sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

GENTE GRANDE / INUTILIDADES


Letra da minha primeira geração como letrista.

Ela é interessante, apesar de nem se comparar à minha segunda geração como letrista ou à minha carreira como poeta. Gosto bastante dessa letra. Ela fala sobre a obsessão em relação à segurança e o quanto as pessoas acabam por perder a sanidade em relação a ela.

É uma conversa do eu-lírico com um ouvinte qualquer, até que o ouvinte percebe o quanto o eu-lírico é anormal.


GENTE GRANDE/INUTILIDADES

Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu ando pelos subúrbios
Em dias escuros
E em dias fechados
Eu deito e durmo
E fujo do mundo

Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu tranco a porta
E fecho o portão
Por ter medo de assassinos
Com armas na mão

Eu tenho medo de gente
Eu corro do submundo
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Minha vida é um túnel fechado
Com pouco asfalto
E é muito escuro
Eu vejo sapatos pulando o muro
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Mas sempre acaba

Inutilidades tomam conta da gente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente

E agora vejo muros fechados,
Casas raladas,
E sapatos falantes

Eu deito e durmo eternamente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente

Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
E a gente acorda num buraco
Onde sapatos falantes carregam seus pés

Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente

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