fedor.

II

É a festa dos urubus,
à espreita,
que suplicam as vísceras,
para expor no banquete,
repetidas vezes,
o empalamento da liberdade,
subscrita no universo do cortiço amargo
que é o seu coração.
De uma casa que não é lar,
livre espera e escravidão.
Faz a humanidade sua
e fábrica de ninguém.

domingo, 3 de abril de 2011

HORIZONTE ÉBRIO

HORIZONTE ÉBRIO

Talvez eu não seja mais quem eu queira
Mas carrego você comigo
Seu calor amigo se transformou em abrigo
Antigamente

Faz tanto tempo
Não faz mais sentido
Nossas mãos apertadas e dadas me disseram:
- Isso tudo um dia estará perdido
Mas não desvie sua estrada do destino

Tarde demais
Tarde demais
Tarde demais

Hoje já não resta
Eu não enxergo
Nada mais me interessa:
A paisagem agora é chuva dispersa
E eu estou tão distante
A paisagem agora é chuva dispersa
E eu estou tão distante

Você olhava nos meus olhos