terça-feira, 22 de setembro de 2009

SOLIDÃO COLETIVA

Bem... Como hoje eu postei um texto que fala pouco sobre mim, vou compensar postando aqui uma das minhas obras primas de poesia. Prometo evitar esses tipos de postagem-artigo das proximas vezes. Porque, afinal, ninguém vêm aqui ler esse tipo de coisa.

SOLIDÃO COLETIVA

Uma Lágrima de Passado
Acabou de percorrer minha face
Como se saísse de meus olhos uma lampreia
Mas ainda havia a luz que se fez
Como se fosse a luz da madrugada:
Feito canções de ilusão
Que já se foram cortadas

-Como se eu preenchesse você.

Exato
Como se me preenchesse
E quando olho em minha volta, percebo:
A luz amarela, a que cega, sempre foi a minha única companhia

-Sorria, o círculo verde não é tão lento assim.

Mentira!
Havia cor e latas de estanho

-Sinta a solidão. O veneno e a solidão. O veneno e a televisão.
Sinta a solidão. O remorso da solidão. O remorso do falso perdão.
Sinta a solidão. O socorro da solidão. O socorro da sua ilusão.

Todos estão lá fora
Se divertindo sem mim
E eu sou o único que está aqui
Trancado
Porém, tão só quanto eles.

-Eu sei.

"Eu sei", você diz?

-Sim, eu sei. Só há suicídios coletivos porque todos se sentem muitos sozinhos.

Sós coletivos,
Uma contradição em termos...

-Você tem plena consciência de que eu não estou com você agora de verdade. Você sabe, não é?

Só os meus olhos que não enxergam
E minhas orelhas que não escutam
Podem dizer o que eu estou sentindo agora...
Talvez até o exato momento

-Nessa semana não haverá Sábado, sabia?

Sabia...
Mas meus olhos já estão ardendo agora
E eu quero ou preciso dormir, tanto faz...

-Então me esqueça.

Você promete que só me acorda quando esse mês terminar, por favor?

-Eu não sei do que está falando.

Mas eu sei
E é isso que importa agora...
Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro...
E aí começa tudo de novo
Só mudam o calendário, as estações, os cabelos e a TV a cores

-É verdade

Sua cor quase me cegou, sabia?

-Foi de tanto que você olhou pra mim. Ninguém mandou.

Sim. Foi por isso mesmo.

-Eu faço mal a você?

Você é uma boa companhia,
Não me leve a mal...
Mas, eu fico louco
Quando descubro que você não é de verdade...
Até que ponto você é real?

-Oh...! Sinto muito... Não foi por mal. Eu não queria te machucar. Desculpe-me, por favor.

Você jura?

-Juro.

Está bem. Se você diz, eu acredito.

-Mas eu sou mentirosa, lembra?

Lembro...
Mas com os outros, talvez
Não comigo
Pode ser?

-Pode.

Então está bom

-Me beija

Não...
Eu não posso
Você não é só um sonho
Mas também não é de verdade...

Essas coisas imaginárias...
Nunca me fazem feliz e nunca se fazem reais...

Por que eu sonho se no final eu vou acordar?
Nada acontece nos sonhos
É tudo tão nulo...
Em vão, tão vazio.

-Mas até que ponto você é real, ou você existe "de verdade"?

Eu não sei
E prefiro não perder meu tempo pensando nessas coisas

-Até que ponto você considera algo "nulo, em vão e vazio"?

Eu também não sei...
Só que eu vou morrer cedo
Então eu quero prestar para alguma coisa antes
Que a morte me pesque ou me escolha

-Até que ponto sua opinião ou seu ponto de vista valem ou alteram alguma coisa?

Isso não faz diferença para mim

-É... Também não responde a minha pergunta.

E eu não tenho outra opção
Não é mesmo?
É como se eu espremesse uma espinha
Que mijasse pus até sangrar...
E sangrar feio!

-Ai, credo. Não fala assim...

Tudo bem...
Não falo mais, Tudo bem?
T-tudo bem?

Onde está você?
Eu estou cego ou só, novamente?
Sua falta faz falta...
Por que você foi embora?

...

Não houve respostas
Nunca mais

A luz que ardia meus olhos finalmente se apagou
No instante em que eu vesti minha forca e me despi da minha vida
Ainda que eu tenha colocado muito tarde meu pijama...

Boa noite
Ou se preferir...
Adeus.

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