segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

CIDADE FANTASMA

Poema novo.

CIDADE FANTASMA

A noite é só a calada da noite
Chegada fria a um país submerso:
Um planeta é uma colônia de cidades fantasmas
Onde pessoas são palavras distantes
Talvez passado

Estou trancado em choro:
O som de todos os carros nas ruas molhadas
Confirmam minhas lágrimas atropeladas

- Alguém me socorra, por favor?

Sou ignorado:
Os carros não possuem condutores
São apenas as hemácias de tristeza da cidade
Que conduzem o rancor vivo daqueles
Que, talvez um dia, foram

Caminho por entre os cantos das estradas escuras
As luzes sempre se apagam quando passo por elas:
Os postes se esquecem de me iluminar

Afinal, sou perdiz magnética de termos inexistentes:
Sou escolha dos injustos
E escolhido dos que sobram e sobraram

Nem a solidão da cidade faz companhia:
Ainda estou trancado
E apesar de não haver quem escolher ou fazer escolha
O que move meu sangue não são os automóveis sem dono
Mas, sim, o vácuo

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Shows que eu fui em 2010

- Duofel
- Cidadão Instigado
- 14 Bis
- Zélia Dunkan
- Violeta de Outono
- Vanguart
- Dead Rocks
- Blues De Ville
- Móveis Coloniais de Acajú
- Lobão
- Biquini Cavadão
- Green Day
- Apanhador Só
- Gentileza
- Nazi (Ira!)
- Renato Teixeira
- Patrulha do Espaço
- O Teatro Mágico
- Otto
- Olodum
- Titãs
- Beatles One

A BALADA DOS PÁSSAROS MORTOS

A BALADA DOS PÁSSAROS MORTOS
(Lucas P. "Delavour"/Ricieri Nascimento)

Eu nunca fui o suficiente
E também não sou o bastante
Não passo daquele que se arrepende
Escondido ao fundo da sua estante

Pássaros mortos não povoam o céu
Pássaros mortos pertencem ao chão
Não passo das cinzas do seu carossel
Queimado pelo fogo do seu coração

Eu quero achar a minha luz
No meio da solidão
Feito lágrima que não seduz
A minha distração
Feito sono, despedida
E desapego familiar
Onde está a minha vida
Já nem sei onde procurar

Olhos exalam tristeza e maldade
E o corpo sofre a pressão do tempo
Marcas azedam a sombra da idade
Lágrimas me levam como o vento

Minhas asas já estão fracas
Resolvi cair no chão
Minhas marcas tão exatas
Levantam sem preocupação
Os meus nadas, minhas charadas
Se despedem com um perdão:

"Ainda que eu ande
Pelo vale escuro da morte
Não temerei, não temerei
Não temerei"

GLENN GOULD

GLENN GOULD

Sua destreza é surpreendente
Meio catalisador de suavidade
Faz de sua interpretação harmoniosa
Transformadora de todo o redor
Em uma atmosfera de paz
Como se os aposentos atestassem tranqüilos
Toda a soberania de seu dom
Ao traduzir no recém silêncio do aposento
Parte de sua obra em pós-espetáculo

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O CORAÇÃO DA MÍMICA ( Brincando com Fogo )

O CORAÇÃO DA MÍMICA ( Brincando com Fogo)

Eu estou brincando com fogo
Se ontem meu objetivo era encontrar a masmorra
Hoje é desvendá-la

Meus pés se sobrepõem cautelozamente:
Se a masmorra é bela em sua grandeza
É escondido o desconhecido em sua extensão

O medo e a dúvida fascinam
Suas duras barreiras são paredes que me põe à prova
Ao testar toda coragem e determinação existentes
É como se me dissesse: "Procuras há tanto tempo teus tesouros em mim
Muitos tentaram mas todos falharam
Se mereces tentar
Mostre-me para que veio"

A euforia se estabelece pela chance
Ambos meus pés imploram gigantesco sobressalto
Mas é necessário o controle

O pacto foi investido e aceito:
Viverei o jogo

Manter o sorriso se tornou necessário
Sua figura ameniza o impacto:
Afinal eu estou brincando com fogo
E o fogo só gosta de brincar
Quando alguém pode se machucar