sábado, 31 de outubro de 2009

TRILOGIA DOS POEMAS MUDOS


TRILOGIA DOS POEMAS MUDOS

I)ÚLTIMO INSTANTE

Tum-dum--tum-dum--tum-dum
Tum-dum---tum--dum---tum--dum
Tum--dum----tum---dum----tum---dum
Tum----dum-----tum
-
Dum
-
.

II)PRIMEIRO BEIJO

Tum-dum--tum-dum--tum-dum
Tum-dum-tum-dum-tum-dum
Tumdum-tumdum-tumdum
Tumdumtumdumtumdum
Tumdum-tumdum-tumdum
Tum-dum-tum-dum-tum-dum
Tum-dum--tum-dum--tum-dum

III)AULA DE QUÍMICA

Tum-dum--tum-dum--tum-dum
Tum-dum--tum-dum--tum-dum
Tum-dum--tum-dum--tum-dum
Tum-dum--tum-dum--tum-dum
Tum-dum--tum-dum--tum-dum

MATEMATIFÍSICA

Por favor Lia, Dany e simpatizantes:
Não me matem.
O intuito foi o de polemizar e fazer as pessoas pensarem sobre o assunto.

Só que eu sou assim:
Tenho a habilidade de deixar as pessoas irritadas, então, reconsidere.

^^


MATEMATIFÍSICA

Sonetos não são poesia
São simplesmente uma fórmula
Onde jogam-se versos escravos
Em métrica
Que não fazem sentido
E satisfazem os amantes de vasos

Sonetos não são poesia
São a carência de pessoas
Que não tem o que fazer
E querem rimar versos
Por serem pseudo-intelectuais casados com dicionário
Sem saber teoria musical o suficiente
Para musicalizá-los
Ou simplesmente por terem preguiça
De fazê-lo

Sonetos não são poesia
São versos mal-escritos sem alma
Que não passam de ofensa aos artistas
Assim como a ciência literatura
Onde cansa-se de achar sentido onde não tem
Matematifisicando a arte

Sonetos não são poesia
Mas já foram
Nos tempos em que a música cantada
Não possuía os valores atuais

Sonetos não são poesia
Ainda que haja exceções
Conforme-se

CORPOS CELESTES E AS ESTRELAS DO PASSADO

Letra que eu fiz especialmente para o Felipe musicar. "É verdade!".
Tadinho... É tão sem métrica. Ele vai penar.
Mas quando eu fiz essa letra eu percebi: "nossa! Ela é a cara do Felipe. Cara... Só ele pode musicalizar isso aqui!"

Então eu entreguei para ele.

Ele é o melhor guitarrista que eu conheço - e ele é REALMENTE MUITO BOM - e eu confio no trabalho dele. Sem contar que eu sou fã.

Ei-la:

CORPOS CELESTES E AS ESTRELAS DO PASSADO
(Lucas P. "Delavour"/Felipe Ladeira)

Disfarces azuis no porão de seu céu
Se destacam como estrelas que colidem dentro da noite
Quando me lembro que a marca do seu beijo é uma oitava acima do meu

Há quatro estações e quatro elementos
Entre a minha partida e o seu movimento
Quando me olho meio que sem jeito e sem direção
Encontro dentro de mim aquela quinta estação

Eu estou trancado no olho da chuva
Cego por conta de um milagre
Sem objetivos ou rota de navegação
Independênte de qualquer situação

Se apaixonar não é amar alguém
Se apaixonar é não amar ninguém

Os meteoros em mim ardiam em chamas
Mesmo eu não passando de poeira estrelar
Apesar de você ter morrido para mim
No seu funeral dentro do meu coração
Eu não cansava de repetir:
"Ninguém morre enquanto permanece vivo no coração de alguém"

Por mais que eu tente me explicar
Ao tentar me livrar de você
Eu apaguei todas as luzes em mim

E o que sobrou do nosso amor
Foi a claridade de passado que atravessa o universo
Feito a lembrança emanada do nosso destino
Que agora no céu não passa de uma estrela qualquer

E caso algum dia você se depare com uma noite de céu estrelado
Veja os meus olhos e se lembre:
"Aqui jaz uma estrela"

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

STAND DOWN TRAGEDY - Part I


STAND DOWN TRAGEDY


CENÁRIO: Palco do teatro municipal
PERSONAGENS: Protagonista, Vermes, Aparições, Platéia.

(Cenário escuro, o protagonista se encaixa no centro enquanto isso vários “vermes” e "aparições fantasmagóricas" se rastejam de forma repugnante no palco. Minutos de silêncio e confusão, depois a luz se acende no proscênio iluminando o protagonista. Os "vermes" e as "aparições" continuam se rastejando normalmente, porém, não invadem o espaço onde há iluminação. Há vários atores espalhados na platéia. Estes serão a "Platéia" apresentada mais tarde. Quando o protagonista começa sua fala os vermes se abaixam no chão e as aparições saem de cena)

PROTAGONISTA: Sejam bem vindos ao útero privado da minha mente. Aqui se escondem os meus pensamentos mais reclusos. Aqueles que vocês NUNCA vão saber. Mas hoje à noite, agora, vocês terão que me ouvir, e o MELHOR de tudo: Vocês não dirão NADA. Ficarão de boca FECHADA. Vocês não têm escolha!

PLATÉIA (em uníssono): Quem disse?(Os vermes se agitam)

PROTAGONISTA: Está bem... (os vermes abaixam) Como isso sempre acontece nos teatros, eu vou conceder a vocês mais dois minutos para desligar o celular. Portanto, se os publicitários e os executivos que estão aqui presentes só de corpo ainda não desligaram o celular, concedo a vocês esse tempinho extra, porque se eu ouvir algum barulho deles aqui hoje, a coisa vai ficar feia (pequena pausa de silêncio). Eu estou falando sério! (as luzes do teatro se acendem, os vermes se agitam) Vamos, desliguem! Se já desligaram verifiquem! Agora! (luzes se apagam e há novamente o foco no protagonista, os vermes abaixam)

PLATÉIA (em uníssono): Quem disse?(os vermes se agitam)

PROTAGONISTA (Desanimado): To vendo já... Se eu não arrancar as minhas mascaras vocês não vão me deixar em paz, né? Então tá bom! Eu vou tentar... (os vermes abaixam) Mas é difícil... Não garanto que eu vá conseguir.

(silêncio, aparições cruzam a parte de trás do palco sem encostar na luz do Protagonista)

PROTAGONISTA (desanimado): As vezes(as aparições vão embora) eu acho que o mundo não tem conserto... Muito menos vocês... (aparições aparecem, silêncio) Quantos de vocês (aparições somem) sabem o que é cruzar a Cidade dos Condenados numa madrugada vazia com os versos na cabeça: "Eu não quero sentir a dor/de um solitário trovador"? O vazio da Praça das Lembranças é o meu lugar preferido na cidade... (aparições aparecem, silêncio) porque as pessoas são assim?(aparições somem) Porque vocês são assim? O mundo só é essa bosta que é por causa de vocês!(os vermes se agitam) Eu faço minha parte seus retardados... (aparições aparecem, silêncio) olhem nos meus olhos...!(as aparições vão embora e os vermes se abaixam) O que vocês vêem? Eu não sei vocês, mas dentre as minhas qualidades, está o poder de enxergar o que há por trás dos olhos das pessoas... Infelizmente, esse é - também - o defeito que dói mais em mim... (Silêncio as aparições aparecem) É triste, sabia? (as aparições vão embora, silêncio) Em quantas pessoas vocês aí já pisaram? É claro... Porque para se subir é necessário fazer alguém descer... Empurrar o crânio de alguém pra baixo. Garanto, que quanto maior for a posição social no trabalho de vocês mais gente vocês já derrubaram... (exaltado e fora-de-controle, as aparições aparecem e os vermes se exaltam) E vocês não ligam, porra! Todos vocês se esquecem de que todas as pessoas são pessoas! Eu estou no mesmo nível que vocês, eu estou no mesmo nível que os vermes, mas pelo menos eu enxergo! E vocês? Garanto que há os que ficaram ofendidos... (as aparições vão embora e os vermes se acalmam um pouco) É, né? É horrível ouvir a verdade. É sempre mais fácil quando sobe alguém no palco e começa a falar mal dos judeus, dos veados, das burras... (os vermes se acalmam) É, minha gente... A vida não é "ridendo castigat mores". Bem... Pelo menos isso para os que estão me ouvindo! O pior são esses "papais" que vieram aqui só pra assistir a peça dos filhinhos, tirar umas fotos e ir embora. E que não escutam nada e a ninguém. Sinto muito retardados com complexo de Deus, (os vermes andam levemente) mas vocês têm que me ouvir agora! Você não faz bosta nenhuma da sua vida e ainda acha que está com a razão? Que tipo de retardado você é?(os vermes se exaltam) Só porque é mais velho? Olha pra mim cara... Garanto que eu já vivi e sofri muito mais que você em toda a sua vida! (finge que cospe na platéia, os vermes se exaltam) eu tenho nojo de vocês! Tá estressadinho, meu irmão? Então vai embora! Vai... Cagão... (vermes completamente exaltados) Cagão!(os vermes ficam só exaltados) E os filhos desses pais ainda falam com certeza absoluta: "meu pai? Acha... Ele chegou aonde chegou com o próprio suor, nunca explorou ninguém!" É claro... Um filho de político corrupto jamais diria que o pai é...

(entra uma aparição no palco pela direita dos espectadores e entrega um copo d'água para o protagonista e sai pelo mesmo lugar que entrou, não encostando na luz do proscênio; enquanto o Protagonista bebe água, os vermes lentamente vão se acalmando de forma que quando o Protagonista termine de beber água, todos os vermes estejam abaixados)

PROTAGONISTA (aliviado): Obrigado... Eu estava precisando de um copo d'água...

(entra outra aparição em cena pela esquerda dos espectadores e pega o copo sem encostar na luz, voltando pelo mesmo lugar que entrou)

PROTAGONISTA (indagado): E eu já me apaixonei... E vocês?(aparições aparecem) Eu só me apaixonei por duas pessoas de verdade: a "QualquerNome" e a "Mímica"(aparições se exaltam). Ambas estão mortas agora... (aparições vão embora) pelo menos pra mim. Eu cresci com a "QualquerNome" e ela cresceu comigo. Foram longos anos de namoro e quebras... Até que terminou da maneira que acabou. Por causa de uma foto... (aparições aparecem) Eu aprendi bastante com ela, e ela aprendeu bastante comigo. Pena que nós nos esquecemos. Mas no fim foi até bom... Porque eu não sofri no final. Nós dois fomos jogados dentro de uma tormenta. Ela morreu e eu não. Ela cedeu à mesmice, perdeu sua personalidade. Se você visse seu cadáver hoje, ia até se assustar com a quantidade de libido no rosto... (aparições desaparecem) Pois é... O meio muda as pessoas... Enquanto eu, posso não ter cedido à tormenta, mas dá pra ver o resultado da luta com as cicatrizes no meu rosto até hoje. Já a Mímica... Ah, a Mímica... Como ela era linda... Eu olhava pra ela de longe há dois anos. Desde o dia em que eu a vi (aparições aparecem). Nunca cheguei a namorá-la... Mas certo dia ela foi viajar, e a confusão trouxe o vento de lá... E o vento a matou. Pouco antes dela ser minha... (aparições desaparecem) Cheguei tão perto! É uma pena... Ela é a prova de que rostos bonitos sofrem primeiro...

(um verme da esquerda do palco, na visão da platéia, tira do bolso um espelho e dá na mão do protagonista sem encostar na luz do proscênio, depois volta para sua posição. O Protagonista se encara no espelho durante um tempo e depois o entrega para um verme do lado direito do palco pela visão da platéia, este o recebe e coloca imediatamente no bolso sem encostar na luz do Protagonista.)

PROTAGONISTA:Vocês já pararam pra pensar que todo velho já foi uma criança? Não... Sério mesmo! Já imaginaram que todas as crianças vão ser velhas? (aparições aparecem, silêncio) Todos os bebês vão decepcionar alguém. Todos os bebês vão alegrar alguém. Todos os bebês vão explorar alguém... E os velhos? Parece que eles são perdoados de tudo que já fizeram... A maioria dos bebês vai fazer sexo, e a maioria dos velhos já fez. Todo velho já foi adulto e todo adulto já foi criança... E por que as pessoas vivem tratando os bebês como retardados? (aparições desaparecem) eu não entendo... Sabe... Vasculhe algum canto da sua memória... Garanto que todos vocês já pensaram em mudar o mundo de alguma forma! E olhem pra vocês agora! (silêncio) Não é porque vocês já estão velhos que vocês não podem fazer a diferença! Caralho!(os vermes se agitam) Não precisa ser um super-herói, mas fazer o básico sabe? Pensar no outro... TODOS NÓS SOMOS SERES HUMANOS!(os vermes se exaltam) SOMOS TODOS IGUAIS BRAÇOS DADOS OU NÃO. E sim, eu OUÇO Geraldo Vandré. E OUÇO mesmo! (aparições aparecem, silêncio, os vermes abaixam) Minha vida é um inferno... Meu mundo é um inferno... E eu já estou cansado disso(aparições desaparecem). E é uma pena eu só poder ser ouvido porque estou em cima de um palco num teatro, porque vocês decidiram ver seus filhos numa "pecinha de teatro". Escuta cara...(vermes se agitam) Eu sou um artista, no âmago da minha existência. E é isso aqui que eu sou! Com todas as palavras!(vermes se exaltam) Então faça a diferença! Faça a diferença. Porque eu faço acontecer... E eu ando a pé sempre... E eu vejo cada detalhe da Cidade dos Condenados que vocês nem param pra pensar...(vermes abaixam, aparições aparecem) Às vezes é difícil ser a Hiena solitária... Vocês nem imaginam... E Quando eu ando por essas ruas, há uma música que é minha vida, que não sai da minha cabeça(as aparições abaixam).

PROTAGONISTA ou OUTRO ATOR QUE O DIRETOR ACHAR MELHOR: "Eu sou o filho da ira e do amor/o Jesus dos Subúrbios/Vindo da bíblia dos "nenhum de nós"/numa constante dieta de refrigerante e ritalina/ninguém foi pro Inferno por pregar o que eu defendo/Pelo menos até onde posso contar/com aqueles que eu convivi/E não há nada de errado comigo/É assim que eu deveria ser/Numa terra de faz-de-conta/que não acredita em mim/Tento arrumar minha televisão sentado no meu crucifixo/na sala de estar, o meu útero privado/enquanto minha mãe e meu padrasto estão fora/Cair de cara no amor e no débito/E o álcool e o cigarro e o meu ópio/me mantém insano enquanto preparo o ópio de alguém/E não há nada de errado comigo/É assim que eu deveria ser/Numa terra de faz-de-conta/Que não acredita em mim//No centro da terra/no estacionamento/na Praça das Lembranças onde eu estava/A moto não passava de uma mentira/Ela dizia:"Casa é onde seu coração se encontra"/Mas... que vergonha/Porque os corações não batem da mesma forma/Eles batem descompassados/Cidade dos Mortos/No fim de outra estrada perdida/Sinais que apontam pra lugar nenhum/Cidade dos Condenados/Hoje as crianças estão perdidas com rostos sujos/E ninguém parece se importar/Eu li as paredes grafitadas na estalagem sanitária/Como se fossem escrituras sagradas num Shopping Center/E no entanto parecia confessar/Não dizia muito/Mas só confirmava que o centro da terra/é o fim do mundo/E eu poderia me importar menos/Cidade dos Mortos/No fim de outra estrada perdida/Sinais que apontam pra lugar nenhum/Cidade dos Condenados/Hoje as crianças estão perdidas com rostos sujos/E ninguém parece se importar//Eu não me importo se você não/Eu não me importo se você não/Eu não me importo se vocês não se importam/Eu não me importo se você não/Eu não me importo se você não/Eu não me importo se vocês não se importam/E eu não me importo!/Eu não me importo!/Todos são tão cheios de merda/Paridos e criados por hipócritas/Com os corações reciclados porém nunca salvos/Do berço ao túmulo/Nós somos as crias da paz e da guerra/Da capital da Califórnia ao Oriente Médio/Todos nós somos as histórias e os discípulos do Jesus dos Subúrbios/Nessa terra de faz-de-conta/Que não acredita em mim/Terra de faz-de-conta que não acredita.../E eu não me importo/Eu NÃO me importo!//Minha querida/Você está me escutando?/Eu não me lembro de uma palavra que você me disse.../Nós somos dementes ou eu sou perturbado?/O espaço está entre a insânia e a insegurança/Ah terapia... Preencha meu vácuo, por favor/Será que eu sou retardado ou eu só vivi demais?/Ninguém é perfeito e eu continuo sendo acusado/E por falta de uma boa desculpa/Esse é o meu melhor argumento...//Viver sem respirar é morrer numa tragédia/E correr, fugir/Para encontrar o que você acredita/E eu deixei para trás esse furacão de mentiras infernais/E eu perdi minha fé quanto a essa.../Essa cidade que não existe de verdade/Então eu corri, fui pra longe/Fui para a luz dos masoquistas/E eu deixei para trás esse furacão de mentiras infernais/E eu andei por aqui/Um milhão e uma porcaria de vezes/Mas não dessa vez/Eu não sinto vergonha e não vou me desculpar/Quando não há nenhum lugar que você possa ir/Fugindo da dor/Quando você foi mais uma vítima/Dos contos de outro lar partido.

(A luz no proscênio é apagada. O palco fica completamente escuro. As aparições e os vermes se levantam no escuro e vão embora. O Protagonista continua ali, cabisbaixo até o quase-começo da próxima cena. Enquanto isso a luz do teatro é acesa e cada ator da Platéia fala um dos nomes dos capítulos da Letra de forma aleatória e caótica, se dirigindo ao local da próxima peça ou aos colchetes do palco.)

PLATÉIA: Jesus dos Subúrbios, Cidade dos Condenados, Eu Não Me Importo, Minha Querida, Contos de Outro Lar Partido.

RETRATO DE UM SERTANEJO

Poema under Geraldo Vandré e Oswald Andrade.

RETRATO DE UM SERTANEJO

- Ele é sertanejo
O que você esperava?
(diz a Pátria)

(e eu digo:)
Numa mão trás a fé
E na outra a faca,
A terra nas costas
E a seca nos pés
Com uma trilha gigantesca
De suor e sangue seco
Marcando o caminho por trás

Fazendo assim a trilha dos filhos abandonados
Pelo peito da gloriosa Mãe Gentil
Analfabeta funcional

É fácil ver
Difícil é enxergar

CAOS CÓSMICO

Para celebrar minha atual insônia vamos selecionar a minha atual insânia: (poema under Secos & Molhados)

CAOS CÓSMICO

Um
Circulo
Branco
Em
Rotação
Com
Cascata
Preta

Se
Encaminha
Para
O
Inverso
Do
Universo
Vazio
Cheio
De
Estrelas

sábado, 24 de outubro de 2009

POESIA ALTRUÍSTA

Dispensa comentários. Um poema divertidinho até.

POESIA ALTRUÍSTA

Eu
Eu
Eu
Ele?
...
Eu

Praça XV


Eis... A Praça das Lembranças. A praça dos junkies de sexta feira, dos manos e dos emos. E minha e dos meus amigos. Tantas memórias... Talvez por isso lembranças.



PRAÇA XV


Sento num banco da praça das lembranças
Buscando inspiração e vendo os carros passarem
Matando o tempo matando o tempo esperando meu destino
Nesse dia chuvoso sem chuva que eu escolhi passar sozinho

Cada banco me remete a um significado
E a História está aqui ausente me procurando

Nessa praça suburbana
Entre garotas com celulares
Velhinhas de vermelho
E um banco só

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

SUSSURROS DE UM ROMANCE

Um poema apaixonado de um poeta com o coração-sem-dona. Incrível, será que eu sou hipócrita? Eu não sei.

"Eu sou poeta e não aprendi a amar"

SUSSURROS DE UM ROMANCE

Eu espero o dia inteiro começar só pra receber o seu abraço

Que juntos se fazem um aperto de punhos e mãos trancados
Traçados na digníssima sorte de um amor ser e não ser
E eu já não sei

Minha querida, agora me explique:
O quanto o amor é vermelho
E a vida é cinza?
O quanto nada resta
E as pessoas mudam?

Pode parecer besteira...
Mas talvez eu não consiga dormir hoje de novo por pensar em você
E se um dia eu me perder e perder tudo no fogo
Eu mandarei todo o meu amor embalado em um colar

Então descubra a inexplicável doce-ilusão que germina meus pensamentos
Plantados em nuvem ao invés de algodão

E ainda assim eu amo você por conta do seu nome
Feito soldado marchando para o suicídio
Na minha missão jesuíta
Praticamente sem chances de vitória
Mas ainda de pé enquanto houver

E se fez, então:

- O amor é o que mais amo para você

Você achou e rearranjou meu coração
Justamente para fazê-lo sumir
E reaparecer encostado às suas mãos
Acima dos seus pés

Com cabeça feita e confusa
Talvez até mais que isso
A dúvida de dizer o que deve ser dito
Sem dizer nada que talvez não se queira ouvir

Havia um pôr-do-sol e luzes naquele fim de tarde
Contrário a todos os outros

E se sente os corações baterem em compasso
Enquanto ambos gritavam grudados sussurrando em uníssono:

- Torne os meus lábios os seus

É amando que se aprende:
Somos o que somos sem ganhar nada em troca além de você e eu

Não passou de sonho a bela tarde pôr-do-sol
Onde pude acordar com aquela breve sensação de talvez verdade:
Gostinho de chocolate na boca e no peito

Os sóis que um dia puderam me cegar e me fazer ver
Pregaram uma peça no escuro
Mas ainda posso te encontrar nas tardes comuns vazias de sempre

- Leve com você o meu coração de ametista num colar

Ele é só seu

Eu espero o dia todo terminar só pra sentir o seu abraço
E espero que um dia eu o possua de verdade:
Hoje mesmo eu estava vendo uma foto sua

sábado, 17 de outubro de 2009

ÉDITO HUMANO

Poema apocalíptico que faz um retrato do agora ou do amanhã.

ÉDITO HUMANO

Rubro
O chão estava revestido de cinza e penas negras

Veio o lampejo de relâmpago
Então o trovão e a chuva
Chovia sujeira

Não se via horizonte
Havia apenas o preto moderno e vazio
E um Cristo jogado e rasgado no chão
Pregado – obviamente – em sua cruz
Condenado

Chorava sangue e sangrava choro
Profeticamente
Bradava o apocalipse sem argumento:
A tormenta

Só que dessa vez
Arrependido porque ele não queria lutar

Não havia lobo
Era o homem do homem

terça-feira, 13 de outubro de 2009

POMBA RUBRA

Eis um poema meu que eu gosto bastante: o da Pomba Rubra. O poema pode ser interpretado - como sempre - de diversas formas, mas aqui eu transformo o símbolo da Pomba, a alegoria da paz, no avatar do da guerra. Divertido? Sim. Pra caramba, por isso que eu gosto. Eu adoro misturar coisa séria com piada irônica. Tirar sarro capricorniano com tudo. Eis, também, o meu Rebelde-sem-Causa. O atual namorado da QualquerNome curtiu o poema. Achou que lembrava a primeira fase dos Titãs. Nunca gostei de Titãs, mas eu gostei do elogio/comparação. Ei-lo:

POMBA RUBRA

Prrr...!

Eu sou uma pomba-correio que traz uma bomba!
Incendeio o nosso céu de faz-de-conta
Não vou à igreja de domingo
E confirmo a insônia dos sem-sono com minha metralhadora
Não me chamem de ovelha negra e sim de afro-descendente
Porque eu sou a semente dos descontentes
E essa gente repugnante
Não passa de sopa p'ros sem dente

Prrr...!

Eu sou uma bomba-correio que traz uma pomba!
Enfeio o nosso céu feito de cinza e sombra
Essa conduta não passa de desculpa
Pros filhos da luta que agem sem pensar
E ao invés de detalhe na pintura de Serafim
Sou porta-voz do meu parceiro Bakunin
E mesmo assim meu codinome é Osama Bin
Laden Tro-tro-tro-tro!

Prrr...!

Depois das Torres o cheque-mate está por vir
Daqui a pouco eu tiro o Rei desse xadrez pra pôr em outro
E atiro na Rainha quando ela pedir socorro
E eu só me faço contente quando destruo o que há em frente
E estridente escondo fraudes com patente
Porque sou filho de um frade com a Serpente!
Não acredito no diabo e em acidentes
E em caso de dúvida
Meu grande amigo Nero confirma que sou ardente!

Prrr...!

Carrego a carta-natal do universo até o Juízo Final
E também faço do inverso o prejuízo racional
Eu engulo carne crua com tutano cobrindo corpos com meu pano
E se eu sou branco é porque sou ariano!
Sou uma das várias foices das faces da morte
Porque sempre recorreram a mim para resolver disputas egoístas
E há quem diga que eu e Ares somos um só
Mas outros ainda teimam que eu não passo de uma pomba

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A HEMATITA E O ANEL

A HEMATITA E O ANEL

Eu me apresentei e lutei por glória
E me entreguei sem esperar nada em troca
Minha mão protetora
Ferramenta de trabalho
Ensaio que enfeia e enfeita meu orgulho
Absurdo que veio a tona junto com a insônia
Defunto que se protegia com uma lágrima
Se prestigia, ao fundo, com seu único bem:
Uma máscara
Sem sal nem açúcar
Foi escutar a cegueira
Como palhaços de cristal
Que dançam feito o ritmo da ventania
E o vendaval
Girando em torno de mim
Com gosto ruim de enjôo amargo de poluição
E a criança que se desfez
Se remontou outra vez
No altar do sorriso infeliz
Na decadência
E apesar de outrora feliz
O sonho acabou cedo demais

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Eu Sou o que Eu Sou


A MANSÃO DE DEUS

Nada a declarar:

A MANSÃO DE DEUS

Estou cansado de escrever sempre sobre o mesmo vazio:
-Até quando vai essa solidão?
Até minha morte chegar por eu ser covarde!
-Até quando vai essa solidão?
Até eu decidir explodi-la em mim como uma dinamite!
-Até quando vai essa solidão?
Até ela consumir minhas entranhas de vez!

Sou sempre eu quem ajuda os outros
Sou sempre eu quem sofre sozinho
Sou sempre eu quem é abandonado depois de dar carinho
Sou sempre eu quem é a alavanca descartável do foguete
Sou eu quem tem o maior peso nas costas
Sou eu até que seja apagado para sempre
Sou eu quem tem os olhos opacos
E sou eu quem desiste no fim

Ninguém está aqui para me ajudar agora
Ninguém está aqui para tapar os meus buracos
Ninguém está aqui para reerguer meu Castelo de areia
E ninguém estará
Até que eu transborde uma lágrima do meu rosto em público
E os que virão estarão do meu lado unicamente para lavar a alma ou acalmar a consciência
Da mesma forma que se dá esmola aos mendigos
Até a consciência ser calada e a alma ter a ilusão de estar satisfeita

Eu estou no outono da minha sina
E o meu coração de vidro se congelou por entre meu sangue quente
Dentro de mim e em minhas mãos
E não há ninguém para descongelar meu coração com calor humano
E ninguém quer
E se estou vivo o que você enxerga é minha carcaça
Porque minha alma está enterrada em coma
E eu duvido que um dia acorde

Não há ninguém para me tirar da areia-movediça

A lua nova é o sinal de minha partida
E haverá outra lua para tomar o meu lugar
E as lembranças fazem a tempestade manchar
O que mancha meu coração de vidro em azul-escuro
“A nossa casa será azul!"
“E quem volta sozinho para casa sou eu”

Sou eu o que eu sou