segunda-feira, 12 de julho de 2010

O RITMO DO TEMPO

Poema novo e sincero.

O RITMO DO TEMPO

Eu tenho medo de desligar a televisão
Agora sinto o quanto custa a liberdade de expressão
Noite passada eu sonhei todos os pesadelos existentes
E assim percebo que os adultos são crianças descontentes

Eu fecho as luzes e apago o portão
E me transformo em outros para chamar a atenção
Vivo em um mundo sem nexo de burgueses escravocratas
E no ninho de ladinos mafiosos que fingem ser piratas

Meus olhos já caídos martirizam a inexistência da paixão
Enquanto o suco de caju me destila a escuridão
A mesa fria me entorta e me confirma a alvorada
No momento em que sinos apelam ao réquiem da madrugada

Eu não passo de mais uma alma marcada no meio de um milhão
Que como todas as outras pensa ser diferente na multidão
A humanidade já transformou o ser humano em labirinto
E ainda por cima me mastiga ignorando o que sinto

Agora eu aprendi o quanto dói brincar de revolução
Não entendo como as pessoas não enxergam onde estão
O sadismo imperante me sufoca ao olhar para trás
E meu futuro iludido é como uma câmara de gás

Cada instante jogado fora não pesa por ilusão
E a morte se aproxima e se apresenta em prontidão
Se possuo acompanhantes eles se perdem em memória
E eu já não tenho dignidade suficiente para poder ter glória

Eu não tenho o que preciso para ser senhor de minha escravidão
E se um dia tive casa, o meu tempo faz qualquer barraco em mansão
Os derrotados se cansam e dormem frente ao fracasso
Enquanto canções de ontem fazem desse mundo aquele espaço

A vida já não vive e os meus pesadelos ficarão
Os finais são sempre os mesmos sem abrir nenhuma exceção
E meu corpo se enfraquece e envelhece e se esquece sem aprender a dança
Orgulhoso enquanto há tempo de dizer: sou um velho em corpo de criança

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