quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Department of Correct


Poesia secreta, postada aqui.












PRAZER SUICIDA

Ele sentiu a face da noite
Como se sentisse o que fossem versos soltos ressonando sobre o timbre do papel
E nada dizia:

- Só me representava

O silêncio fez barulho com o bater do portão
E se o tempo passava
Também se fazia com os ponteiros do relógio

Tudo rodava em volta
E era uma representação do gelado:
A cabeça formigava

Tentava escrever, mas se lembrava de sonhos bons:
A insânia dominava
Os seus demônios apareciam a todo o momento
Porém havia um que se destacava:
Esse seu demônio só aparecia de noite quando o mundo terminava
E o devorava
Ano após ano

Até que ele evoluiu
E continuava:
dia após dia

- Eu preciso ir ao médico, mas me falta coragem

Quanto tempo de vida o sobrava?
Não se sabe
Ele pensa que haverá vida até dois anos com sorte
Mas se lamenta:

- Já não bastava o velho em mim?

Ele sorria de desespero
E as artérias dos olhos faziam a imagem pulsar
Compassada com o coração
E era amarelo,
Distorcido:

- Eu não reverencio a morte.

Não era escravo da morte
E sim da arte
Por mais que a falta de sorte o perseguisse
Ele andava vazio
Mas havia uma recompensa ao fim do dia:
Seu prazer suicida
Talvez solitário
Mas era segredo:

- Hoje não, devo ser forte...

Ele se corrói enquanto foge
Não deveria ser assim
Mas agora já passou do ponto
É tarde demais
Havia até sangue entre os intestinos
E solitário, bradava a noite:

- Não entendo a razão de isso estar acontecendo...
Por que justo comigo?

Seria impossível tanta falta de sorte e azar concentrados
Mas havia só para ele:
O azarado mais sortudo do mundo

Era o virgem com mais experiência sexual que já existiu

Seu pesadelo não o deixava dormir em paz
Porém sabia:
Não valia a pena se preocupar
Seria pego de qualquer forma
Só queria driblar a morte vazia
E aproveitar o seu prazer suicida
E pensou:

- Vou escrever uma carta para cada pessoa amada antes de eu morrer

Assim
Ele seria imortal

Não se sabe o fim dessa tragédia
Por mais que se possa imaginar a histeria
A única certeza é que o louco que aqui se descreve
É o louco que aqui se escreve

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