segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

CIDADE FANTASMA

Poema novo.

CIDADE FANTASMA

A noite é só a calada da noite
Chegada fria a um país submerso:
Um planeta é uma colônia de cidades fantasmas
Onde pessoas são palavras distantes
Talvez passado

Estou trancado em choro:
O som de todos os carros nas ruas molhadas
Confirmam minhas lágrimas atropeladas

- Alguém me socorra, por favor?

Sou ignorado:
Os carros não possuem condutores
São apenas as hemácias de tristeza da cidade
Que conduzem o rancor vivo daqueles
Que, talvez um dia, foram

Caminho por entre os cantos das estradas escuras
As luzes sempre se apagam quando passo por elas:
Os postes se esquecem de me iluminar

Afinal, sou perdiz magnética de termos inexistentes:
Sou escolha dos injustos
E escolhido dos que sobram e sobraram

Nem a solidão da cidade faz companhia:
Ainda estou trancado
E apesar de não haver quem escolher ou fazer escolha
O que move meu sangue não são os automóveis sem dono
Mas, sim, o vácuo

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