terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

DA POEIRA AO ASFALTO

Uma mais curta. Under Chico Science.

DA POEIRA AO ASFALTO

A garrafa chegou até a praia
Carregando notícias do século passado
De fictícias profecias para agradar a laia
Daquele lado do destino mal traçado

Enquanto futilidades inúteis e banais
Sem a menor redundância
No vai-e-vem das ruas e na correria dos sinais
Celebram a sua rotineira cultural irrelevância

LOBOTOMIA EM PESADELO

Desculpem a não-postagem nos últimos tempos. Mas é que eu estou tentando deixar o meu blog o menos pessoal possível. A história de uma censura com conselhos de um gato que salvou minha pele.

LOBOTOMIA EM PESADELO

Trinta e duas farpas cegas escarradas de sua boca
Voam em direção ao meu rosto
E o acertam em cheio
Me deformam ao retirar meu brilho
Num esboço mal feito entre você e eu

Entidades percorrem o meu corpo e acordo
E revivo o pesadelo todas as noites
No entanto sou obrigado a esquecer
Imprevisível
É praticamente impossível se esquecer de algo quando se lembrar de esquecê-lo é pré-requisito
O julgamento silencioso me satura de flagelo porque é necessário:

- Eu juro que era verdade!

Censuram a minha própria memória ao arrancar as páginas do meu diário
É como se me estuprassem:
A história só se faz presente onde o forte deseja
E não como realmente se viveu

Todas as formas de registro são completamente inúteis

Porque o amor é idêntico ao papel:
Quando se amassa, rasga ou queima
Não volta a ser ao que era antes
E os diários sempre acabam