segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O PLANTADOR


Letra extremamente significativa para mim. Foda.

O PLANTADOR - GERALDO VANDRÉ

Quanto mais eu ando, mais vejo estrada
E se não caminho não sou nada
Se tenho a poeira como companheira
Faço da poeira o meu camarada

O dono quer ver a terra plantada
Diz de mim que vou pela grande estrada
Deixem-no morrer: não lhe dêem água
Que ele é preguiçoso e não planta nada

Eu que planto tudo e não tenho nada
Ouço tudo e calo na caminhada
Deixem que ele diga que eu sou preguiçoso
Mas não planto em tempo que é de queimada

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

MINHA POÉTICA DO CONTRÁRIO(que beleza...)


MINHA POÉTICA DO CONTRÁRIO

Que o vermelho me devore e faça a chuva cair
Que o cinza escoe suas cores no papel
Que o azul centelhe a fumaça serpenteante do fogo
Que o verde se faça e subjugue o que é verde
Que o amarelo me venha e disfarce a tristeza
Que o preto me engula e me faça viver em paz
Que o marrom entregue em minha casa toda a sorte existente
Que o branco me escureça e faça cair um raio sobre a minha cabeça
Que o anil procure um nome melhor e me aqueça
Que o roxo me divirta ao me mostrar o que é compaixão
Que o rosa se mostre e faça todo o desgosto de ser
Que o laranja exploda num mar frio em degelo

Então que as cores se mesclem e se transformem em mim
E que sejam quebradas as dissimulações ortodoxas
Em manifestos contra-comodistas, em lampejos de desprazer e verniz de novidade
Conquanto existam de forma engraçada, séria, despojada, e conservadora no sentido de não ser ridícula
Fazendo com que a forma seja destruída e que se restrinjam suas fórmulas às canções

Enquanto o que é rebuscado glorifica o túmulo em sua época bem longe

Que se apresente o museu de novidades
Que se apresente o abismo obscuro da incerteza modernista moderna
Que se abram os portões do mosaico da arte

Que se abra e se feche em mim todas as possibilidades de vitória ou derrota
Que se abra e ou se feche em mim todas as possibilidades

Eu sou o colapso século vinte-e-um
E eu vou terminar com ele

1984 - George Orwell





sábado, 21 de novembro de 2009

ROSAS E ESPINHOS


ROSAS E ESPINHOS
(Lucas P. “Delavour”/ Marina P./ Daniel Nacrur)

A rainha do drama está solta outra vez
Enquanto eu sou anjo caído banido do paraíso
Sem motivo

Se o escarlate, o carmim, o rubro e o vermelho
Mostram várias faces de mim frente ao espelho
Então que o espelho me ensine quem sou

O nosso mar de rosas tem espinhos
Mas nada vai atravessar nosso caminho

O ano que acabou de começar já passou da metade
E o meu orgulho já não é mais vaidade
Agora é estupidez

Eu sou o vazio do infinito
Restrito ao pequeno universo do meu quarto:
- Para que eu sonho se no final eu acordo?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

AS MÚSICAS DA NOVA ANTEMETADE DO SÉCULO


No momento estou viciado na musica "Misery Business" da banda Paramore. Assim... A banda não me chamou muito a atenção, mas além dessa, outra música que eu gostei bastante foi "That's What You Get".


Ah, sei lá... Eu também tenho certo pre-pré-conceito. Mas perceba: Todos os discos possuem pouquíssimas faixas - a banda possui três - com discos que possuem pouco mais de meia hora de reprodução cada. Todas as faixas variam de tempo entre 3min, 3min30seg e 4min e pouco. Não tem nada arriscado de 7min, nenhum "Faroeste Caboclo", nenhum "Jesus Of Suburbia". Nenhuma vinheta ou faixa com pouco menos de 3min. Nenhum "Preto Velho" ou "Song Of The Century". As faixas também são muito parecidas entre sí. Não sei se falta digerir as músicas, mas de primeira impressão, o que me passou, foi que as músicas deles são muito parecidas. Menos as já citadas e "CrushCrushCrush".


O terceiro disco deles não me pareceu muito diferente - esteticamente - do primeiro. Músicas parecidas e blah-blah-blah. O segundo disco, para mim, é o destaque. A primeira faixa, que possui um título instigante não me atingiu como deveria, mas é um título perfeito. Qualquer dia eu plagio (XD). O título é "For A Pessimist, I'm Pretty Optimistic". Foda, né? Sim é. O título do segundo disco - em sí, também - já chama a atenção - e é uma das minhas palavras favoritas em inglês - e é "Riot!". Em português, "Protesto!".


Mesmo assim, eles possuem várias rimas com palavras repetidas e aquela estética da nova geração emo, emo-hardcore, emo-anos 80 e metal-emo (oi Dukes!) que é aquela fórmula sonética para fazer música: põe o começo, um refrão, uma outra parte com a mesma estética do começo, refrão, bridge/pseudo refrão, refrão, estética do começo/variação, refrão, refrão e acaba. Ah sim... Eu me esqueci dos solos.


E essa é a nova geração. Ao invés de criticar, deve-se pegar o que há de bom nela e jogar o que há de ruim fora. Porque, além de estarmos vivendo o "Colapso do Século Vinte e Um" em pleno começo de século, essa é a era estática da saturação de informação.


Mas Green Day salva.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Armadilha - Finis Africae


"Você me fez cair outra vez na minha armadilha".

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

E MEUS CAMARADAS DISSERAM: “VALEU A EXPERIÊNCIA”




E MEUS CAMARADAS DISSERAM: “VALEU A EXPERIÊNCIA”

Quando eu a enxerguei
Algo dentro de mim parecia gritar
Sentia-me como se estivesse numa cadeira elétrica em plena execução:

- AAAAaaaargh!

Sou apaixonado por malícia no olhar
É tão bonito quanto parece
Mas falta-lhe auto-estima:
Coisa que eu posso resolver

Naquela festa o arrependimento rasgou minha pele,
Entrou pelo rasgo,
Costurou-o de volta
E ficou por ali
Sufocando meu diafragma entre a minha caixa torácica

Ciência não servia para um momento desses, afinal:
Era uma festa

Fiz do álcool meu ópio
E em vão não encarnei o meu escape:
Meu sangue ascendente não permitiria produzir cadente efeito

Um condor sugava a flor do beija-flor

Dançavam com ela
Recebi o convite para cheirá-la
Mas me faltava coragem
Posterguei o convite, então

Finquei e prendi meus dedos contra minha palma:
Sinal de nervosismo
E minhas mãos ainda detêm marcas de minha unha

Condenei-me dançando sem parar

É necessário conciliar deserto e rio
Mas dessa vez eu estou perdido demais
Hoje de noite no meu hoje eu estarei no chão
Desembriagado sem ao menos ficá-lo
Por falta de iniciativa

E eu me compactuei:

- Essa noite vai me render um poema...

E rendeu.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ANTIPATRIOTISMO

A SOMBRA E O ESPELHO

A SOMBRA E O ESPELHO

Hoje eu sou uma sombra do que fui
Tentando viver o que sobrou dos meus dias de glória
E eu nem sei contar as mesmas histórias
As mesmas histórias de sempre
Que já não soam como antes soavam

Hoje eu sou só uma sombra do que fui
Tentando reviver o que sobrou dos meus dias de glória
Refazendo o penteado que eu gostava há alguns anos atrás
E sorrio pelo tempo que se mantém
Mas quando ele seca, não fica como antes

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

MELODIA SILÊNCIOSA

Eu só entrego essa poesia para uma menina se eu REALMENTE estiver apaixonado por ela. Tem muito valor para mim.
.
MELODIA SILENCIOSA

Eu amo você desde a primeira vez que a vi

E eu te amo mesmo sem te conhecer
E que se danem aqueles que não acreditam em paixão à primeira vista
Eu acredito e é isso que importa

Eu amo você

Você é a pessoa que fez do meu coração um apanhado de rosas vermelhas
E você tem o rosto de quem é especial
Onde eu só queria ter a chance de te conhecer de verdade
E possuir essa chance

Eu amo você

E é nesse gesto que eu me entrego
Porque o que está no fundo dos olhos é o que importa
E é o que eu enxergo no fundo dos meus olhos castanhos
Ao fundo dos seus olhos azuis:

Pegue uma flor do chão

NOSTALGIA OCA

Poema feito enquanto eu ainda estava na vybe Mímica numa madrugada perturbada. Eu costumo lavar a louça de madrugada. É meio trash ás vezes mas é legal.

NOSTALGIA OCA

Por quase um segundo eu achei
Que havia perdido minhas chaves novamente
Ao lado de minha integridade

Há pouco eu briguei com minha mãe

Eu não entendo como alguém pode querer lavar um copo
Depois de ter bebido água nele
Afinal
A água é a mesma
E a do filtro é até mais limpa que a da torneira

Caso o problema seja o nojo
É só guardar o copo para si
E usá-lo quando desejar com carinho

Hoje eu lavei a louça e quebrei um copo

Ontem eu dormi tarde
E hoje vou dormir tarde outra vez
Nos meus cobertores que tardam a esquentar
Mesmo que esse seja o meu único escape

As pessoas lavam copos d’água com água
E vão continuar lavando
E por mais que eu não faça a mínima diferença:
A caneta está na minha boca

A QUÍMICA DO PAÍS

A primeira "coisa" - eu odeio a palavra coisa - que eu escrevi. Se bobiar antes mesmo de letras de música. É uma piada despojada, mas é divertidinho até... Possui quebra de expectativas.

=)

A QUÍMICA DO PAÍS

Metil
Etil
Propil
Butil
Pentil
Funil...
Brasil?
Puta que pariu!

QUE TÍTULO VOCÊ ACHA QUE ESSA PORCARIA MERECE?

Eu adoro esses meus títulos alternativos para poesias. Por mais que eu tenha dito que eu odeio criar títulos para elas. Hehe...

QUE TÍTULO VOCÊ ACHA QUE ESSA PORCARIA MERECE?

Eu não estou com a mínima vontade de escrever agora...
E aí vão mais versos sinceros:
Eu estou com vontade de ser eu hoje
Pena que já é quase meia-noite

É incrível como há de se juntar desastres
Com minhas mazelas feridas ardidas

A oportunidade que se esguia se faz tão longe...
Nem parece se avistar pelo cansaço
E nem sabe brincar de perdão

A Lua se aproximou de mim agora
E enquanto parecia crescer
Eu estava lá fora

Aqui dentro é tão gelado e tão vazio
Que de impressionante
O vento da madrugada me aquece
Quando se há de ser poema de novela
Que só não brinda por haver cálice de boca virada para baixo

Quando se está acostumado a viver no inferno
O redor não é tão dolorido assim

E eu vôo e prometo:
Ainda hoje eu arrumo meu quarto

E, ás vezes, só por um segundo
Eu desejo ser como os outros:
desejando um bom perfil,
olhos desfadigados
e não ter o amarelo dos meus dentes

FIM

Detalhe no ponto final ao fim do poema. :B

FIM

Força...
A violência me deixou de lado.

Fez de mim um escravo sem dono
Escravo de mim
Ou do que eu fui
E fiz fazer
Pétalas de coração de cerejeira
Tão clichê
E tão vazio...

Vento...
Me empurrou pra longe.

Hoje estou mudo com uma forca na cabeça
Sim, na cabeça!
No meu pescoço,
Há uma gravata borboleta
Que eu ganhei de uma amiga.

Trovão...
Assustou-me na noite de chuva.

Mentira,
Porque eu não tenho medo do escuro
Só do final
Então
Façamos sua chegada provisória mais rápida
Que chegue e me acerte como um ponto final

.

"SUOR"

Odeio esse meu poema. Mas só pra dizer que eu o registrei em algum lugar:

“SUOR”

Como uma rosa virgem
O pecado emudeceu seu rosto
Sem uma espécie sequer
Ninguém viu seu desabrochar

Desabrochar de lótus
A perda da inocência
Entra a cor e a dor do sangue
Há os espinhos que se enterram

A flor que se solta devagar
Não se arrepende de não ver os espinhos
Na libido ingênua e inconseqüente do momento

O anseio rompeu seu lacre
Enquanto observava o sangue cair leve
Delicadamente os espinhos se encontravam

O sacrifício por prazer

Surgiu então a dor, o sangue e o momento
Enquanto a flor desabrochou e o broto se desfez

A flor masoquista
A flor que reinventou o amor
A flor que tinha a dor à vista
A flor que desafiou o calor

JOI DE VIVRE


Letra feita em parceria com o meu amigo D***** N. Gigantesca e rebuscada, mas legal.


JOI DE VIVRE

(Daniel Nacrur, Lucas P. “Delavour”)

I – CONTOS DE UM CORAÇÃO DE VIDRO

A música ambiente é o medo do silêncio
E o barulho é a voz que não tem o que dizer
A fala é o porta-estandarte da palavra
E o sussurro é a música da escuridão
A batida é a bateria natural do coração

Nosso espírito é um corpo parido em dois
Vagamos como metades que não se encaixam
Estou farto do seu joi de vivre
Que toda a sua sabedoria te sufoque

A paz que se implora se equilibra na linha tênue
Que nos isola em toda insânia e caos
Seu corpo alimenta minha alma
Seu cheiro são caminhos escritos no ar

Mas se as cortinas se fecham e nos encerram
Não somos você e eu nesse palco escuro?
Recuso o convite
Esse teatro não perdoa erros de cenas não fictícias
Seu vício alimenta toda a dor

II – Epopéia de Um Só

O livro é a partitura das palavras
E a escrita é a voz que impera no silêncio
A sorte é a constante atribuída aos que a chantageiam
E o eclipse é o cume da indecisão
A bateria é a bateria natural do coração

Eu procuro alguém nesse mar-de-areia
Será que ela ainda está aí?
O vento leva a correnteza para longe
Perto de alguém

Imagem vale mil palavras completas de doce
Flores dormem no canteiro
Onde está a beleza?
Ache-a para mim, por favor.

Há um canteiro enorme à frente
Onde há a terra, a treva e o espantalho
E eu já não ligo para sua besteira feita
Para suas palavras feitas
E para seu corpo feito
Feito o despeito perfeito de uma perfídia qualquer
Em dia dissipando seu arranhão de má sorte
Seguindo um porte de perdão
Esperando a noite recolhida
O tempo da colheita e do estirão
Fugindo do padrão do tempo e da espera
Uma vez que a terra é deserta também
Sem sua escolha certa
A sua meta é a areia
Em sua epopéia de um só


III – INVERSÃO DISPERÇA

O branco é o casamento de todas as cores
E o preto é a sua inevitável separação
A solidão é o preto dos homens
E para eles o branco não existe
A batida é a bateria natural do coração

A maldição do fim-do-século já está presente
Como um padre ausente jogando cartas com um anjo caído
Nossa tendência sempre faz o proibido
Que nos faz provar do gosto do improvável
Porque nascemos de um corte nos pulsos de um deus
Em meio a uma guerra santa envolta a um espelho

O real é surreal
E o irreal se apresenta de pé
Passando a fé de forma vazia e incorreta
Para uma massa disforme figurada
Nos moldes de um cubo salvador

IV – CORAÇÕES DE VIDRO NUNCA BATEM

O ódio é a solidão causada pelo amor errado
E o amor é o ódio sedutor de outro lado
O vidro é criado a partir de sangue moído
E a raiva é o fruto do desejo proibido
A batida é a bateria natural do coração

Por trás de todo canalha há um romântico em coma
Que desenha sua chegada ao pó em um sertão de tinta
Feito uma marcha militar com um mártir num altar
Em uníssono correndo para um abismo sem instrução
Com o cinismo de uma cena sem emoção

Há as cortinas que se fecham
E esse é o fim do espetáculo
E o que resta?
É a escuridão

POESIA DE VIDRO BILATERAL

"Quem não tem teto de vidro
Que atire a primeira pedra"

POESIA DE VIDRO BILATERAL

Vidro Vidro Vidro Vidro Pedra
Vidro Vidro Vidro Pedra Caco
Vidro Vidro Pedra Caco Caco
Vidro Pedra Caco Caco Caco
Pedra Caco Caco Caco Caco

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

FALSIFORME

E sim, o "S" é proposital. Não é com "C"
É um dos raros casos - assim como a Balança da V&M - que era para ser uma letra e acabou virando poema. Gosto bastante dela. =)

Possui trecho de "Dom Casmurro" do Machado de Assis em aspas.

FALSIFORME

A seriedade das trevas
É envolta por grande paixão
Com cacos de amor
E estilhaços de esperança

Quando as sete cores do arco-íris
São preto, branco e cinza
Existir não parece ser tão claro
Como claro já se foi

Quando os mesmo truques de amor já não seduzem
É porque o comodismo já se instalou
E a ilusão não está mais presente
Como um dia já esteve

Não há mais quadros na sala de estar
Nem mais carros na rua
Não há mais ninguém ali

Você só vê a sombra de uma abominação velha
Uma velha abominação que arde devagar
Dizendo que o sol um dia queimou
Seu coração sem amanhã

Falta do que fazer pode matar
E alguns costumes também

Voltemos às origens:
A luz que criou sombra jaz num asilo:
“A terra lhes seja leve
Vamos à história dos subúrbios”

Amor em Corrente - 2007




O que você enxerga aqui?
Daqui um tempo eu revelo o que é que eu desenhei.
=)

LEMBRANÇA ACOMPANHADA

Feito embaixo do apartamento do meu amigo depois de um conselho dele. Valeu a noite L****.

LEMBRANÇA ACOMPANHADA

Eu sabia desse mal
Obrigado
De vez em quando essa textura machuca

Descobri que a vida é mais que um olhar
E que não é para me preocupar tanto com isso,
Nosso trabalho dá a esperança

E isso tudo vai passar
Mesmo assim me tira a preocupação
Mas é bom comentar
De um abraço

O RELEVADOR

O RELEVADOR

Ele
Leva
A
Dor

Ele
Eleva
A
Dor

O
Relevado

O
Relevador

ESTÓRIA URBANA ENTRE ESCOMBROS

Poesia sobre a sujeira das cidades.
Finalizando com uma confissão, porque eu vivo à moda mista entre o vagabundo e o artista.

XD

ESTÓRIA URBANA ENTRE ESCOMBROS

Atravessei a avenida paulista
Feito um ciclista que andava por aí
Quando vi onde cansava minha vista
Descobri o que estava errado bem aqui

Faltava cor e tranqüilidade
Na cidade que já acordava para suar
O tempo vinha e passava em parte
Como uma vinha envelhecida secular

E o cinza investia sua lança
Feito uma dança que dançava sem seu par
Suas tranças escondiam sua pança
Que engolia praças e engordava o seu olhar

Até o dia em que essa aberração enorme
Descriou seu criador sem deixar pista
Ao se tornar defunto na maça disforme
À moda mista entre o vagabundo e o artista

O QUE UMA PROVA PODE TE ENSINAR

Poema feito a partir de um stress meu por ir mal nas provas. Recuperação de física, química, matemática...

O QUE UMA PROVA PODE TE PROVAR

Há as minúcias da sociedade capitalista
Em cada fresta ou seresta dos mais gordos
Enquanto os mais magros
Mostram-se cadáveres acéfalos

Os professores não passam de bufões
Que tentam sobreviver ao show bissness dos grandes chefões

E ninguém enxerga nada

Os gordos são saturados de gordura informacional
E os magros são tão magros que não tem futuro

Mas ainda há os magros com genitores gordos
Que podem suplicar sua contra-danação

Há também a máquina da maquinaria
Que engorda pelas mesmas vias sujas de sempre

E eles ainda dizem que se importam

Mas no final só querem ver seus mais gordos bois
Virarem suas melhores salsichas
Para serem vistos no jornal de um clube de ócio local

Como o cardápio de um restaurante cinco estrelas
Que mesmo assim possui moscas

Feito cabeças-de-gado indo em direção ao matadouro

Magros ou gordos não passam de vermes
Nadando num campo minado de esterco

Fétido
Pútrido
E nojento

Onde não há saída e o destino parece apontar
Para a rotina do lugar nenhum

DIAS DE FESTA E TRAGÉDIAS E PORMENORES

Feita agora. Sessão nostalgia.

aKOSkaPOKSoAS

Desculpa gente.

Bateu aquela coisa "terceiro colegial" agora.

"Vida louca, vida. Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve"

-Lobão

DIAS DE FESTA E TRAGÉDIAS E PORMENORES

Nostalgia:
Eu costumava transformar galhos em João, em Maria
E podia fazer de qualquer lugar minha sala de estar

Meu tempo se esgota
E minha memória retrocessa a todo instante
Minha vida já não foi não tão diferente...

Ano após ano
Eu consigo descobrir que eu era feliz e não sabia

Quando revejo fotos de anos atrás
Eu desejo poder voltar no tempo
E reviver vários instantes:

Queria poder comer a goiabada com queijo da vovó
Com a mesma ingenuidade imatura de antes
E idem aos enroladinhos de salsicha e os croquetes

Apego por carros e cachorros e amigos já distantes
Antigos amores de mãos dadas e portas quebradas

Houve a separação

Video-games antigos com os meus vizinhos
Todo sábado na locadora
E a piscina do clube

Vitrola com discos de histórias de dormir
(na voz do Silvio Santos)

Eliana, Power Rangers, Doug Funny e Costelinha

Chácaras e cavalos e pancadas
Essa parte eu não desejo lembrar
Meu pai nunca fez falta

Bons tempos que não voltam mais
Passaram
Bons tempos que não voltam mais
Passaram
Bons tempos que não voltam mais
Passaram
Bons tempos que não voltam mais
Passaram
Bons tempos que não voltam mais
Passaram

Passou

ODEIO ESCOLHER TÍTULOS PARA POESIAS

Mentira. Gosto sim de escolher títulos para poesias.
Mas eu morro de saudades da época em que eu vivia.

ODEIO ESCOLHER TÍTULOS PARA POESIAS

Eu morri de saudades da época em que vivia
Desenhando águias, tubarões e máscaras
Apesar de ainda ver monstros na madeira
Não é a mesma coisa

Hoje eu sou maior no banheiro
E me assusto com lágrimas
Enquanto ouço meu coração em coma
Como se ouvisse conselhos de minha velha criança

Aquela que eu fui

A que andava com o vovô
A que confortava a Branca de Neve
E tinha em mãos seus heróis

Provérbio Chinês em Lata de Lixo


Imagem significativa, não?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

LÁGRIMAS DE UM ARTISTA




LÁGRIMAS DE UM ARTISTA

O toque das três sombras forma a tinta preta
Que se se deslizaria
Deslizara sobre o céu e o papel e o seu inferno
Sob a forma bastarda
Deliciava-se com sua farda
Quando havia o que se formara outra vez:
Uma sombra

- Onde estão as outras das três?

O sussurro reinara na sala vazia
Como novamente se se olhara
Olhava para trás

Para no mais tardar, contar uma estória
E cantava:

- Havia um batalhão e pó

Os escudos de escudos da placenta
Fizeram-se sedentos quando houve o amanhã

Como se o amanhã chorasse outra vez

Aquele cheiro que lembrara o verão
O fascínio clichê pelas quatro estações lhe trazia nojo:

- Feito!

Mas era industrial...
Ledo engano da imagem

- Bobagem...

Observaria o que observara
E de longe
Quando se encontrara o reconhecimento de uma era
Talvez houvesse para sempre a lembrança
Talvez remota demais para o passado
E talvez não...

Mas o fato:
Era uma vez uma Era

SOLIDÃO SOB A NÉVOA DO OLHAR


Finalmente pronto.
Versos trabalhados há tempos.

Há quem queria musicar, mas fiz sendo poesia.

SOLIDÃO SOB A NÉVOA DO OLHAR

Havia um mendigo bêbado na Praça das Lembranças
Feito uma dança, suspirava pelos cantos bem ali
Havia um porta-luz castanho no feixe das mudanças
Feito a matança, iluminava o ambiente sem fugir

O verde molhado destoava do dourado do outono
E o meu contorno na chuva esperava o meu redor
Perdido na sensação amarga de sono febril sem dono
Em torno da neblina do meu ser que clamava ser um deus menor

O abraço do nada e do vazio me fizeram dormir
Como um mártir que se satisfazia com um olhar
Sem falar na ilusão que ele acreditava sentir
Sem rugir, bradava a guerra que já foi familiar

Um grafite cinza lentamente centelhava a esperança do aposento
Enquanto invento o julgamento-estandarte persuasivo da derrota
Lembro de certa mímica morta pelo sentimento imparcial do vento
Que destruiu meu argumento já perfeito de felicidade rota

Um brinde pagão me fazia olhar pela janela
Já amarela, evitava sua sombra com medo de ser o fim
Assim, perdia minha alma-aquarela feito um rato sentinela
Naquela cela que julgava o invertimento paralelo de um serafim

Os meus versos contradiziam aquela existência
Com a ardência, eu não aceitava ou percebia estar perdido
Feito o mendigo embriagado, cantava sem melodia ou essência
E a ausência despertava a madrugada sem sentido

Ele olhava na boca da garrafa imaginando outra boca
Com sua forca, apertada mais um pouco que outrora
E a aurora roxa que sufocava lá de dentro era oca
Sob sua roupa que se fazia grilhão maior que o peso de fora

Eu enxergava qualquer coisa sem querer fazer nada
E confirmava: aquela epopéia era realmente de um só
Com suor, enfileirava fileiras de poeira com cevada
E na outra mão se fazia e desfazia o pó

Nisso, a praça e o mendigo sumiram sem mais adeus
E há poucos que dizem que foi causa de Deus
Mas nenhum dos loucos realmente via outro dos seus
Porque o mundo é dos outros, mas os olhos são meus

terça-feira, 3 de novembro de 2009

MANUAL DE TORTURA: A RECEITA DA MORTE

Poesia um tanto quanto "bizarra". Foi feita como tiragem de sarro, portanto, não a levem a sério. Uma viagem no meio de uma aula de matemática mal-sucedida.

Ah... E por favor, insanos de plantão:

Não sigam esse manual.

=)

kAPOASKpoaKSpoA

até.

MANUAL DE TORTURA: A RECEITA DA MORTE

Morda
Veja a chama em seus olhos
Força
Sinta no seu peito o desejo de sangue
Frenesi
Gargalhe feito um diabo ensandecido
Vermelho
Faça energia em medo nos olhos de outrem
Soberania
Amarre-o contra a cruz farpada
Suor
O abstrato e o calor se transformaram em azedo
Sádico
Diga-lhe que matou e estuprou a família dele há pouco
Berro
Reúna e libere os demônios em sua alma
Calor
Corra em investida contra sua presa
Insânia
Coloque-lhe o pesadelo na barriga
Cegueira
Pegue seus dedos e finque-os cavando os olhos de outrem
Montante
Faça-o arrancar as unhas com os dentes
Ódio
Quebre-lhe os dentes e arranque-os com martelo
Conspurque
Corrompa-lhe o corpo profanando o espírito
Vômito
Faça o lugar girá-lo sem perdão
Entrada
Arranque-lhe os dedos com machado enferrujado
Tortura
Amarre vinte agulhas e fure-lhe o corpo inteiro
Humilhe
Defeque sobre o alvo inimigo e urine em suas feridas
Incontestável
Pegue um espeto de churrasco e, após fervê-lo, enfie-lhe no ânus alheio
Prato principal
Faça-o engolir gasolina, e após dez minutos, atei-lhe fogo na garganta
Sobremesa
Banhe-o com álcool e, após minutos de sofrimento, atei-lhe fogo novamente
Digestão
Delicie-se com seus instintos primitivos saciados
E tenha um bom dia

CLASSE-IDADE MÉDIA BAIXA



A BALANÇA DA VIDA & DA MORTE

Feita durante o Chorando Sem Parar de 2008 com a minha atual (nem tanto) parceira Lia. Foi feita inicialmente para ser uma letra, mas com o desenrolar da criação decidimos:

- Não... Se alguém ou algum louco um dia decidir musicalizá-la, está bem. Por enquanto, nós não.

Eu particularmente gosto muito desses versos, apesar de tratar os assuntos vida & morte com frieza extrema, o que não é meu tipo. Sou sentimental demais e, sometimes, deveras polêmico.

Ando numa vybe mais "tranqüila".

A BALANÇA DA VIDA & DA MORTE
(Lia L./Lucas P. “Delavour”)

Cap I - NASCIMENTO

Eu não consigo viver no escuro
E se eu não puder ver minha liberdade
Me sinto preso
Como Narciso num espelho
Como se a chuva fosse céu
As copas das árvores me lembram o chão
Onde eu pisava há pouco tempo atrás
Mas meu chão e meu céu já se perderam
No meio das raízes da história

Cap II – CRESCIMENTO

A realidade me mostra que as verdades são compatíveis
E a tendência natural é neutra
Assim como são meus olhos
Não vejo a vida nem a morte
Pra mim só existe a existência
Perdida em pensamentos humanos e vazios
E inexistente quando se ausenta a consciência

Cap III – ENVELHECIMENTO

Pra cada vida que se ganha
Há uma vida que se perde
Como moinhos de vento
E toda a natureza inventada por nós
Está entre o azul do céu e o vermelho do fogo
Se eu quiser
O chão está nas copas das árvores
Porque eu criei a invenção
A Balança da Vida & da Morte não pesa o nosso coração
E o Anúbis que inventamos
Se esconde embaixo das asas de um anjo de pedra
Que suspende nossa morte
E ri da nossa existência
Ri porque fomos nós que demos vida
Àquele que nos trás a morte
É para sempre
Porque para sempre não existe
E tudo que não existe
É porque já era antes de nós

Cap IV – DECOMPOSIÇÃO

Nosso círculo de vida nasce e morre a cada instante
Como Uroboros que sintetiza o bem e o mal
Feito cataratas num lençol
Enquanto os vermes que hoje pisamos
Nos esperam amanhã

domingo, 1 de novembro de 2009

Janela Aberta - Sarau Sobre Perdas e Danos


31/10/2009
Poemas recitados:

A Balança da Vida & da Morte (Lucas P. "Delavour" / Lia C. L.)
E Foi-se Como o Vinho do Porto (Lucas P. "Delavour")
Perdidos Na Areia (Lucas P. "Delavour")
Acrilic On Canvas (Renato Russo)
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Vinho e pizza grátis + ótima companhia + poesia = Ótimo sarau
Obrigado Estela e até o próximo.