quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

BELEZA AMERICANA

Baseada no filme homônimo.

BELEZA AMERICANA

Liberdade é correr atrás dos seus desejos
Impor sua vontade
Exercitar a máquina de mudar chamada ser humano
Ser você
Ser o que quiser fazer
E filmar é olhar com exatidão
Concretizar o momento na visão
Enxergar os detalhes
Porque há vida por trás de tudo
A razão é prisão incoerente
E você tem a chave
Nunca é tarde para o tempo:
Faça acontecer
As luzes
Os sons
As rosas
Estão na nossa mente
Pessoas se aprisionam ao se esquecer que criaram suas prisões
Afinal
Apenas o fim
É só o começo:
Viver a morte é como a vida em filme
Assistida e assinada de trás para frente
Nadar no mar de tempo gasto
Virar a ampulheta
Descançar
Reviver o bonito
Renascer
Remorrer
Saciar o incerto com a dúvida:
O que é beleza para você?
E uma nação?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

SOBREMORTE ESGANIÇADA

SOBREMORTE ESGANIÇADA

Quando a vida se submete à fraqueza
Suas costas já não ficam mais eretas
E seus olhos se tornam fadigados
Sobrepostos ao seu aspecto de julgar tudo o que vê
Se transfigurando em mais uma mentira
Do que qualquer outra coisa
Ao reclamar somente e sempre por persuasão
Do que não é sensível

Seu sorriso antes estendido
Foi arrastado pela maré do despacho
Enquanto suas pernas não se movem
Por estarem atreladas e enterradas na graxa morna
Feito bustos de Caligola e Nero
Retorcidos pelos sons do tempo que se vê

Seu combustível? É a fumaça da destruição alheia
Sua prece? É o fogo daquilo que seus tortos dedos não quebraram
Seus aspectos são de doença encardida pela sombra
E daqueles bigodes de ratos que se sujeitam a comer sobras
Sua fala não passa de uma constante lamúria:
- Tudo pelo meu trabalho e meus mortos!

Seu maior sinal não é a velhice
Mas sim a não vontade de falar do bom
Perante o mundo
O ar que se respira é a lágrima
De não se lembrar mais do que se era
E, ademais, por não ter se conhecido
Para no final se arrepender
De todas as suas chances não gastas e desperdiçadas
Por pura covardia
Feito temperos de deliro
Que participam da sua celebração adúltera
Representados por sorrisos amargos de Bonfim

Por faltarem abraços de sinceridade
E por transcrever a diversão em banalidade
O sentido se esvai
E o resto se torna vadiagem
Perseverança de não-ser
Em busca do descaminho mais sincero
Que é a distração do acúmulo de dor
Acumulado por promessas capitais
Feito títulos de renda
Fazendo do que era vida
Uma espera eterna de manutenção

E talvez por isso mesmo
Haja reconhecimento da armadilha:
A humanidade persiste em querer achar sentido onde não há
Concretizando pensamentos abstratos que tratam de justiça:
Talvez o único lado positivo de se transformar em sobrevida
Seja o fato de não haver como morrer
Mas sim participar de uma sobremorte eterna

domingo, 14 de novembro de 2010

POESIA SEM-CLASSE DE FONÉTICA DISTORCIDA E SIMÉTRICA PELO QUASE-ALONGAMENTO DESENHADO PELA AMÁLGAMA

POESIA SEM-CLASSE DE FONÉTICA DISTORCIDA E SIMÉTRICA PELO QUASE-ALONGAMENTO DESENHADO PELA AMÁLGAMA

PÊSSEGO (Pêssego)
ÊÊSSEGO (Esse ego)
SSSSEGO (Sossego)
SSSSEGO (Cego)
EEEEEGO (Ego)
GGGGGO (Go!) ou (Gol!)
OOOOOO (Ô)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

INDECISÃO

Nossa... Vocês nem imaginam! Essa é a quarta letra de música feita por mim. Foi escrita em 2007 e, também, o mais perto que eu jamais chegarei do parnasianismo. Dei uma acertadinha nela aqui, outra acolá e ela está pronta - até eu mudar de idéia com outros ajustes. Nossa... Esse foi um marco para mim como letrista. Muito massa rever essa letra agora. Simplesinha, mas trabalhada: Indecisa. Talvez eu ainda faça alguns ajustes, mas talvez não. Caramba, quanta indecisão! Isso porque eu me achava conciso e decidido. Ou talvez não...

INDECISÃO

Lágrimas de dor que puxam o anzol
Fazem-me perdiz e meu raio de sol
Se amo meu amor o teu lembra formol
Riscado como giz num mar de etanol

Por isso cada dia fica mais azul
Sinto-me um herói:
- Sentes minha cruz

Por isso cada dia fica mais azul
Não sabes como dói:
- Ainda existe luz

Tu és uma flor com dentes de cerol
Tens cores de anis teus olhos de farol
És o meu terror que envolve em cachecol
Feito como a fiz em lento caracol

Por isso cada dia fica mais vermelho:
Sinto-me um vilão
Em um grande devaneio

Por isso cada dia fica mais vermelho:
Chegam como vão
E acertam-me em cheio

terça-feira, 19 de outubro de 2010

TALVEZ DE DISTRAÇÃO

Poema Under velha guarda.


TALVEZ DE DISTRAÇÃO

Estou preso aos seus braços feito caneta escrava:
Um par de perfeito artifício para concretizar o seu perfume
Estou jogado a um estado de mercê absoluta
Onde meu corpo se apresenta estático, porém relaxado
Talvez seja servo por ingratidão
Talvez seja cego por ter em vista o seu rosto:
Me despeço, então, sem mais despesas
Talvez tenhamos sido uma contradição espaça e dispersa
Talvez tivéramos nos distraído ao sermos nossas próprias distrações
Talvez nós nos desdobramos em um deslize sem perdão
Enquanto as faltas que ficam e sobram não sobrevivem por motivo
Mas sim pela incerteza de um talvez de distração.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

É SÓ ISSO

É SÓ ISSO
(08/09/2010)

Feche os seus olhos
Você vai se enxergar melhor
Feito barquinhos de papel descendo lentamente uma silenciosa cachoeira
Você está em você agora:
O pensamento é companhia
Feito gotinhas que se escorregam delicadamente do telhado em perfeita sincronia
Onde o destino de cada pingo faz deles uma grande lagoa ao se juntarem
Pensando em como se reaver
Mesmo ao fugir mediante o fato de ser um só
Feito passarinhos que cantam suas cantigas no segredo da harmonia
E, ainda com tantos sons em movimento, parecem distinguir de sua mais serena forma
A razão que se centelha inconscientemente
Feito os dedinhos delicados de uma criança que se seguram firmes e decididos sobre o indicador de sua mãe
Sem haver motivo para tanta paz reunida:
Como um fazendeiro que decidiu morar em uma gelatina
Ou em outro espaço diferente
Por possuir terras demais
Feito um velhinho que tenta se banhar tranquilamente em um baile de tinta branca
Onde nunca mais errou
Mas que, mesmo assim, não deixa de se construir dia-a-dia sem pressa
Feito formiguinhas que carregam lentamente pequenos pesos gigantes
E, mesmo quando tudo parecer impossível de ser solucionado
Tente se lembrar daquele velho menino
Que não entregou a lição de matemática no prazo
E continua vivo
Feito os menores peixinhos que nunca desanimam ao nadar

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

QUALQUERNOME

Se eu disser que esse poema é antigo, seria eufemismo. Ele é pré-histórico. Nem me lembrava dele... Encontrei-o em um monte de velharias e o restaurei. Deve ser do final de 2008 ou do começo de 2009, por tratar dessa temática. É isso. Enjoy the past.

QUALQUERNOME

Eu jamais lhe esquecerei
O passado que me beijou finalmente foi real
Não me arrependo de nada que se perdeu em perdição:
Guardo as belezas retratadas intensamente entre laços apertados

Faz tanto tempo
Só agora faz sentido
Tudo aquilo que passamos juntos realmente foi comigo

Há a prova em cada segundo

Embora não valha de nada
Se realmente houve amor no mundo
Nós dois fomos a maior prova disso

A lembrança mais sincera me lembrou de me lembrar
Como seu rosto se encostava em meu ombro
E o meu rosto se encostava sobre o seu

Se foi glória ou vergonha
Não é da conta de ninguém
Mas esqueçamos a pasta preta no fundo de um porão
Embora mantenha em minha mente a memória em minhas mãos

É tão difícil de imaginar que juramos nunca nos esquecer
Mas, justo agora, fazia sentido:
Sentido só havia enquanto estava comigo

Era paixão irresistível

Por ter chegado a hora finjo ter lhe esquecido
Minto não lembrar seu nome
E simulo ter perdido o seu rosto lindo entre tantos imprecisos

Entretanto saiba que em meus últimos suspiros
Estarei pensando em nossa história
Feito mantra ou oração
Mesmo tendo me imposto nunca mais repetir o seu nome:
QualquerNome

sábado, 31 de julho de 2010

A CASA VAZIA

A CASA VAZIA

Estou cançado de só ter dor para compartilhar
Mesmo sem ter ninguém além das minhas memórias para servir de ouvinte
A morada se encontra vazia desde quando a deixaram
Completamente empoeirada
Nem sei mais onde fica a minha casa
Seus vidros se encontram sujos ao extremo de não haver janela

Não há companhia com quem compartilhar
Se eu voltar para fora
Eu nunca mais entrarei em meu lar
Mesmo sem ter quem chamar de visita

Faz dias onde ando encontrando quem eu amei
Só porquanto o sono domina
E eu me esqueci de levantar
O limiar entre o sono e o real é tão grande que
Só de pensar em algo é como se tivesse feito

Teias de aranha no quarto onde durmo sentelham minha morte
Infelizmente a morte é bem maior do que deixar de respirar
A qual me despreza tanto
Ao ponto de não me visitar

Sou grão de universo e meu grão é tudo que sou
Feito ópera de graça e curta
Assistida simplesmente por não ter nada a perder
E quando ela acaba você se lamenta:
- Já acabou?

Como se houvesse valor no vazio
Mas não há
É só uma madrugada e um deixar de ser
Depois de fração de segundo em seu tempo
O universo nos apaga e nem sente nada

Sou tão falho e gasto
Seria um martírio me olhar no espelho toda tarde
Ainda bem que não me lembro em que canto da casa eu o coloquei

Meus cobertores já não esquentam porque a noite é fria:
- Quando há dia?
O frio não me incomoda mais

Meus olhos são tão contraídos
Ardidos
Que me enganam de vez enquando:
Costumo escutar passos atrás da porta

Os sorrisos alheios são tão antigos que não há mais inveja
A velhice é velha mas não sei minha idade
Talvez nem seja tão velho assim
Mas me lembro daquele ginásio verde, do basquete e a companhia
Minha postura tomou conta de mim:
Minha cor é cinza

Espero algum milagre que me faça voltar no tempo
Mas não há mais esperança
Acho que agora é mais uma manhã mas ela já foi embora
Olhei no relógio sem ponteiros e me atrasei
Perdi a hora por preguiça e por miséria

Não há banheiro e se há
As torneiras jorram foligem e cinzas
Minha falta de café da manhã é um sonífero que me mantém com mal hálito
Todo dia
Toda tarde
Toda noite
Sempre

Sons graves ecoam pelas salas
Não tenho mais medo de ver o que é
Como se os sons agora fossem agudos:
A tinta das paredes já não há

O azulejo já não sólido faz do meu andar impreciso
Como se não andasse há tanto tempo que perdi a conta

Me apoiei em uma parede
Ela não me deu apoio:
Caí triste no chão

Chorei, então, por me esquecer de como era andar
Ao levar minhas mãos até meu rosto, senti:
Havia barba e pele ruim
Já não era mais garoto

Não acreditava em mais nada

Foi esse o instante em que a minha casa me dominou:
Ela começou a girar e a girar e a rodar e a serpentear sobre mim
Minha casa já não me deixou sair de dentro dela

Tive de vomitar o que eu não tinha:
Quando decidi viver eu já não sabia mais
Vomitei, então, meu resto de vida pra fora

Pelo menos estava em casa

quinta-feira, 29 de julho de 2010

CANÇÃO DA INFÂNCIA (Tempo e Lembrança)

CANÇÃO DA INFÂNCIA (Tempo e Lembrança)

Vivemos em qualquer lugar enquanto a viagem é sem direção
Nenhuma luta faz sentido entre rostos sem expressão
Onde não o vejo e ninguém vê

Ao parecermos diferentes somos todos iguais
Onde não me vejo e ninguém te vê

Mas de graça ou de brinde sempre existe um leque
Que espanta fantasmas de um pobre moleque
Como a flor de giz que você sempre riscou
Mas nunca entregou à ninguém

Tempo e mais tempo
Lembrança e lembrança
Não olhe para trás

Nossos olhos não precisam mais chorar solidão
Onde estamos cegos e os outros também estão
Porque, de cima, as luzes da cidade são como estrelas no chão

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A IRONIA DO DESTINO

Versos antigos.
Nem me lembro se eram para ser canção ou poema.

A IRONIA DO DESTINO

Todo dia é um dia inteiro pela metade
E o hoje passa cada vez mais à vontade
Todo dia ao meio-dia eu percebo que já é tarde
E o ontem vai crescendo sem nenhuma piedade
Pelos cantos escuros da cidade

Todo dia à meia-noite a calmaria chega atrasada
E o amanhã espelha suas luzes na calçada
Todo dia a melodia da rotina se vê errada
E o pôr-do-sol descalço agora é essa barra pesada
Pelos cantos escuros da madrugada

Todo dia à meia-noite o meio-dia tem que acordar
E o amanhã faz você achar que está numa esteira devagar
Todo dia a noite e o dia brincam de pega-pega sem se encostar
E a tarde todo dia tem aquele Déjà vu familiar
Pelos cantos escuros de um jogo de azar

Todo dia o dia alega que a noite é sentimental
E a manhã do amanhã tem medo de ser sempre igual
Todo dia a irnonia do destino pula o seu carnaval
E de noite a tarde reclama do seu dia-a-dia habitual
Pelos cantos escuros da vida real

O RITMO DO TEMPO

Poema novo e sincero.

O RITMO DO TEMPO

Eu tenho medo de desligar a televisão
Agora sinto o quanto custa a liberdade de expressão
Noite passada eu sonhei todos os pesadelos existentes
E assim percebo que os adultos são crianças descontentes

Eu fecho as luzes e apago o portão
E me transformo em outros para chamar a atenção
Vivo em um mundo sem nexo de burgueses escravocratas
E no ninho de ladinos mafiosos que fingem ser piratas

Meus olhos já caídos martirizam a inexistência da paixão
Enquanto o suco de caju me destila a escuridão
A mesa fria me entorta e me confirma a alvorada
No momento em que sinos apelam ao réquiem da madrugada

Eu não passo de mais uma alma marcada no meio de um milhão
Que como todas as outras pensa ser diferente na multidão
A humanidade já transformou o ser humano em labirinto
E ainda por cima me mastiga ignorando o que sinto

Agora eu aprendi o quanto dói brincar de revolução
Não entendo como as pessoas não enxergam onde estão
O sadismo imperante me sufoca ao olhar para trás
E meu futuro iludido é como uma câmara de gás

Cada instante jogado fora não pesa por ilusão
E a morte se aproxima e se apresenta em prontidão
Se possuo acompanhantes eles se perdem em memória
E eu já não tenho dignidade suficiente para poder ter glória

Eu não tenho o que preciso para ser senhor de minha escravidão
E se um dia tive casa, o meu tempo faz qualquer barraco em mansão
Os derrotados se cansam e dormem frente ao fracasso
Enquanto canções de ontem fazem desse mundo aquele espaço

A vida já não vive e os meus pesadelos ficarão
Os finais são sempre os mesmos sem abrir nenhuma exceção
E meu corpo se enfraquece e envelhece e se esquece sem aprender a dança
Orgulhoso enquanto há tempo de dizer: sou um velho em corpo de criança

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A MARIPOSA COM OS OLHOS NAS COSTAS


A MARIPOSA COM OS OLHOS NAS COSTAS

Inocente e perseguida
A mariposa com os olhos nas costas coroa o tempo
Clara como uma página de papel em branco suja de amarelo
E negra como as seis horas de uma tarde de domingo

Seus outros olhos caem
Mas a mariposa não nasceu para enxergar o que há em frente
De qualquer forma
Ela é só uma mariposa com os olhos nas costas

A claridade do sol a queima no escuro
E seus olhos não são mais de papelão
São como relógios

Silêncio
Pois a mariposa escuta os sons da tempestade
Qualquer ruído da madrugada funciona como fuga

Ao longe confundem a mariposa com uma barata
Sua forma causa repulsa
No entanto, a mariposa não é uma barata
Muito menos uma borboleta
Ela é apenas uma mariposa com os olhos nas costas
Interessada em superar o seu defeito:
Esquecer o seu passado

A mariposa azeda e cética não deseja causar mal nenhum
Seu único desejo é encontrar uma parede de uma casa velha e coberta
Onde ela possa se esconder da chuva sem ser esmagada
Para, talvez um dia, chamar esse lugar de lar

O DENTE DE OURO (As Manchas de Inveja)

versos antigos

O DENTE DE OURO (As Manchas de Inveja)
(25-26/12/08)

Páginas em branco
Manchadas com tinta preta
Em cima da mesa
Não mancharam o lençol
Que eu manchei de inveja

Envolto por meu manto
Que o sangue manchado enfeita
A luz amarela acesa
Manchou meu sofá espanhol
Que eu manchei de inveja

Eu me faço o santo
Que manchou o coração da moça feita
Na cama avessa
Eis a marca do meu rol
Que eu machei de inveja

Passado o passado eu ando
Depois de manchar o que não tenta
Com meus dentes na cabeça:
Dentes de ouro não macharam o sol
Que eu manchei de inveja

Desenho Antigo


Desenho meu de séculos atrás feito pelo Felipe Ladeira.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

EXPERIMENTE:

Poema under fase auto-ajuda... HAHAHA.

EXPERIMENTE:

Sente-se perto da outra janela
Caminhe do outro lado da calçada
Há um mundo novo esperando por você
Saboreie o pequeno da vida
Olhe para cada pedestre e tente memorizar seu rosto
E não esqueça-se de que ele existe de verdade
Desligue a televisão e converse com o seu avô
Antes que sinta ser tarde
Procure a beleza em você de olhos fechados
E não queira desistir do que deu errado
Veja como se fosse o seu reflexo no espelho e ouça de você:
"Como ainda sou jovem...
idade não importa, mesmo."
Há tempo
Portanto, apenas sorria
Durma de vez em quando junto à quem cuida de ti
E quando estiver com o seu amor ao lado
Não se esqueça:
"Dentre todas as pessoas do mundo
Você me escolheu e eu te escolhi"
E abrace sempre o amanhã
Porque há vida
E o resto não importa...
E quando a hora chegar, apenas relaxe.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

CONTANDO FÓSFOROS (Menino Cego)

CONTO DE FÓSFOROS (Menino Cego)
(Lucas P. "Delavour")

Menino cego
por onde você anda?
Visitando o cemitério
Ou no alto da varanda?

Menino cego
Para onde você vai?
Chorar por sua mãe
Ou rezar pelo seu pai?

Menino cego
Por quem você chama?
Alguém que não te quer
Ou alguém que não te ama?

Menino cego
Está vendendo fósforos?
Me permita ver
O fogo nos seus olhos?

Menino cego
Sente que está morrendo?
Seus fósforos se apagam
E lá fora está chovendo.

Menino cego
Seu estado é normal.
Quem sabe um dia possa
Ser história num jornal?

Menino cego
Você se foi cedo.
Porém foi corajoso
Encarando o fim sem medo.

Menino cego
Lhe desejo boa sorte.
Porém, infelizmente
Desconheço o pós-morte.

domingo, 4 de abril de 2010

CARROSSEL EM CHAMAS (Dança em Volta do Fogo)

CARROSSEL EM CHAMAS (Dança em Volta do Fogo)

Como pode existir um dependente químico de maldições
Nadando no mar frio onde jazia no passado o fogo apagado das revoluções?
Os fantasmas da guerra permeavam a carne
Mas armadilhas e cruzes não têm nada a dizer

Aves da morte circundavam em espiral dois miseráveis
A negritude dos pássaros era confundida ao longe com um ciclone de fuligem
E não era festa junina
Aquelas crianças dançam em torno da fogueira pensando em cores
Agora não havia mais inferno nem verão:
- Cansei de perder

Ninguém gosta de perder
Mas todos continuam perdidos

- A madeira envolta em chamas já foi um carrossel um dia

O céu estava preto, roxo, amarelo e cinza
Não havia comida e nem no que se pensar
As crianças engoliam tempo
Portanto o episódio merecia destaque:
- Nós existimos para que mesmo? É que eu me esqueci...

Dois garotos sujos conversavam sozinhos em volta da fogueira
Mas eles não se entendiam
Eles se diziam mudos quando conversavam
Apenas quando falavam

Um garoto possuía blusa branca e o outro camisa amarela
Ambas lambuzadas de lama e cinza
Mas eles trocavam suas vestimentas às vezes:
- Eu quero ser você agora...

As crianças não possuíam máscaras para trocar
Então não fazia a menor diferença:
Elas trocavam poeira

Não havia provas de vida ou coragem
Mas a fumaça sufocava
O grupo de solitários precisava respirar um pouco

E feito uma intervenção divina o céu se abriu
Por conta de uma tempestade de areia:
- Há tanto tempo que eu não vejo o oco assim...
- Esses brilhinhos distantes acompanham o azul
- Eu sei, não sei

As crianças se sentiram aquecidas com o calor do frio do sereno
E começaram a cantar:

- Será uma estrela ou será que é um avião?
Olho para cima com meus pés no chão

- Será uma estrela ou será que é um avião?
Não é assim tão simples uma questão de sim ou não

Não era uma estrela nem um avião
Eram os braços cruzados da eterna solidão
Que os atormentará eternamente
Sem saber ao certo a causa e o motivo de se haver um deserto na multidão

A BELEZA NÃO PRECISA POSSUIR UM TÍTULO

A BELEZA NÃO PRECISA POSSUIR UM TÍTULO

Toque delicado:
Lábios suaves
Se encostam aos meus

Gestos
Que descobrem o íntimo
E suspendem o tempo
Ao toque

Mordida
De leve
Em arrepios sem medo
Calmos
Entregues
Amargos
E ainda assim
Eternamente doces

Beijo molhado
Lento
Gostoso
Com os olhos fechados
Mas o respectivo rosto
Se encontrava
No meu pensamento
Como se nada mais importasse
Ou merecesse acontecer
Ao redor

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

DA POEIRA AO ASFALTO

Uma mais curta. Under Chico Science.

DA POEIRA AO ASFALTO

A garrafa chegou até a praia
Carregando notícias do século passado
De fictícias profecias para agradar a laia
Daquele lado do destino mal traçado

Enquanto futilidades inúteis e banais
Sem a menor redundância
No vai-e-vem das ruas e na correria dos sinais
Celebram a sua rotineira cultural irrelevância

LOBOTOMIA EM PESADELO

Desculpem a não-postagem nos últimos tempos. Mas é que eu estou tentando deixar o meu blog o menos pessoal possível. A história de uma censura com conselhos de um gato que salvou minha pele.

LOBOTOMIA EM PESADELO

Trinta e duas farpas cegas escarradas de sua boca
Voam em direção ao meu rosto
E o acertam em cheio
Me deformam ao retirar meu brilho
Num esboço mal feito entre você e eu

Entidades percorrem o meu corpo e acordo
E revivo o pesadelo todas as noites
No entanto sou obrigado a esquecer
Imprevisível
É praticamente impossível se esquecer de algo quando se lembrar de esquecê-lo é pré-requisito
O julgamento silencioso me satura de flagelo porque é necessário:

- Eu juro que era verdade!

Censuram a minha própria memória ao arrancar as páginas do meu diário
É como se me estuprassem:
A história só se faz presente onde o forte deseja
E não como realmente se viveu

Todas as formas de registro são completamente inúteis

Porque o amor é idêntico ao papel:
Quando se amassa, rasga ou queima
Não volta a ser ao que era antes
E os diários sempre acabam

domingo, 31 de janeiro de 2010

ABSTRATO

Poema estranho, meio "incomum" que eu fiz. Tanto faz, afinal... Pouco me importa se você lê ou gosta ou não. Só quero registrar isso aqui.

ABSTRATO

O pôr-do-sol nasceu quadrado nas últimas telas que eu pintei
Depus-me frente à tanto pudor e nada mais importa:

- Acorda... Você não pode mais dormir.

Destruo-me, me amorteço e me perco em longe
Nada mais importa:

- 1, 2, 3, 4...

Sussurra, pois sussurram nos meus ouvidos...
Sou um quadro de Van Gogh disfarçado na farsa de me ser:

- Chega de falar, porque quadros não falam.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

POR FAVOR, NÃO SE ESQUEÇAM DE MIM

POR FAVOR, NÃO SE ESQUEÇAM DE MIM

Vocês não vão ouvir nunca mais uma reclamação de minha boca
Nenhuma sentença errada de pré-julgamento
Pretendo ficar em silêncio para sempre

Promessas e promessas e promessas infundadas...

A partir do dia de hoje, nesse momento
Nunca mais se ouvirá um espinho vindo de mim
Porque eu perco meus dentes

Promessas e promessas e promessas...

Eu tento me colorir ao pintar minha imagem no espelho
Meu coração é um metrônomo onde não se ajusta a velocidade
Já o meu corpo, é engrenagem
e não existem milagres

Promessas e promessas e...

Ela rasgou o próprio diário
E eu corri para encontrar suas memórias
Sonhos e pesadelos que se permeiam me destilam quando acordo

Promessas e...

Eu não posso ouvir a melodia da verdade, por enquanto
Mas possuo memórias das quais não quero esquecer
Apesar de tê-las esquecido aos poucos

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O ANJO DAS ASAS DE COBRE

O ANJO DAS ASAS DE COBRE

Cada segundo corrói
E a espera é ácido que mata
A crítica é o espasmo do ser
Investido pela culpa de ser de cobre:
As asas que já brilharam
Por que hoje se enferrujam?

Eu já não sou mais tão apaixonado assim...

A cegueira do contorno da assombração mais vil
Se faz esperar na minha espera
Por isso, eu digo:

-Se foi...

Imerso nas sombras do começo ao fim
Enquanto coroas de espinhos se entrelaçam e se enterram
Enterrados em mim

Meus olhos já estão completamente brancos
Uma vez que eles perderam a íris:
Meu choro é graxa

Meu brilho que me ofuscava agora se secou
Não há mais pingos de ouro
Agora é cobre
Que cobre o meu rancor

Batem na porta do meu quarto trancado em treva
E eu me abaixo e eu me escondo, com medo, esperando irem embora
A distorção anti-patética me dilacera:
Vomito asfalto

Eu fui dissolvido
Nada mais importa de verdade:

-Só me deixem aqui, só...

Me tornei, então, o limiar entre o sólido e o líquido
Que é uma mistura grotesca de perdido no nada
Nojento...
Isso porque não vim falar de sangue no sangue

O restinho de luz guardado em mim se espairece
Eu não sou mais o que eu sou
Eu sou o que eu não era
Feito uma engrenagem queimada ou perdida no escuro
No escuro...

A minha culpa se entorpece no sentido degenerativo e redundante
Só havia mentira:

- Chega, chega. Chega e chega!

Enquanto isso, as pessoas morrem
Viajam e se apaixonam por outras
E te esquecem

Ninguém te respeita trancado:
Sou um anjo de cobre que desejava ser esculpido em pedra
E ser lembrado para sempre

Mas era sempre assim:
Estava no fundo do poço

- Não... Não abra a porta!

Há o flagelo
Mas ninguém conseguirá abrir, de fato, a porta

O anjo gritava grave e agudo
Desafinado
Refinando toda a insânia e a perturbação em suas mentes
Mas mentia:
Acordava todos os dias, quando dormia, com hálito de vinil antigo

Ele arranhava as próprias unhas em suas asas
Até o dia em que perdeu as unhas...
Ele batia seu rosto contra a parede e a mordia com seus dentes
Até o dia em que perdeu os dentes e machucou o rosto...
Ele olhava as suas asas sem se preocupar com o tóxico
Até o dia em que perdeu os olhos...

Não lhe sobrou mais nada
Resolveu dissolver o próprio sangue na água
Estando preso em sua gaiola
E assim haveria de ser
Não sendo:

- Eu já não me era mais