segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

CAIXINHA DE PANDORA

CAIXINHA DE PANDORA

Eu devo me admitir:
Ainda sinto sintomas da sua presença
Como se fossem milagres de fantasmas
Que fazem meu toque sentir sua pele

Sua pele era tão diferente
Eu não a ganhei
Mas também sou você
Aqueles cheiros de antigo e texturas
Permeiam o pensamento como a uma piscina
Feito um útero

Sua presença me completa
Ainda não sinto mais sua falta:
A minha vida se movimenta em torno da ausência

Eu estou acostumado
Mas nunca me conformei:
Se as suas pupilas se dilataram
Seus olhos me engoliram

E eu nado contra seu fim na escuridão do olhar
Como se fosse feito de treva:
Um ser vazio mesmerizado ao chão

Mas meu útero me acolhia

É intrigante como uma voz tão doce
Pode contaminar desordem
Mas é assim que funciona
E é assim que as coisas são:
Estamos em um jogo que não é para ser entendido

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

CRISTAL DE QUASE

CRISTAL DE QUASE
(Felipe Ladeira/Lucas P. "Delavour")

Mesmo depois que tudo acabou
Sinto você e o seu amor
Eu não preciso repetir
Que o meu coração lhe pertence
Quando você está perto de mim
Sinto ternura em tudo que diz
E na sua aura encerra um toque
Quase invisível, quase sem nome

Sinto uma vontade insana de te abraçar
Como se tivesse asas e não pudesse enxergar
Perambulando nas sombras do talvez
Encontro um cristal de quase que se fez

Cismo em nós dois o que sobrou
Mas sinto você e o seu calor
Eu não preciso mais mentir
O meu corpo se arrefece
Quando você está longe de mim
Sinto paúra em tudo que fiz
E a minha alma sentença um choque:
Foi quase possível, quase enorme

É o que nunca foi e sempre será
Parte de mim sem você ao menos se lembrar
Guarde meu cristal com carinho em sua estante
E exiba sem pesares nosso quase já distante