terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Shows que eu fui em 2009

- Os Paralamas do Sucesso
- Frejat
- Violeta de Outono
- Blues Etílicos & Blues The Ville (juntos)
- Cachorro Grande
- Marcelo Camelo
- Arnaldo Antunes
- Jupiter Maçã
- Cidadão Instigado
- Vanessa da Mata
- Beatles One

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

POEMA DE MIM ( INDIVÍDUO EM CASCATA )

O "P********" Que se encontra alí é uma alusão ao meu sobrenome. Que eu - pelo menos não pretendo - divulgá-lo aqui tão cedo.

:)

Poema pequenininho e inexpressivo, porém interessante e instigante.

No fim eu quis dizer que eu era nada e hoje sou nada no meio de vários outros nada.

Na verdade, Pseudo-poesia.

É isso:

--

POEMA DE MIM ( INDIVÍDUO EM CASCATA )

Eu era nada e hoje sou
Terráquio
Americano
Brasileiro
Paulista
Sãocarlense
"Delavour"
Lucas

Ponto e pronto
Pronto e ponto

sábado, 5 de dezembro de 2009

REDENÇÃO


É como se eu fizesse uma coucha de retalhos da minha chaga e a admitisse publicamente:

REDENÇÃO

O cheiro das flores me surpreende às vezes
É como se eu rasgasse a desolação do meu armário
Só porque a água se escorreu entre minhas mãos

Há tempos deixaram de me dizer que o maior destino era o meu
Eu não sou mais o protagonista
A união se mostra em caminhos opostos
E essa é a nossa jovem Veneza que espera se afogar devagar:
A luz escura na escuridão clara

Minha tristeza inconsciente é um parasita que percorre minha alma
Porque eu nasci na missão de ser verbo de ligação:
Há pouco houve um blecaute e eu não enxergo mais nada

Eu sou um guarda-chuva num dia úmido de sol ardente
Encostado na parede do vizinho:
Enquanto ele constrói a própria casa
Eu faço sombra
Imóvel
Fechado
Aguardando a tempestade se formar
Só para haver motivo para eu me enferrujar

Feito chuva de verão
Não existe mais noção de tempo em mim
Só existem aqui dentro três quartos de janela aberta
E um quarto fechado:

- A Primavera dos Povos não passa de um quadro

Pegue um pedaço do seu universo não perecível inabalável e me diga:
Prefere que eu tenha voz de criança ou uma faca de dois gumes?

O ano que acabou de começar finalmente acabou
Como se eu tornasse obstáculo a alegria que hoje é chaga

Depois da depressão só sobrou mais tempo:
Um ano para mim, agora, possui dois meses

Um pedaço de recheio meio-tempo

Há o perigo
E feito ar, o tempo-atrito corre
E quando a insônia faz a realidade vir a tona, eu repito:

- Bla, Bla, Bla e “O Inverno” se foi...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

GENTE GRANDE / INUTILIDADES


Letra da minha primeira geração como letrista.

Ela é interessante, apesar de nem se comparar à minha segunda geração como letrista ou à minha carreira como poeta. Gosto bastante dessa letra. Ela fala sobre a obsessão em relação à segurança e o quanto as pessoas acabam por perder a sanidade em relação a ela.

É uma conversa do eu-lírico com um ouvinte qualquer, até que o ouvinte percebe o quanto o eu-lírico é anormal.


GENTE GRANDE/INUTILIDADES

Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu ando pelos subúrbios
Em dias escuros
E em dias fechados
Eu deito e durmo
E fujo do mundo

Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu tranco a porta
E fecho o portão
Por ter medo de assassinos
Com armas na mão

Eu tenho medo de gente
Eu corro do submundo
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Minha vida é um túnel fechado
Com pouco asfalto
E é muito escuro
Eu vejo sapatos pulando o muro
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Mas sempre acaba

Inutilidades tomam conta da gente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente

E agora vejo muros fechados,
Casas raladas,
E sapatos falantes

Eu deito e durmo eternamente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente

Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
E a gente acorda num buraco
Onde sapatos falantes carregam seus pés

Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

MÃE GENTIL


Poema forte.
MÃE GENTIL

Virgem Maria negra
Iracema vestida de sol
Retrato triste do agreste tropical da morte vida

Havia em seu ventre um menino morto

Virgem Maria se vendia e dançava:
O tempo não se escorria pelos dedos
Os dedos se escorriam pelo tempo

O aborto se dava na favela

A virgem exalava o cio do carnaval
Cortesã proletária da indústria Fome Filho
Rita Baiana de Jerusalém
Sem motivo para comemorar o natal
Uma vez que só havia a fé, os pregos e a estaca

Não havia messias

O comodismo imperava e a seca estava longe
Não havia fome nos campos de corte de cana:
Existiam orações

Padres pregavam a fé na cruz
Santos cuspiam no relento
Santos coisa alguma

A terra ardia pela fogueira de São João
Sendo o ventre do Planalto Central a salvação
No vácuo do ventre da virgem acolhedora
Sem ventre, sem virgem, vazia

O sacrifício se faz por conta da mãe:
O cordeiro mais puro foi oferecido
Para a salvação da inumanidade

Dos olhos da bandeira se escorria uma lágrima

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

CONVERSA COM O PSICANALISTA DENTRO DE SÍ

"Poeminha" bem modernista ao estilo de Oswald Andrade. Eu acho engraçado.

CONVERSA COM O AUTO-PSICANALISTA DENTRO DE SÍ

- Então, o que o senhor procura num relacionamento auto-destrutivo como este?

- Auto-satisfação...?

- Exato...