terça-feira, 29 de setembro de 2009

Ensaio Sobre a Morte

Hoje eu fui a aula de teatro do Municipal. Não fiz prarticamente nada, porque houve ensaio com outras pessoas. Mas foi positivo. Para passar o tempo, Eu e a L** começamos a conversar. Ela faz um papel bem interessante na peça: a Morte - e por piada interna - ela começou a conversar comigo como se fosse uma morte fumante.

Fui eu mesmo. Com minhas dúvidas, pesadelos, ironia e certeza. A L**, inteligente como é - claro, agiu como aquela morte agiria. Respondeu como se ela respondesse. Essa noite foi o meu delírio de conversa com a Morte.

Delicioso e acusado de inútil por alguns, essa pequena brincadeira foi muito significativa para mim. Meu bate-papo frente ao que todo ser humano teme: um chá das cinco com a morte. Que piada. Mas pelo menos me serviu para reflexão. Muito obrigado, L**.

Mais tarde meus avós me buscaram no teatro e, o tema abordado por conversa no carro, por coincidência do destino, foi a própria: minha nova amiguinha.

Há pouco um amigo meu falesceu. Sexta-feira. Vítima de complicações decorrentes de meningite. Morte horrível, dizem alguns. Mas o negócio é manter a imagem dele vivo em mente.

Eu nunca aceitei a morte. Pelo fato em sí, quando alguma pessoa querida some da minha vida é como se ela estivesse somente viajando. Viajando para sempre.

Não adianta nem nunca adiantará. A morte não existe para mim. E quando eu morrer, por favor, não comparessam ao meu enterro. Este é um maldito costume inventado pela cultura inútil, onde a morte deve ser encarada como um ato sofrível pior do que já é.

E escrevam no meu túmulo: "Jaz aqui o Protagonista dos Subúrbios/A Hiena Solitária/O Rebelde-sem-Causa/O Mártir do Coração Partido".

E não, eu não idolatro a morte. Mas eu possuo minhas pequenas paranóias.

Achem-me estranho se quiserem. Eu não me importo e tanto faz. E minha fama? Pior não fica.

O fato, é que deve ser um vazio.

Acordem para a vida enquanto há tempo. Nunca se sabe quando pode ser sua hora.

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