segunda-feira, 23 de novembro de 2009

MINHA POÉTICA DO CONTRÁRIO(que beleza...)


MINHA POÉTICA DO CONTRÁRIO

Que o vermelho me devore e faça a chuva cair
Que o cinza escoe suas cores no papel
Que o azul centelhe a fumaça serpenteante do fogo
Que o verde se faça e subjugue o que é verde
Que o amarelo me venha e disfarce a tristeza
Que o preto me engula e me faça viver em paz
Que o marrom entregue em minha casa toda a sorte existente
Que o branco me escureça e faça cair um raio sobre a minha cabeça
Que o anil procure um nome melhor e me aqueça
Que o roxo me divirta ao me mostrar o que é compaixão
Que o rosa se mostre e faça todo o desgosto de ser
Que o laranja exploda num mar frio em degelo

Então que as cores se mesclem e se transformem em mim
E que sejam quebradas as dissimulações ortodoxas
Em manifestos contra-comodistas, em lampejos de desprazer e verniz de novidade
Conquanto existam de forma engraçada, séria, despojada, e conservadora no sentido de não ser ridícula
Fazendo com que a forma seja destruída e que se restrinjam suas fórmulas às canções

Enquanto o que é rebuscado glorifica o túmulo em sua época bem longe

Que se apresente o museu de novidades
Que se apresente o abismo obscuro da incerteza modernista moderna
Que se abram os portões do mosaico da arte

Que se abra e se feche em mim todas as possibilidades de vitória ou derrota
Que se abra e ou se feche em mim todas as possibilidades

Eu sou o colapso século vinte-e-um
E eu vou terminar com ele

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