terça-feira, 13 de outubro de 2009

POMBA RUBRA

Eis um poema meu que eu gosto bastante: o da Pomba Rubra. O poema pode ser interpretado - como sempre - de diversas formas, mas aqui eu transformo o símbolo da Pomba, a alegoria da paz, no avatar do da guerra. Divertido? Sim. Pra caramba, por isso que eu gosto. Eu adoro misturar coisa séria com piada irônica. Tirar sarro capricorniano com tudo. Eis, também, o meu Rebelde-sem-Causa. O atual namorado da QualquerNome curtiu o poema. Achou que lembrava a primeira fase dos Titãs. Nunca gostei de Titãs, mas eu gostei do elogio/comparação. Ei-lo:

POMBA RUBRA

Prrr...!

Eu sou uma pomba-correio que traz uma bomba!
Incendeio o nosso céu de faz-de-conta
Não vou à igreja de domingo
E confirmo a insônia dos sem-sono com minha metralhadora
Não me chamem de ovelha negra e sim de afro-descendente
Porque eu sou a semente dos descontentes
E essa gente repugnante
Não passa de sopa p'ros sem dente

Prrr...!

Eu sou uma bomba-correio que traz uma pomba!
Enfeio o nosso céu feito de cinza e sombra
Essa conduta não passa de desculpa
Pros filhos da luta que agem sem pensar
E ao invés de detalhe na pintura de Serafim
Sou porta-voz do meu parceiro Bakunin
E mesmo assim meu codinome é Osama Bin
Laden Tro-tro-tro-tro!

Prrr...!

Depois das Torres o cheque-mate está por vir
Daqui a pouco eu tiro o Rei desse xadrez pra pôr em outro
E atiro na Rainha quando ela pedir socorro
E eu só me faço contente quando destruo o que há em frente
E estridente escondo fraudes com patente
Porque sou filho de um frade com a Serpente!
Não acredito no diabo e em acidentes
E em caso de dúvida
Meu grande amigo Nero confirma que sou ardente!

Prrr...!

Carrego a carta-natal do universo até o Juízo Final
E também faço do inverso o prejuízo racional
Eu engulo carne crua com tutano cobrindo corpos com meu pano
E se eu sou branco é porque sou ariano!
Sou uma das várias foices das faces da morte
Porque sempre recorreram a mim para resolver disputas egoístas
E há quem diga que eu e Ares somos um só
Mas outros ainda teimam que eu não passo de uma pomba

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