quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A MANSÃO DE DEUS

Nada a declarar:

A MANSÃO DE DEUS

Estou cansado de escrever sempre sobre o mesmo vazio:
-Até quando vai essa solidão?
Até minha morte chegar por eu ser covarde!
-Até quando vai essa solidão?
Até eu decidir explodi-la em mim como uma dinamite!
-Até quando vai essa solidão?
Até ela consumir minhas entranhas de vez!

Sou sempre eu quem ajuda os outros
Sou sempre eu quem sofre sozinho
Sou sempre eu quem é abandonado depois de dar carinho
Sou sempre eu quem é a alavanca descartável do foguete
Sou eu quem tem o maior peso nas costas
Sou eu até que seja apagado para sempre
Sou eu quem tem os olhos opacos
E sou eu quem desiste no fim

Ninguém está aqui para me ajudar agora
Ninguém está aqui para tapar os meus buracos
Ninguém está aqui para reerguer meu Castelo de areia
E ninguém estará
Até que eu transborde uma lágrima do meu rosto em público
E os que virão estarão do meu lado unicamente para lavar a alma ou acalmar a consciência
Da mesma forma que se dá esmola aos mendigos
Até a consciência ser calada e a alma ter a ilusão de estar satisfeita

Eu estou no outono da minha sina
E o meu coração de vidro se congelou por entre meu sangue quente
Dentro de mim e em minhas mãos
E não há ninguém para descongelar meu coração com calor humano
E ninguém quer
E se estou vivo o que você enxerga é minha carcaça
Porque minha alma está enterrada em coma
E eu duvido que um dia acorde

Não há ninguém para me tirar da areia-movediça

A lua nova é o sinal de minha partida
E haverá outra lua para tomar o meu lugar
E as lembranças fazem a tempestade manchar
O que mancha meu coração de vidro em azul-escuro
“A nossa casa será azul!"
“E quem volta sozinho para casa sou eu”

Sou eu o que eu sou

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