sexta-feira, 11 de junho de 2010

A MARIPOSA COM OS OLHOS NAS COSTAS


A MARIPOSA COM OS OLHOS NAS COSTAS

Inocente e perseguida
A mariposa com os olhos nas costas coroa o tempo
Clara como uma página de papel em branco suja de amarelo
E negra como as seis horas de uma tarde de domingo

Seus outros olhos caem
Mas a mariposa não nasceu para enxergar o que há em frente
De qualquer forma
Ela é só uma mariposa com os olhos nas costas

A claridade do sol a queima no escuro
E seus olhos não são mais de papelão
São como relógios

Silêncio
Pois a mariposa escuta os sons da tempestade
Qualquer ruído da madrugada funciona como fuga

Ao longe confundem a mariposa com uma barata
Sua forma causa repulsa
No entanto, a mariposa não é uma barata
Muito menos uma borboleta
Ela é apenas uma mariposa com os olhos nas costas
Interessada em superar o seu defeito:
Esquecer o seu passado

A mariposa azeda e cética não deseja causar mal nenhum
Seu único desejo é encontrar uma parede de uma casa velha e coberta
Onde ela possa se esconder da chuva sem ser esmagada
Para, talvez um dia, chamar esse lugar de lar

O DENTE DE OURO (As Manchas de Inveja)

versos antigos

O DENTE DE OURO (As Manchas de Inveja)
(25-26/12/08)

Páginas em branco
Manchadas com tinta preta
Em cima da mesa
Não mancharam o lençol
Que eu manchei de inveja

Envolto por meu manto
Que o sangue manchado enfeita
A luz amarela acesa
Manchou meu sofá espanhol
Que eu manchei de inveja

Eu me faço o santo
Que manchou o coração da moça feita
Na cama avessa
Eis a marca do meu rol
Que eu machei de inveja

Passado o passado eu ando
Depois de manchar o que não tenta
Com meus dentes na cabeça:
Dentes de ouro não macharam o sol
Que eu manchei de inveja

Desenho Antigo


Desenho meu de séculos atrás feito pelo Felipe Ladeira.