segunda-feira, 9 de novembro de 2009

JOI DE VIVRE


Letra feita em parceria com o meu amigo D***** N. Gigantesca e rebuscada, mas legal.


JOI DE VIVRE

(Daniel Nacrur, Lucas P. “Delavour”)

I – CONTOS DE UM CORAÇÃO DE VIDRO

A música ambiente é o medo do silêncio
E o barulho é a voz que não tem o que dizer
A fala é o porta-estandarte da palavra
E o sussurro é a música da escuridão
A batida é a bateria natural do coração

Nosso espírito é um corpo parido em dois
Vagamos como metades que não se encaixam
Estou farto do seu joi de vivre
Que toda a sua sabedoria te sufoque

A paz que se implora se equilibra na linha tênue
Que nos isola em toda insânia e caos
Seu corpo alimenta minha alma
Seu cheiro são caminhos escritos no ar

Mas se as cortinas se fecham e nos encerram
Não somos você e eu nesse palco escuro?
Recuso o convite
Esse teatro não perdoa erros de cenas não fictícias
Seu vício alimenta toda a dor

II – Epopéia de Um Só

O livro é a partitura das palavras
E a escrita é a voz que impera no silêncio
A sorte é a constante atribuída aos que a chantageiam
E o eclipse é o cume da indecisão
A bateria é a bateria natural do coração

Eu procuro alguém nesse mar-de-areia
Será que ela ainda está aí?
O vento leva a correnteza para longe
Perto de alguém

Imagem vale mil palavras completas de doce
Flores dormem no canteiro
Onde está a beleza?
Ache-a para mim, por favor.

Há um canteiro enorme à frente
Onde há a terra, a treva e o espantalho
E eu já não ligo para sua besteira feita
Para suas palavras feitas
E para seu corpo feito
Feito o despeito perfeito de uma perfídia qualquer
Em dia dissipando seu arranhão de má sorte
Seguindo um porte de perdão
Esperando a noite recolhida
O tempo da colheita e do estirão
Fugindo do padrão do tempo e da espera
Uma vez que a terra é deserta também
Sem sua escolha certa
A sua meta é a areia
Em sua epopéia de um só


III – INVERSÃO DISPERÇA

O branco é o casamento de todas as cores
E o preto é a sua inevitável separação
A solidão é o preto dos homens
E para eles o branco não existe
A batida é a bateria natural do coração

A maldição do fim-do-século já está presente
Como um padre ausente jogando cartas com um anjo caído
Nossa tendência sempre faz o proibido
Que nos faz provar do gosto do improvável
Porque nascemos de um corte nos pulsos de um deus
Em meio a uma guerra santa envolta a um espelho

O real é surreal
E o irreal se apresenta de pé
Passando a fé de forma vazia e incorreta
Para uma massa disforme figurada
Nos moldes de um cubo salvador

IV – CORAÇÕES DE VIDRO NUNCA BATEM

O ódio é a solidão causada pelo amor errado
E o amor é o ódio sedutor de outro lado
O vidro é criado a partir de sangue moído
E a raiva é o fruto do desejo proibido
A batida é a bateria natural do coração

Por trás de todo canalha há um romântico em coma
Que desenha sua chegada ao pó em um sertão de tinta
Feito uma marcha militar com um mártir num altar
Em uníssono correndo para um abismo sem instrução
Com o cinismo de uma cena sem emoção

Há as cortinas que se fecham
E esse é o fim do espetáculo
E o que resta?
É a escuridão

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