sábado, 5 de dezembro de 2009

REDENÇÃO


É como se eu fizesse uma coucha de retalhos da minha chaga e a admitisse publicamente:

REDENÇÃO

O cheiro das flores me surpreende às vezes
É como se eu rasgasse a desolação do meu armário
Só porque a água se escorreu entre minhas mãos

Há tempos deixaram de me dizer que o maior destino era o meu
Eu não sou mais o protagonista
A união se mostra em caminhos opostos
E essa é a nossa jovem Veneza que espera se afogar devagar:
A luz escura na escuridão clara

Minha tristeza inconsciente é um parasita que percorre minha alma
Porque eu nasci na missão de ser verbo de ligação:
Há pouco houve um blecaute e eu não enxergo mais nada

Eu sou um guarda-chuva num dia úmido de sol ardente
Encostado na parede do vizinho:
Enquanto ele constrói a própria casa
Eu faço sombra
Imóvel
Fechado
Aguardando a tempestade se formar
Só para haver motivo para eu me enferrujar

Feito chuva de verão
Não existe mais noção de tempo em mim
Só existem aqui dentro três quartos de janela aberta
E um quarto fechado:

- A Primavera dos Povos não passa de um quadro

Pegue um pedaço do seu universo não perecível inabalável e me diga:
Prefere que eu tenha voz de criança ou uma faca de dois gumes?

O ano que acabou de começar finalmente acabou
Como se eu tornasse obstáculo a alegria que hoje é chaga

Depois da depressão só sobrou mais tempo:
Um ano para mim, agora, possui dois meses

Um pedaço de recheio meio-tempo

Há o perigo
E feito ar, o tempo-atrito corre
E quando a insônia faz a realidade vir a tona, eu repito:

- Bla, Bla, Bla e “O Inverno” se foi...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente! Ou não... Tanto faz.