domingo, 31 de janeiro de 2010

ABSTRATO

Poema estranho, meio "incomum" que eu fiz. Tanto faz, afinal... Pouco me importa se você lê ou gosta ou não. Só quero registrar isso aqui.

ABSTRATO

O pôr-do-sol nasceu quadrado nas últimas telas que eu pintei
Depus-me frente à tanto pudor e nada mais importa:

- Acorda... Você não pode mais dormir.

Destruo-me, me amorteço e me perco em longe
Nada mais importa:

- 1, 2, 3, 4...

Sussurra, pois sussurram nos meus ouvidos...
Sou um quadro de Van Gogh disfarçado na farsa de me ser:

- Chega de falar, porque quadros não falam.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

POR FAVOR, NÃO SE ESQUEÇAM DE MIM

POR FAVOR, NÃO SE ESQUEÇAM DE MIM

Vocês não vão ouvir nunca mais uma reclamação de minha boca
Nenhuma sentença errada de pré-julgamento
Pretendo ficar em silêncio para sempre

Promessas e promessas e promessas infundadas...

A partir do dia de hoje, nesse momento
Nunca mais se ouvirá um espinho vindo de mim
Porque eu perco meus dentes

Promessas e promessas e promessas...

Eu tento me colorir ao pintar minha imagem no espelho
Meu coração é um metrônomo onde não se ajusta a velocidade
Já o meu corpo, é engrenagem
e não existem milagres

Promessas e promessas e...

Ela rasgou o próprio diário
E eu corri para encontrar suas memórias
Sonhos e pesadelos que se permeiam me destilam quando acordo

Promessas e...

Eu não posso ouvir a melodia da verdade, por enquanto
Mas possuo memórias das quais não quero esquecer
Apesar de tê-las esquecido aos poucos

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O ANJO DAS ASAS DE COBRE

O ANJO DAS ASAS DE COBRE

Cada segundo corrói
E a espera é ácido que mata
A crítica é o espasmo do ser
Investido pela culpa de ser de cobre:
As asas que já brilharam
Por que hoje se enferrujam?

Eu já não sou mais tão apaixonado assim...

A cegueira do contorno da assombração mais vil
Se faz esperar na minha espera
Por isso, eu digo:

-Se foi...

Imerso nas sombras do começo ao fim
Enquanto coroas de espinhos se entrelaçam e se enterram
Enterrados em mim

Meus olhos já estão completamente brancos
Uma vez que eles perderam a íris:
Meu choro é graxa

Meu brilho que me ofuscava agora se secou
Não há mais pingos de ouro
Agora é cobre
Que cobre o meu rancor

Batem na porta do meu quarto trancado em treva
E eu me abaixo e eu me escondo, com medo, esperando irem embora
A distorção anti-patética me dilacera:
Vomito asfalto

Eu fui dissolvido
Nada mais importa de verdade:

-Só me deixem aqui, só...

Me tornei, então, o limiar entre o sólido e o líquido
Que é uma mistura grotesca de perdido no nada
Nojento...
Isso porque não vim falar de sangue no sangue

O restinho de luz guardado em mim se espairece
Eu não sou mais o que eu sou
Eu sou o que eu não era
Feito uma engrenagem queimada ou perdida no escuro
No escuro...

A minha culpa se entorpece no sentido degenerativo e redundante
Só havia mentira:

- Chega, chega. Chega e chega!

Enquanto isso, as pessoas morrem
Viajam e se apaixonam por outras
E te esquecem

Ninguém te respeita trancado:
Sou um anjo de cobre que desejava ser esculpido em pedra
E ser lembrado para sempre

Mas era sempre assim:
Estava no fundo do poço

- Não... Não abra a porta!

Há o flagelo
Mas ninguém conseguirá abrir, de fato, a porta

O anjo gritava grave e agudo
Desafinado
Refinando toda a insânia e a perturbação em suas mentes
Mas mentia:
Acordava todos os dias, quando dormia, com hálito de vinil antigo

Ele arranhava as próprias unhas em suas asas
Até o dia em que perdeu as unhas...
Ele batia seu rosto contra a parede e a mordia com seus dentes
Até o dia em que perdeu os dentes e machucou o rosto...
Ele olhava as suas asas sem se preocupar com o tóxico
Até o dia em que perdeu os olhos...

Não lhe sobrou mais nada
Resolveu dissolver o próprio sangue na água
Estando preso em sua gaiola
E assim haveria de ser
Não sendo:

- Eu já não me era mais