terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Shows que eu fui em 2009

- Os Paralamas do Sucesso
- Frejat
- Violeta de Outono
- Blues Etílicos & Blues The Ville (juntos)
- Cachorro Grande
- Marcelo Camelo
- Arnaldo Antunes
- Jupiter Maçã
- Cidadão Instigado
- Vanessa da Mata
- Beatles One

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

POEMA DE MIM ( INDIVÍDUO EM CASCATA )

O "P********" Que se encontra alí é uma alusão ao meu sobrenome. Que eu - pelo menos não pretendo - divulgá-lo aqui tão cedo.

:)

Poema pequenininho e inexpressivo, porém interessante e instigante.

No fim eu quis dizer que eu era nada e hoje sou nada no meio de vários outros nada.

Na verdade, Pseudo-poesia.

É isso:

--

POEMA DE MIM ( INDIVÍDUO EM CASCATA )

Eu era nada e hoje sou
Terráquio
Americano
Brasileiro
Paulista
Sãocarlense
"Delavour"
Lucas

Ponto e pronto
Pronto e ponto

sábado, 5 de dezembro de 2009

REDENÇÃO


É como se eu fizesse uma coucha de retalhos da minha chaga e a admitisse publicamente:

REDENÇÃO

O cheiro das flores me surpreende às vezes
É como se eu rasgasse a desolação do meu armário
Só porque a água se escorreu entre minhas mãos

Há tempos deixaram de me dizer que o maior destino era o meu
Eu não sou mais o protagonista
A união se mostra em caminhos opostos
E essa é a nossa jovem Veneza que espera se afogar devagar:
A luz escura na escuridão clara

Minha tristeza inconsciente é um parasita que percorre minha alma
Porque eu nasci na missão de ser verbo de ligação:
Há pouco houve um blecaute e eu não enxergo mais nada

Eu sou um guarda-chuva num dia úmido de sol ardente
Encostado na parede do vizinho:
Enquanto ele constrói a própria casa
Eu faço sombra
Imóvel
Fechado
Aguardando a tempestade se formar
Só para haver motivo para eu me enferrujar

Feito chuva de verão
Não existe mais noção de tempo em mim
Só existem aqui dentro três quartos de janela aberta
E um quarto fechado:

- A Primavera dos Povos não passa de um quadro

Pegue um pedaço do seu universo não perecível inabalável e me diga:
Prefere que eu tenha voz de criança ou uma faca de dois gumes?

O ano que acabou de começar finalmente acabou
Como se eu tornasse obstáculo a alegria que hoje é chaga

Depois da depressão só sobrou mais tempo:
Um ano para mim, agora, possui dois meses

Um pedaço de recheio meio-tempo

Há o perigo
E feito ar, o tempo-atrito corre
E quando a insônia faz a realidade vir a tona, eu repito:

- Bla, Bla, Bla e “O Inverno” se foi...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

GENTE GRANDE / INUTILIDADES


Letra da minha primeira geração como letrista.

Ela é interessante, apesar de nem se comparar à minha segunda geração como letrista ou à minha carreira como poeta. Gosto bastante dessa letra. Ela fala sobre a obsessão em relação à segurança e o quanto as pessoas acabam por perder a sanidade em relação a ela.

É uma conversa do eu-lírico com um ouvinte qualquer, até que o ouvinte percebe o quanto o eu-lírico é anormal.


GENTE GRANDE/INUTILIDADES

Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu ando pelos subúrbios
Em dias escuros
E em dias fechados
Eu deito e durmo
E fujo do mundo

Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu tranco a porta
E fecho o portão
Por ter medo de assassinos
Com armas na mão

Eu tenho medo de gente
Eu corro do submundo
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Minha vida é um túnel fechado
Com pouco asfalto
E é muito escuro
Eu vejo sapatos pulando o muro
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Mas sempre acaba

Inutilidades tomam conta da gente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente

E agora vejo muros fechados,
Casas raladas,
E sapatos falantes

Eu deito e durmo eternamente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente

Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
E a gente acorda num buraco
Onde sapatos falantes carregam seus pés

Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente
Eu nado contra a corrente
Contra o destino da gente

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

MÃE GENTIL


Poema forte.
MÃE GENTIL

Virgem Maria negra
Iracema vestida de sol
Retrato triste do agreste tropical da morte vida

Havia em seu ventre um menino morto

Virgem Maria se vendia e dançava:
O tempo não se escorria pelos dedos
Os dedos se escorriam pelo tempo

O aborto se dava na favela

A virgem exalava o cio do carnaval
Cortesã proletária da indústria Fome Filho
Rita Baiana de Jerusalém
Sem motivo para comemorar o natal
Uma vez que só havia a fé, os pregos e a estaca

Não havia messias

O comodismo imperava e a seca estava longe
Não havia fome nos campos de corte de cana:
Existiam orações

Padres pregavam a fé na cruz
Santos cuspiam no relento
Santos coisa alguma

A terra ardia pela fogueira de São João
Sendo o ventre do Planalto Central a salvação
No vácuo do ventre da virgem acolhedora
Sem ventre, sem virgem, vazia

O sacrifício se faz por conta da mãe:
O cordeiro mais puro foi oferecido
Para a salvação da inumanidade

Dos olhos da bandeira se escorria uma lágrima

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

CONVERSA COM O PSICANALISTA DENTRO DE SÍ

"Poeminha" bem modernista ao estilo de Oswald Andrade. Eu acho engraçado.

CONVERSA COM O AUTO-PSICANALISTA DENTRO DE SÍ

- Então, o que o senhor procura num relacionamento auto-destrutivo como este?

- Auto-satisfação...?

- Exato...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O PLANTADOR


Letra extremamente significativa para mim. Foda.

O PLANTADOR - GERALDO VANDRÉ

Quanto mais eu ando, mais vejo estrada
E se não caminho não sou nada
Se tenho a poeira como companheira
Faço da poeira o meu camarada

O dono quer ver a terra plantada
Diz de mim que vou pela grande estrada
Deixem-no morrer: não lhe dêem água
Que ele é preguiçoso e não planta nada

Eu que planto tudo e não tenho nada
Ouço tudo e calo na caminhada
Deixem que ele diga que eu sou preguiçoso
Mas não planto em tempo que é de queimada

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

MINHA POÉTICA DO CONTRÁRIO(que beleza...)


MINHA POÉTICA DO CONTRÁRIO

Que o vermelho me devore e faça a chuva cair
Que o cinza escoe suas cores no papel
Que o azul centelhe a fumaça serpenteante do fogo
Que o verde se faça e subjugue o que é verde
Que o amarelo me venha e disfarce a tristeza
Que o preto me engula e me faça viver em paz
Que o marrom entregue em minha casa toda a sorte existente
Que o branco me escureça e faça cair um raio sobre a minha cabeça
Que o anil procure um nome melhor e me aqueça
Que o roxo me divirta ao me mostrar o que é compaixão
Que o rosa se mostre e faça todo o desgosto de ser
Que o laranja exploda num mar frio em degelo

Então que as cores se mesclem e se transformem em mim
E que sejam quebradas as dissimulações ortodoxas
Em manifestos contra-comodistas, em lampejos de desprazer e verniz de novidade
Conquanto existam de forma engraçada, séria, despojada, e conservadora no sentido de não ser ridícula
Fazendo com que a forma seja destruída e que se restrinjam suas fórmulas às canções

Enquanto o que é rebuscado glorifica o túmulo em sua época bem longe

Que se apresente o museu de novidades
Que se apresente o abismo obscuro da incerteza modernista moderna
Que se abram os portões do mosaico da arte

Que se abra e se feche em mim todas as possibilidades de vitória ou derrota
Que se abra e ou se feche em mim todas as possibilidades

Eu sou o colapso século vinte-e-um
E eu vou terminar com ele

1984 - George Orwell





sábado, 21 de novembro de 2009

ROSAS E ESPINHOS


ROSAS E ESPINHOS
(Lucas P. “Delavour”/ Marina P./ Daniel Nacrur)

A rainha do drama está solta outra vez
Enquanto eu sou anjo caído banido do paraíso
Sem motivo

Se o escarlate, o carmim, o rubro e o vermelho
Mostram várias faces de mim frente ao espelho
Então que o espelho me ensine quem sou

O nosso mar de rosas tem espinhos
Mas nada vai atravessar nosso caminho

O ano que acabou de começar já passou da metade
E o meu orgulho já não é mais vaidade
Agora é estupidez

Eu sou o vazio do infinito
Restrito ao pequeno universo do meu quarto:
- Para que eu sonho se no final eu acordo?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

AS MÚSICAS DA NOVA ANTEMETADE DO SÉCULO


No momento estou viciado na musica "Misery Business" da banda Paramore. Assim... A banda não me chamou muito a atenção, mas além dessa, outra música que eu gostei bastante foi "That's What You Get".


Ah, sei lá... Eu também tenho certo pre-pré-conceito. Mas perceba: Todos os discos possuem pouquíssimas faixas - a banda possui três - com discos que possuem pouco mais de meia hora de reprodução cada. Todas as faixas variam de tempo entre 3min, 3min30seg e 4min e pouco. Não tem nada arriscado de 7min, nenhum "Faroeste Caboclo", nenhum "Jesus Of Suburbia". Nenhuma vinheta ou faixa com pouco menos de 3min. Nenhum "Preto Velho" ou "Song Of The Century". As faixas também são muito parecidas entre sí. Não sei se falta digerir as músicas, mas de primeira impressão, o que me passou, foi que as músicas deles são muito parecidas. Menos as já citadas e "CrushCrushCrush".


O terceiro disco deles não me pareceu muito diferente - esteticamente - do primeiro. Músicas parecidas e blah-blah-blah. O segundo disco, para mim, é o destaque. A primeira faixa, que possui um título instigante não me atingiu como deveria, mas é um título perfeito. Qualquer dia eu plagio (XD). O título é "For A Pessimist, I'm Pretty Optimistic". Foda, né? Sim é. O título do segundo disco - em sí, também - já chama a atenção - e é uma das minhas palavras favoritas em inglês - e é "Riot!". Em português, "Protesto!".


Mesmo assim, eles possuem várias rimas com palavras repetidas e aquela estética da nova geração emo, emo-hardcore, emo-anos 80 e metal-emo (oi Dukes!) que é aquela fórmula sonética para fazer música: põe o começo, um refrão, uma outra parte com a mesma estética do começo, refrão, bridge/pseudo refrão, refrão, estética do começo/variação, refrão, refrão e acaba. Ah sim... Eu me esqueci dos solos.


E essa é a nova geração. Ao invés de criticar, deve-se pegar o que há de bom nela e jogar o que há de ruim fora. Porque, além de estarmos vivendo o "Colapso do Século Vinte e Um" em pleno começo de século, essa é a era estática da saturação de informação.


Mas Green Day salva.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Armadilha - Finis Africae


"Você me fez cair outra vez na minha armadilha".

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

E MEUS CAMARADAS DISSERAM: “VALEU A EXPERIÊNCIA”




E MEUS CAMARADAS DISSERAM: “VALEU A EXPERIÊNCIA”

Quando eu a enxerguei
Algo dentro de mim parecia gritar
Sentia-me como se estivesse numa cadeira elétrica em plena execução:

- AAAAaaaargh!

Sou apaixonado por malícia no olhar
É tão bonito quanto parece
Mas falta-lhe auto-estima:
Coisa que eu posso resolver

Naquela festa o arrependimento rasgou minha pele,
Entrou pelo rasgo,
Costurou-o de volta
E ficou por ali
Sufocando meu diafragma entre a minha caixa torácica

Ciência não servia para um momento desses, afinal:
Era uma festa

Fiz do álcool meu ópio
E em vão não encarnei o meu escape:
Meu sangue ascendente não permitiria produzir cadente efeito

Um condor sugava a flor do beija-flor

Dançavam com ela
Recebi o convite para cheirá-la
Mas me faltava coragem
Posterguei o convite, então

Finquei e prendi meus dedos contra minha palma:
Sinal de nervosismo
E minhas mãos ainda detêm marcas de minha unha

Condenei-me dançando sem parar

É necessário conciliar deserto e rio
Mas dessa vez eu estou perdido demais
Hoje de noite no meu hoje eu estarei no chão
Desembriagado sem ao menos ficá-lo
Por falta de iniciativa

E eu me compactuei:

- Essa noite vai me render um poema...

E rendeu.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ANTIPATRIOTISMO

A SOMBRA E O ESPELHO

A SOMBRA E O ESPELHO

Hoje eu sou uma sombra do que fui
Tentando viver o que sobrou dos meus dias de glória
E eu nem sei contar as mesmas histórias
As mesmas histórias de sempre
Que já não soam como antes soavam

Hoje eu sou só uma sombra do que fui
Tentando reviver o que sobrou dos meus dias de glória
Refazendo o penteado que eu gostava há alguns anos atrás
E sorrio pelo tempo que se mantém
Mas quando ele seca, não fica como antes

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

MELODIA SILÊNCIOSA

Eu só entrego essa poesia para uma menina se eu REALMENTE estiver apaixonado por ela. Tem muito valor para mim.
.
MELODIA SILENCIOSA

Eu amo você desde a primeira vez que a vi

E eu te amo mesmo sem te conhecer
E que se danem aqueles que não acreditam em paixão à primeira vista
Eu acredito e é isso que importa

Eu amo você

Você é a pessoa que fez do meu coração um apanhado de rosas vermelhas
E você tem o rosto de quem é especial
Onde eu só queria ter a chance de te conhecer de verdade
E possuir essa chance

Eu amo você

E é nesse gesto que eu me entrego
Porque o que está no fundo dos olhos é o que importa
E é o que eu enxergo no fundo dos meus olhos castanhos
Ao fundo dos seus olhos azuis:

Pegue uma flor do chão

NOSTALGIA OCA

Poema feito enquanto eu ainda estava na vybe Mímica numa madrugada perturbada. Eu costumo lavar a louça de madrugada. É meio trash ás vezes mas é legal.

NOSTALGIA OCA

Por quase um segundo eu achei
Que havia perdido minhas chaves novamente
Ao lado de minha integridade

Há pouco eu briguei com minha mãe

Eu não entendo como alguém pode querer lavar um copo
Depois de ter bebido água nele
Afinal
A água é a mesma
E a do filtro é até mais limpa que a da torneira

Caso o problema seja o nojo
É só guardar o copo para si
E usá-lo quando desejar com carinho

Hoje eu lavei a louça e quebrei um copo

Ontem eu dormi tarde
E hoje vou dormir tarde outra vez
Nos meus cobertores que tardam a esquentar
Mesmo que esse seja o meu único escape

As pessoas lavam copos d’água com água
E vão continuar lavando
E por mais que eu não faça a mínima diferença:
A caneta está na minha boca

A QUÍMICA DO PAÍS

A primeira "coisa" - eu odeio a palavra coisa - que eu escrevi. Se bobiar antes mesmo de letras de música. É uma piada despojada, mas é divertidinho até... Possui quebra de expectativas.

=)

A QUÍMICA DO PAÍS

Metil
Etil
Propil
Butil
Pentil
Funil...
Brasil?
Puta que pariu!

QUE TÍTULO VOCÊ ACHA QUE ESSA PORCARIA MERECE?

Eu adoro esses meus títulos alternativos para poesias. Por mais que eu tenha dito que eu odeio criar títulos para elas. Hehe...

QUE TÍTULO VOCÊ ACHA QUE ESSA PORCARIA MERECE?

Eu não estou com a mínima vontade de escrever agora...
E aí vão mais versos sinceros:
Eu estou com vontade de ser eu hoje
Pena que já é quase meia-noite

É incrível como há de se juntar desastres
Com minhas mazelas feridas ardidas

A oportunidade que se esguia se faz tão longe...
Nem parece se avistar pelo cansaço
E nem sabe brincar de perdão

A Lua se aproximou de mim agora
E enquanto parecia crescer
Eu estava lá fora

Aqui dentro é tão gelado e tão vazio
Que de impressionante
O vento da madrugada me aquece
Quando se há de ser poema de novela
Que só não brinda por haver cálice de boca virada para baixo

Quando se está acostumado a viver no inferno
O redor não é tão dolorido assim

E eu vôo e prometo:
Ainda hoje eu arrumo meu quarto

E, ás vezes, só por um segundo
Eu desejo ser como os outros:
desejando um bom perfil,
olhos desfadigados
e não ter o amarelo dos meus dentes

FIM

Detalhe no ponto final ao fim do poema. :B

FIM

Força...
A violência me deixou de lado.

Fez de mim um escravo sem dono
Escravo de mim
Ou do que eu fui
E fiz fazer
Pétalas de coração de cerejeira
Tão clichê
E tão vazio...

Vento...
Me empurrou pra longe.

Hoje estou mudo com uma forca na cabeça
Sim, na cabeça!
No meu pescoço,
Há uma gravata borboleta
Que eu ganhei de uma amiga.

Trovão...
Assustou-me na noite de chuva.

Mentira,
Porque eu não tenho medo do escuro
Só do final
Então
Façamos sua chegada provisória mais rápida
Que chegue e me acerte como um ponto final

.

"SUOR"

Odeio esse meu poema. Mas só pra dizer que eu o registrei em algum lugar:

“SUOR”

Como uma rosa virgem
O pecado emudeceu seu rosto
Sem uma espécie sequer
Ninguém viu seu desabrochar

Desabrochar de lótus
A perda da inocência
Entra a cor e a dor do sangue
Há os espinhos que se enterram

A flor que se solta devagar
Não se arrepende de não ver os espinhos
Na libido ingênua e inconseqüente do momento

O anseio rompeu seu lacre
Enquanto observava o sangue cair leve
Delicadamente os espinhos se encontravam

O sacrifício por prazer

Surgiu então a dor, o sangue e o momento
Enquanto a flor desabrochou e o broto se desfez

A flor masoquista
A flor que reinventou o amor
A flor que tinha a dor à vista
A flor que desafiou o calor

JOI DE VIVRE


Letra feita em parceria com o meu amigo D***** N. Gigantesca e rebuscada, mas legal.


JOI DE VIVRE

(Daniel Nacrur, Lucas P. “Delavour”)

I – CONTOS DE UM CORAÇÃO DE VIDRO

A música ambiente é o medo do silêncio
E o barulho é a voz que não tem o que dizer
A fala é o porta-estandarte da palavra
E o sussurro é a música da escuridão
A batida é a bateria natural do coração

Nosso espírito é um corpo parido em dois
Vagamos como metades que não se encaixam
Estou farto do seu joi de vivre
Que toda a sua sabedoria te sufoque

A paz que se implora se equilibra na linha tênue
Que nos isola em toda insânia e caos
Seu corpo alimenta minha alma
Seu cheiro são caminhos escritos no ar

Mas se as cortinas se fecham e nos encerram
Não somos você e eu nesse palco escuro?
Recuso o convite
Esse teatro não perdoa erros de cenas não fictícias
Seu vício alimenta toda a dor

II – Epopéia de Um Só

O livro é a partitura das palavras
E a escrita é a voz que impera no silêncio
A sorte é a constante atribuída aos que a chantageiam
E o eclipse é o cume da indecisão
A bateria é a bateria natural do coração

Eu procuro alguém nesse mar-de-areia
Será que ela ainda está aí?
O vento leva a correnteza para longe
Perto de alguém

Imagem vale mil palavras completas de doce
Flores dormem no canteiro
Onde está a beleza?
Ache-a para mim, por favor.

Há um canteiro enorme à frente
Onde há a terra, a treva e o espantalho
E eu já não ligo para sua besteira feita
Para suas palavras feitas
E para seu corpo feito
Feito o despeito perfeito de uma perfídia qualquer
Em dia dissipando seu arranhão de má sorte
Seguindo um porte de perdão
Esperando a noite recolhida
O tempo da colheita e do estirão
Fugindo do padrão do tempo e da espera
Uma vez que a terra é deserta também
Sem sua escolha certa
A sua meta é a areia
Em sua epopéia de um só


III – INVERSÃO DISPERÇA

O branco é o casamento de todas as cores
E o preto é a sua inevitável separação
A solidão é o preto dos homens
E para eles o branco não existe
A batida é a bateria natural do coração

A maldição do fim-do-século já está presente
Como um padre ausente jogando cartas com um anjo caído
Nossa tendência sempre faz o proibido
Que nos faz provar do gosto do improvável
Porque nascemos de um corte nos pulsos de um deus
Em meio a uma guerra santa envolta a um espelho

O real é surreal
E o irreal se apresenta de pé
Passando a fé de forma vazia e incorreta
Para uma massa disforme figurada
Nos moldes de um cubo salvador

IV – CORAÇÕES DE VIDRO NUNCA BATEM

O ódio é a solidão causada pelo amor errado
E o amor é o ódio sedutor de outro lado
O vidro é criado a partir de sangue moído
E a raiva é o fruto do desejo proibido
A batida é a bateria natural do coração

Por trás de todo canalha há um romântico em coma
Que desenha sua chegada ao pó em um sertão de tinta
Feito uma marcha militar com um mártir num altar
Em uníssono correndo para um abismo sem instrução
Com o cinismo de uma cena sem emoção

Há as cortinas que se fecham
E esse é o fim do espetáculo
E o que resta?
É a escuridão

POESIA DE VIDRO BILATERAL

"Quem não tem teto de vidro
Que atire a primeira pedra"

POESIA DE VIDRO BILATERAL

Vidro Vidro Vidro Vidro Pedra
Vidro Vidro Vidro Pedra Caco
Vidro Vidro Pedra Caco Caco
Vidro Pedra Caco Caco Caco
Pedra Caco Caco Caco Caco

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

FALSIFORME

E sim, o "S" é proposital. Não é com "C"
É um dos raros casos - assim como a Balança da V&M - que era para ser uma letra e acabou virando poema. Gosto bastante dela. =)

Possui trecho de "Dom Casmurro" do Machado de Assis em aspas.

FALSIFORME

A seriedade das trevas
É envolta por grande paixão
Com cacos de amor
E estilhaços de esperança

Quando as sete cores do arco-íris
São preto, branco e cinza
Existir não parece ser tão claro
Como claro já se foi

Quando os mesmo truques de amor já não seduzem
É porque o comodismo já se instalou
E a ilusão não está mais presente
Como um dia já esteve

Não há mais quadros na sala de estar
Nem mais carros na rua
Não há mais ninguém ali

Você só vê a sombra de uma abominação velha
Uma velha abominação que arde devagar
Dizendo que o sol um dia queimou
Seu coração sem amanhã

Falta do que fazer pode matar
E alguns costumes também

Voltemos às origens:
A luz que criou sombra jaz num asilo:
“A terra lhes seja leve
Vamos à história dos subúrbios”

Amor em Corrente - 2007




O que você enxerga aqui?
Daqui um tempo eu revelo o que é que eu desenhei.
=)

LEMBRANÇA ACOMPANHADA

Feito embaixo do apartamento do meu amigo depois de um conselho dele. Valeu a noite L****.

LEMBRANÇA ACOMPANHADA

Eu sabia desse mal
Obrigado
De vez em quando essa textura machuca

Descobri que a vida é mais que um olhar
E que não é para me preocupar tanto com isso,
Nosso trabalho dá a esperança

E isso tudo vai passar
Mesmo assim me tira a preocupação
Mas é bom comentar
De um abraço

O RELEVADOR

O RELEVADOR

Ele
Leva
A
Dor

Ele
Eleva
A
Dor

O
Relevado

O
Relevador

ESTÓRIA URBANA ENTRE ESCOMBROS

Poesia sobre a sujeira das cidades.
Finalizando com uma confissão, porque eu vivo à moda mista entre o vagabundo e o artista.

XD

ESTÓRIA URBANA ENTRE ESCOMBROS

Atravessei a avenida paulista
Feito um ciclista que andava por aí
Quando vi onde cansava minha vista
Descobri o que estava errado bem aqui

Faltava cor e tranqüilidade
Na cidade que já acordava para suar
O tempo vinha e passava em parte
Como uma vinha envelhecida secular

E o cinza investia sua lança
Feito uma dança que dançava sem seu par
Suas tranças escondiam sua pança
Que engolia praças e engordava o seu olhar

Até o dia em que essa aberração enorme
Descriou seu criador sem deixar pista
Ao se tornar defunto na maça disforme
À moda mista entre o vagabundo e o artista

O QUE UMA PROVA PODE TE ENSINAR

Poema feito a partir de um stress meu por ir mal nas provas. Recuperação de física, química, matemática...

O QUE UMA PROVA PODE TE PROVAR

Há as minúcias da sociedade capitalista
Em cada fresta ou seresta dos mais gordos
Enquanto os mais magros
Mostram-se cadáveres acéfalos

Os professores não passam de bufões
Que tentam sobreviver ao show bissness dos grandes chefões

E ninguém enxerga nada

Os gordos são saturados de gordura informacional
E os magros são tão magros que não tem futuro

Mas ainda há os magros com genitores gordos
Que podem suplicar sua contra-danação

Há também a máquina da maquinaria
Que engorda pelas mesmas vias sujas de sempre

E eles ainda dizem que se importam

Mas no final só querem ver seus mais gordos bois
Virarem suas melhores salsichas
Para serem vistos no jornal de um clube de ócio local

Como o cardápio de um restaurante cinco estrelas
Que mesmo assim possui moscas

Feito cabeças-de-gado indo em direção ao matadouro

Magros ou gordos não passam de vermes
Nadando num campo minado de esterco

Fétido
Pútrido
E nojento

Onde não há saída e o destino parece apontar
Para a rotina do lugar nenhum

DIAS DE FESTA E TRAGÉDIAS E PORMENORES

Feita agora. Sessão nostalgia.

aKOSkaPOKSoAS

Desculpa gente.

Bateu aquela coisa "terceiro colegial" agora.

"Vida louca, vida. Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve"

-Lobão

DIAS DE FESTA E TRAGÉDIAS E PORMENORES

Nostalgia:
Eu costumava transformar galhos em João, em Maria
E podia fazer de qualquer lugar minha sala de estar

Meu tempo se esgota
E minha memória retrocessa a todo instante
Minha vida já não foi não tão diferente...

Ano após ano
Eu consigo descobrir que eu era feliz e não sabia

Quando revejo fotos de anos atrás
Eu desejo poder voltar no tempo
E reviver vários instantes:

Queria poder comer a goiabada com queijo da vovó
Com a mesma ingenuidade imatura de antes
E idem aos enroladinhos de salsicha e os croquetes

Apego por carros e cachorros e amigos já distantes
Antigos amores de mãos dadas e portas quebradas

Houve a separação

Video-games antigos com os meus vizinhos
Todo sábado na locadora
E a piscina do clube

Vitrola com discos de histórias de dormir
(na voz do Silvio Santos)

Eliana, Power Rangers, Doug Funny e Costelinha

Chácaras e cavalos e pancadas
Essa parte eu não desejo lembrar
Meu pai nunca fez falta

Bons tempos que não voltam mais
Passaram
Bons tempos que não voltam mais
Passaram
Bons tempos que não voltam mais
Passaram
Bons tempos que não voltam mais
Passaram
Bons tempos que não voltam mais
Passaram

Passou

ODEIO ESCOLHER TÍTULOS PARA POESIAS

Mentira. Gosto sim de escolher títulos para poesias.
Mas eu morro de saudades da época em que eu vivia.

ODEIO ESCOLHER TÍTULOS PARA POESIAS

Eu morri de saudades da época em que vivia
Desenhando águias, tubarões e máscaras
Apesar de ainda ver monstros na madeira
Não é a mesma coisa

Hoje eu sou maior no banheiro
E me assusto com lágrimas
Enquanto ouço meu coração em coma
Como se ouvisse conselhos de minha velha criança

Aquela que eu fui

A que andava com o vovô
A que confortava a Branca de Neve
E tinha em mãos seus heróis

Provérbio Chinês em Lata de Lixo


Imagem significativa, não?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

LÁGRIMAS DE UM ARTISTA




LÁGRIMAS DE UM ARTISTA

O toque das três sombras forma a tinta preta
Que se se deslizaria
Deslizara sobre o céu e o papel e o seu inferno
Sob a forma bastarda
Deliciava-se com sua farda
Quando havia o que se formara outra vez:
Uma sombra

- Onde estão as outras das três?

O sussurro reinara na sala vazia
Como novamente se se olhara
Olhava para trás

Para no mais tardar, contar uma estória
E cantava:

- Havia um batalhão e pó

Os escudos de escudos da placenta
Fizeram-se sedentos quando houve o amanhã

Como se o amanhã chorasse outra vez

Aquele cheiro que lembrara o verão
O fascínio clichê pelas quatro estações lhe trazia nojo:

- Feito!

Mas era industrial...
Ledo engano da imagem

- Bobagem...

Observaria o que observara
E de longe
Quando se encontrara o reconhecimento de uma era
Talvez houvesse para sempre a lembrança
Talvez remota demais para o passado
E talvez não...

Mas o fato:
Era uma vez uma Era

SOLIDÃO SOB A NÉVOA DO OLHAR


Finalmente pronto.
Versos trabalhados há tempos.

Há quem queria musicar, mas fiz sendo poesia.

SOLIDÃO SOB A NÉVOA DO OLHAR

Havia um mendigo bêbado na Praça das Lembranças
Feito uma dança, suspirava pelos cantos bem ali
Havia um porta-luz castanho no feixe das mudanças
Feito a matança, iluminava o ambiente sem fugir

O verde molhado destoava do dourado do outono
E o meu contorno na chuva esperava o meu redor
Perdido na sensação amarga de sono febril sem dono
Em torno da neblina do meu ser que clamava ser um deus menor

O abraço do nada e do vazio me fizeram dormir
Como um mártir que se satisfazia com um olhar
Sem falar na ilusão que ele acreditava sentir
Sem rugir, bradava a guerra que já foi familiar

Um grafite cinza lentamente centelhava a esperança do aposento
Enquanto invento o julgamento-estandarte persuasivo da derrota
Lembro de certa mímica morta pelo sentimento imparcial do vento
Que destruiu meu argumento já perfeito de felicidade rota

Um brinde pagão me fazia olhar pela janela
Já amarela, evitava sua sombra com medo de ser o fim
Assim, perdia minha alma-aquarela feito um rato sentinela
Naquela cela que julgava o invertimento paralelo de um serafim

Os meus versos contradiziam aquela existência
Com a ardência, eu não aceitava ou percebia estar perdido
Feito o mendigo embriagado, cantava sem melodia ou essência
E a ausência despertava a madrugada sem sentido

Ele olhava na boca da garrafa imaginando outra boca
Com sua forca, apertada mais um pouco que outrora
E a aurora roxa que sufocava lá de dentro era oca
Sob sua roupa que se fazia grilhão maior que o peso de fora

Eu enxergava qualquer coisa sem querer fazer nada
E confirmava: aquela epopéia era realmente de um só
Com suor, enfileirava fileiras de poeira com cevada
E na outra mão se fazia e desfazia o pó

Nisso, a praça e o mendigo sumiram sem mais adeus
E há poucos que dizem que foi causa de Deus
Mas nenhum dos loucos realmente via outro dos seus
Porque o mundo é dos outros, mas os olhos são meus

terça-feira, 3 de novembro de 2009

MANUAL DE TORTURA: A RECEITA DA MORTE

Poesia um tanto quanto "bizarra". Foi feita como tiragem de sarro, portanto, não a levem a sério. Uma viagem no meio de uma aula de matemática mal-sucedida.

Ah... E por favor, insanos de plantão:

Não sigam esse manual.

=)

kAPOASKpoaKSpoA

até.

MANUAL DE TORTURA: A RECEITA DA MORTE

Morda
Veja a chama em seus olhos
Força
Sinta no seu peito o desejo de sangue
Frenesi
Gargalhe feito um diabo ensandecido
Vermelho
Faça energia em medo nos olhos de outrem
Soberania
Amarre-o contra a cruz farpada
Suor
O abstrato e o calor se transformaram em azedo
Sádico
Diga-lhe que matou e estuprou a família dele há pouco
Berro
Reúna e libere os demônios em sua alma
Calor
Corra em investida contra sua presa
Insânia
Coloque-lhe o pesadelo na barriga
Cegueira
Pegue seus dedos e finque-os cavando os olhos de outrem
Montante
Faça-o arrancar as unhas com os dentes
Ódio
Quebre-lhe os dentes e arranque-os com martelo
Conspurque
Corrompa-lhe o corpo profanando o espírito
Vômito
Faça o lugar girá-lo sem perdão
Entrada
Arranque-lhe os dedos com machado enferrujado
Tortura
Amarre vinte agulhas e fure-lhe o corpo inteiro
Humilhe
Defeque sobre o alvo inimigo e urine em suas feridas
Incontestável
Pegue um espeto de churrasco e, após fervê-lo, enfie-lhe no ânus alheio
Prato principal
Faça-o engolir gasolina, e após dez minutos, atei-lhe fogo na garganta
Sobremesa
Banhe-o com álcool e, após minutos de sofrimento, atei-lhe fogo novamente
Digestão
Delicie-se com seus instintos primitivos saciados
E tenha um bom dia

CLASSE-IDADE MÉDIA BAIXA



A BALANÇA DA VIDA & DA MORTE

Feita durante o Chorando Sem Parar de 2008 com a minha atual (nem tanto) parceira Lia. Foi feita inicialmente para ser uma letra, mas com o desenrolar da criação decidimos:

- Não... Se alguém ou algum louco um dia decidir musicalizá-la, está bem. Por enquanto, nós não.

Eu particularmente gosto muito desses versos, apesar de tratar os assuntos vida & morte com frieza extrema, o que não é meu tipo. Sou sentimental demais e, sometimes, deveras polêmico.

Ando numa vybe mais "tranqüila".

A BALANÇA DA VIDA & DA MORTE
(Lia L./Lucas P. “Delavour”)

Cap I - NASCIMENTO

Eu não consigo viver no escuro
E se eu não puder ver minha liberdade
Me sinto preso
Como Narciso num espelho
Como se a chuva fosse céu
As copas das árvores me lembram o chão
Onde eu pisava há pouco tempo atrás
Mas meu chão e meu céu já se perderam
No meio das raízes da história

Cap II – CRESCIMENTO

A realidade me mostra que as verdades são compatíveis
E a tendência natural é neutra
Assim como são meus olhos
Não vejo a vida nem a morte
Pra mim só existe a existência
Perdida em pensamentos humanos e vazios
E inexistente quando se ausenta a consciência

Cap III – ENVELHECIMENTO

Pra cada vida que se ganha
Há uma vida que se perde
Como moinhos de vento
E toda a natureza inventada por nós
Está entre o azul do céu e o vermelho do fogo
Se eu quiser
O chão está nas copas das árvores
Porque eu criei a invenção
A Balança da Vida & da Morte não pesa o nosso coração
E o Anúbis que inventamos
Se esconde embaixo das asas de um anjo de pedra
Que suspende nossa morte
E ri da nossa existência
Ri porque fomos nós que demos vida
Àquele que nos trás a morte
É para sempre
Porque para sempre não existe
E tudo que não existe
É porque já era antes de nós

Cap IV – DECOMPOSIÇÃO

Nosso círculo de vida nasce e morre a cada instante
Como Uroboros que sintetiza o bem e o mal
Feito cataratas num lençol
Enquanto os vermes que hoje pisamos
Nos esperam amanhã

domingo, 1 de novembro de 2009

Janela Aberta - Sarau Sobre Perdas e Danos


31/10/2009
Poemas recitados:

A Balança da Vida & da Morte (Lucas P. "Delavour" / Lia C. L.)
E Foi-se Como o Vinho do Porto (Lucas P. "Delavour")
Perdidos Na Areia (Lucas P. "Delavour")
Acrilic On Canvas (Renato Russo)
-
Vinho e pizza grátis + ótima companhia + poesia = Ótimo sarau
Obrigado Estela e até o próximo.

sábado, 31 de outubro de 2009

TRILOGIA DOS POEMAS MUDOS


TRILOGIA DOS POEMAS MUDOS

I)ÚLTIMO INSTANTE

Tum-dum--tum-dum--tum-dum
Tum-dum---tum--dum---tum--dum
Tum--dum----tum---dum----tum---dum
Tum----dum-----tum
-
Dum
-
.

II)PRIMEIRO BEIJO

Tum-dum--tum-dum--tum-dum
Tum-dum-tum-dum-tum-dum
Tumdum-tumdum-tumdum
Tumdumtumdumtumdum
Tumdum-tumdum-tumdum
Tum-dum-tum-dum-tum-dum
Tum-dum--tum-dum--tum-dum

III)AULA DE QUÍMICA

Tum-dum--tum-dum--tum-dum
Tum-dum--tum-dum--tum-dum
Tum-dum--tum-dum--tum-dum
Tum-dum--tum-dum--tum-dum
Tum-dum--tum-dum--tum-dum

MATEMATIFÍSICA

Por favor Lia, Dany e simpatizantes:
Não me matem.
O intuito foi o de polemizar e fazer as pessoas pensarem sobre o assunto.

Só que eu sou assim:
Tenho a habilidade de deixar as pessoas irritadas, então, reconsidere.

^^


MATEMATIFÍSICA

Sonetos não são poesia
São simplesmente uma fórmula
Onde jogam-se versos escravos
Em métrica
Que não fazem sentido
E satisfazem os amantes de vasos

Sonetos não são poesia
São a carência de pessoas
Que não tem o que fazer
E querem rimar versos
Por serem pseudo-intelectuais casados com dicionário
Sem saber teoria musical o suficiente
Para musicalizá-los
Ou simplesmente por terem preguiça
De fazê-lo

Sonetos não são poesia
São versos mal-escritos sem alma
Que não passam de ofensa aos artistas
Assim como a ciência literatura
Onde cansa-se de achar sentido onde não tem
Matematifisicando a arte

Sonetos não são poesia
Mas já foram
Nos tempos em que a música cantada
Não possuía os valores atuais

Sonetos não são poesia
Ainda que haja exceções
Conforme-se

CORPOS CELESTES E AS ESTRELAS DO PASSADO

Letra que eu fiz especialmente para o Felipe musicar. "É verdade!".
Tadinho... É tão sem métrica. Ele vai penar.
Mas quando eu fiz essa letra eu percebi: "nossa! Ela é a cara do Felipe. Cara... Só ele pode musicalizar isso aqui!"

Então eu entreguei para ele.

Ele é o melhor guitarrista que eu conheço - e ele é REALMENTE MUITO BOM - e eu confio no trabalho dele. Sem contar que eu sou fã.

Ei-la:

CORPOS CELESTES E AS ESTRELAS DO PASSADO
(Lucas P. "Delavour"/Felipe Ladeira)

Disfarces azuis no porão de seu céu
Se destacam como estrelas que colidem dentro da noite
Quando me lembro que a marca do seu beijo é uma oitava acima do meu

Há quatro estações e quatro elementos
Entre a minha partida e o seu movimento
Quando me olho meio que sem jeito e sem direção
Encontro dentro de mim aquela quinta estação

Eu estou trancado no olho da chuva
Cego por conta de um milagre
Sem objetivos ou rota de navegação
Independênte de qualquer situação

Se apaixonar não é amar alguém
Se apaixonar é não amar ninguém

Os meteoros em mim ardiam em chamas
Mesmo eu não passando de poeira estrelar
Apesar de você ter morrido para mim
No seu funeral dentro do meu coração
Eu não cansava de repetir:
"Ninguém morre enquanto permanece vivo no coração de alguém"

Por mais que eu tente me explicar
Ao tentar me livrar de você
Eu apaguei todas as luzes em mim

E o que sobrou do nosso amor
Foi a claridade de passado que atravessa o universo
Feito a lembrança emanada do nosso destino
Que agora no céu não passa de uma estrela qualquer

E caso algum dia você se depare com uma noite de céu estrelado
Veja os meus olhos e se lembre:
"Aqui jaz uma estrela"

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

STAND DOWN TRAGEDY - Part I


STAND DOWN TRAGEDY


CENÁRIO: Palco do teatro municipal
PERSONAGENS: Protagonista, Vermes, Aparições, Platéia.

(Cenário escuro, o protagonista se encaixa no centro enquanto isso vários “vermes” e "aparições fantasmagóricas" se rastejam de forma repugnante no palco. Minutos de silêncio e confusão, depois a luz se acende no proscênio iluminando o protagonista. Os "vermes" e as "aparições" continuam se rastejando normalmente, porém, não invadem o espaço onde há iluminação. Há vários atores espalhados na platéia. Estes serão a "Platéia" apresentada mais tarde. Quando o protagonista começa sua fala os vermes se abaixam no chão e as aparições saem de cena)

PROTAGONISTA: Sejam bem vindos ao útero privado da minha mente. Aqui se escondem os meus pensamentos mais reclusos. Aqueles que vocês NUNCA vão saber. Mas hoje à noite, agora, vocês terão que me ouvir, e o MELHOR de tudo: Vocês não dirão NADA. Ficarão de boca FECHADA. Vocês não têm escolha!

PLATÉIA (em uníssono): Quem disse?(Os vermes se agitam)

PROTAGONISTA: Está bem... (os vermes abaixam) Como isso sempre acontece nos teatros, eu vou conceder a vocês mais dois minutos para desligar o celular. Portanto, se os publicitários e os executivos que estão aqui presentes só de corpo ainda não desligaram o celular, concedo a vocês esse tempinho extra, porque se eu ouvir algum barulho deles aqui hoje, a coisa vai ficar feia (pequena pausa de silêncio). Eu estou falando sério! (as luzes do teatro se acendem, os vermes se agitam) Vamos, desliguem! Se já desligaram verifiquem! Agora! (luzes se apagam e há novamente o foco no protagonista, os vermes abaixam)

PLATÉIA (em uníssono): Quem disse?(os vermes se agitam)

PROTAGONISTA (Desanimado): To vendo já... Se eu não arrancar as minhas mascaras vocês não vão me deixar em paz, né? Então tá bom! Eu vou tentar... (os vermes abaixam) Mas é difícil... Não garanto que eu vá conseguir.

(silêncio, aparições cruzam a parte de trás do palco sem encostar na luz do Protagonista)

PROTAGONISTA (desanimado): As vezes(as aparições vão embora) eu acho que o mundo não tem conserto... Muito menos vocês... (aparições aparecem, silêncio) Quantos de vocês (aparições somem) sabem o que é cruzar a Cidade dos Condenados numa madrugada vazia com os versos na cabeça: "Eu não quero sentir a dor/de um solitário trovador"? O vazio da Praça das Lembranças é o meu lugar preferido na cidade... (aparições aparecem, silêncio) porque as pessoas são assim?(aparições somem) Porque vocês são assim? O mundo só é essa bosta que é por causa de vocês!(os vermes se agitam) Eu faço minha parte seus retardados... (aparições aparecem, silêncio) olhem nos meus olhos...!(as aparições vão embora e os vermes se abaixam) O que vocês vêem? Eu não sei vocês, mas dentre as minhas qualidades, está o poder de enxergar o que há por trás dos olhos das pessoas... Infelizmente, esse é - também - o defeito que dói mais em mim... (Silêncio as aparições aparecem) É triste, sabia? (as aparições vão embora, silêncio) Em quantas pessoas vocês aí já pisaram? É claro... Porque para se subir é necessário fazer alguém descer... Empurrar o crânio de alguém pra baixo. Garanto, que quanto maior for a posição social no trabalho de vocês mais gente vocês já derrubaram... (exaltado e fora-de-controle, as aparições aparecem e os vermes se exaltam) E vocês não ligam, porra! Todos vocês se esquecem de que todas as pessoas são pessoas! Eu estou no mesmo nível que vocês, eu estou no mesmo nível que os vermes, mas pelo menos eu enxergo! E vocês? Garanto que há os que ficaram ofendidos... (as aparições vão embora e os vermes se acalmam um pouco) É, né? É horrível ouvir a verdade. É sempre mais fácil quando sobe alguém no palco e começa a falar mal dos judeus, dos veados, das burras... (os vermes se acalmam) É, minha gente... A vida não é "ridendo castigat mores". Bem... Pelo menos isso para os que estão me ouvindo! O pior são esses "papais" que vieram aqui só pra assistir a peça dos filhinhos, tirar umas fotos e ir embora. E que não escutam nada e a ninguém. Sinto muito retardados com complexo de Deus, (os vermes andam levemente) mas vocês têm que me ouvir agora! Você não faz bosta nenhuma da sua vida e ainda acha que está com a razão? Que tipo de retardado você é?(os vermes se exaltam) Só porque é mais velho? Olha pra mim cara... Garanto que eu já vivi e sofri muito mais que você em toda a sua vida! (finge que cospe na platéia, os vermes se exaltam) eu tenho nojo de vocês! Tá estressadinho, meu irmão? Então vai embora! Vai... Cagão... (vermes completamente exaltados) Cagão!(os vermes ficam só exaltados) E os filhos desses pais ainda falam com certeza absoluta: "meu pai? Acha... Ele chegou aonde chegou com o próprio suor, nunca explorou ninguém!" É claro... Um filho de político corrupto jamais diria que o pai é...

(entra uma aparição no palco pela direita dos espectadores e entrega um copo d'água para o protagonista e sai pelo mesmo lugar que entrou, não encostando na luz do proscênio; enquanto o Protagonista bebe água, os vermes lentamente vão se acalmando de forma que quando o Protagonista termine de beber água, todos os vermes estejam abaixados)

PROTAGONISTA (aliviado): Obrigado... Eu estava precisando de um copo d'água...

(entra outra aparição em cena pela esquerda dos espectadores e pega o copo sem encostar na luz, voltando pelo mesmo lugar que entrou)

PROTAGONISTA (indagado): E eu já me apaixonei... E vocês?(aparições aparecem) Eu só me apaixonei por duas pessoas de verdade: a "QualquerNome" e a "Mímica"(aparições se exaltam). Ambas estão mortas agora... (aparições vão embora) pelo menos pra mim. Eu cresci com a "QualquerNome" e ela cresceu comigo. Foram longos anos de namoro e quebras... Até que terminou da maneira que acabou. Por causa de uma foto... (aparições aparecem) Eu aprendi bastante com ela, e ela aprendeu bastante comigo. Pena que nós nos esquecemos. Mas no fim foi até bom... Porque eu não sofri no final. Nós dois fomos jogados dentro de uma tormenta. Ela morreu e eu não. Ela cedeu à mesmice, perdeu sua personalidade. Se você visse seu cadáver hoje, ia até se assustar com a quantidade de libido no rosto... (aparições desaparecem) Pois é... O meio muda as pessoas... Enquanto eu, posso não ter cedido à tormenta, mas dá pra ver o resultado da luta com as cicatrizes no meu rosto até hoje. Já a Mímica... Ah, a Mímica... Como ela era linda... Eu olhava pra ela de longe há dois anos. Desde o dia em que eu a vi (aparições aparecem). Nunca cheguei a namorá-la... Mas certo dia ela foi viajar, e a confusão trouxe o vento de lá... E o vento a matou. Pouco antes dela ser minha... (aparições desaparecem) Cheguei tão perto! É uma pena... Ela é a prova de que rostos bonitos sofrem primeiro...

(um verme da esquerda do palco, na visão da platéia, tira do bolso um espelho e dá na mão do protagonista sem encostar na luz do proscênio, depois volta para sua posição. O Protagonista se encara no espelho durante um tempo e depois o entrega para um verme do lado direito do palco pela visão da platéia, este o recebe e coloca imediatamente no bolso sem encostar na luz do Protagonista.)

PROTAGONISTA:Vocês já pararam pra pensar que todo velho já foi uma criança? Não... Sério mesmo! Já imaginaram que todas as crianças vão ser velhas? (aparições aparecem, silêncio) Todos os bebês vão decepcionar alguém. Todos os bebês vão alegrar alguém. Todos os bebês vão explorar alguém... E os velhos? Parece que eles são perdoados de tudo que já fizeram... A maioria dos bebês vai fazer sexo, e a maioria dos velhos já fez. Todo velho já foi adulto e todo adulto já foi criança... E por que as pessoas vivem tratando os bebês como retardados? (aparições desaparecem) eu não entendo... Sabe... Vasculhe algum canto da sua memória... Garanto que todos vocês já pensaram em mudar o mundo de alguma forma! E olhem pra vocês agora! (silêncio) Não é porque vocês já estão velhos que vocês não podem fazer a diferença! Caralho!(os vermes se agitam) Não precisa ser um super-herói, mas fazer o básico sabe? Pensar no outro... TODOS NÓS SOMOS SERES HUMANOS!(os vermes se exaltam) SOMOS TODOS IGUAIS BRAÇOS DADOS OU NÃO. E sim, eu OUÇO Geraldo Vandré. E OUÇO mesmo! (aparições aparecem, silêncio, os vermes abaixam) Minha vida é um inferno... Meu mundo é um inferno... E eu já estou cansado disso(aparições desaparecem). E é uma pena eu só poder ser ouvido porque estou em cima de um palco num teatro, porque vocês decidiram ver seus filhos numa "pecinha de teatro". Escuta cara...(vermes se agitam) Eu sou um artista, no âmago da minha existência. E é isso aqui que eu sou! Com todas as palavras!(vermes se exaltam) Então faça a diferença! Faça a diferença. Porque eu faço acontecer... E eu ando a pé sempre... E eu vejo cada detalhe da Cidade dos Condenados que vocês nem param pra pensar...(vermes abaixam, aparições aparecem) Às vezes é difícil ser a Hiena solitária... Vocês nem imaginam... E Quando eu ando por essas ruas, há uma música que é minha vida, que não sai da minha cabeça(as aparições abaixam).

PROTAGONISTA ou OUTRO ATOR QUE O DIRETOR ACHAR MELHOR: "Eu sou o filho da ira e do amor/o Jesus dos Subúrbios/Vindo da bíblia dos "nenhum de nós"/numa constante dieta de refrigerante e ritalina/ninguém foi pro Inferno por pregar o que eu defendo/Pelo menos até onde posso contar/com aqueles que eu convivi/E não há nada de errado comigo/É assim que eu deveria ser/Numa terra de faz-de-conta/que não acredita em mim/Tento arrumar minha televisão sentado no meu crucifixo/na sala de estar, o meu útero privado/enquanto minha mãe e meu padrasto estão fora/Cair de cara no amor e no débito/E o álcool e o cigarro e o meu ópio/me mantém insano enquanto preparo o ópio de alguém/E não há nada de errado comigo/É assim que eu deveria ser/Numa terra de faz-de-conta/Que não acredita em mim//No centro da terra/no estacionamento/na Praça das Lembranças onde eu estava/A moto não passava de uma mentira/Ela dizia:"Casa é onde seu coração se encontra"/Mas... que vergonha/Porque os corações não batem da mesma forma/Eles batem descompassados/Cidade dos Mortos/No fim de outra estrada perdida/Sinais que apontam pra lugar nenhum/Cidade dos Condenados/Hoje as crianças estão perdidas com rostos sujos/E ninguém parece se importar/Eu li as paredes grafitadas na estalagem sanitária/Como se fossem escrituras sagradas num Shopping Center/E no entanto parecia confessar/Não dizia muito/Mas só confirmava que o centro da terra/é o fim do mundo/E eu poderia me importar menos/Cidade dos Mortos/No fim de outra estrada perdida/Sinais que apontam pra lugar nenhum/Cidade dos Condenados/Hoje as crianças estão perdidas com rostos sujos/E ninguém parece se importar//Eu não me importo se você não/Eu não me importo se você não/Eu não me importo se vocês não se importam/Eu não me importo se você não/Eu não me importo se você não/Eu não me importo se vocês não se importam/E eu não me importo!/Eu não me importo!/Todos são tão cheios de merda/Paridos e criados por hipócritas/Com os corações reciclados porém nunca salvos/Do berço ao túmulo/Nós somos as crias da paz e da guerra/Da capital da Califórnia ao Oriente Médio/Todos nós somos as histórias e os discípulos do Jesus dos Subúrbios/Nessa terra de faz-de-conta/Que não acredita em mim/Terra de faz-de-conta que não acredita.../E eu não me importo/Eu NÃO me importo!//Minha querida/Você está me escutando?/Eu não me lembro de uma palavra que você me disse.../Nós somos dementes ou eu sou perturbado?/O espaço está entre a insânia e a insegurança/Ah terapia... Preencha meu vácuo, por favor/Será que eu sou retardado ou eu só vivi demais?/Ninguém é perfeito e eu continuo sendo acusado/E por falta de uma boa desculpa/Esse é o meu melhor argumento...//Viver sem respirar é morrer numa tragédia/E correr, fugir/Para encontrar o que você acredita/E eu deixei para trás esse furacão de mentiras infernais/E eu perdi minha fé quanto a essa.../Essa cidade que não existe de verdade/Então eu corri, fui pra longe/Fui para a luz dos masoquistas/E eu deixei para trás esse furacão de mentiras infernais/E eu andei por aqui/Um milhão e uma porcaria de vezes/Mas não dessa vez/Eu não sinto vergonha e não vou me desculpar/Quando não há nenhum lugar que você possa ir/Fugindo da dor/Quando você foi mais uma vítima/Dos contos de outro lar partido.

(A luz no proscênio é apagada. O palco fica completamente escuro. As aparições e os vermes se levantam no escuro e vão embora. O Protagonista continua ali, cabisbaixo até o quase-começo da próxima cena. Enquanto isso a luz do teatro é acesa e cada ator da Platéia fala um dos nomes dos capítulos da Letra de forma aleatória e caótica, se dirigindo ao local da próxima peça ou aos colchetes do palco.)

PLATÉIA: Jesus dos Subúrbios, Cidade dos Condenados, Eu Não Me Importo, Minha Querida, Contos de Outro Lar Partido.

RETRATO DE UM SERTANEJO

Poema under Geraldo Vandré e Oswald Andrade.

RETRATO DE UM SERTANEJO

- Ele é sertanejo
O que você esperava?
(diz a Pátria)

(e eu digo:)
Numa mão trás a fé
E na outra a faca,
A terra nas costas
E a seca nos pés
Com uma trilha gigantesca
De suor e sangue seco
Marcando o caminho por trás

Fazendo assim a trilha dos filhos abandonados
Pelo peito da gloriosa Mãe Gentil
Analfabeta funcional

É fácil ver
Difícil é enxergar

CAOS CÓSMICO

Para celebrar minha atual insônia vamos selecionar a minha atual insânia: (poema under Secos & Molhados)

CAOS CÓSMICO

Um
Circulo
Branco
Em
Rotação
Com
Cascata
Preta

Se
Encaminha
Para
O
Inverso
Do
Universo
Vazio
Cheio
De
Estrelas

sábado, 24 de outubro de 2009

POESIA ALTRUÍSTA

Dispensa comentários. Um poema divertidinho até.

POESIA ALTRUÍSTA

Eu
Eu
Eu
Ele?
...
Eu

Praça XV


Eis... A Praça das Lembranças. A praça dos junkies de sexta feira, dos manos e dos emos. E minha e dos meus amigos. Tantas memórias... Talvez por isso lembranças.



PRAÇA XV


Sento num banco da praça das lembranças
Buscando inspiração e vendo os carros passarem
Matando o tempo matando o tempo esperando meu destino
Nesse dia chuvoso sem chuva que eu escolhi passar sozinho

Cada banco me remete a um significado
E a História está aqui ausente me procurando

Nessa praça suburbana
Entre garotas com celulares
Velhinhas de vermelho
E um banco só

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

SUSSURROS DE UM ROMANCE

Um poema apaixonado de um poeta com o coração-sem-dona. Incrível, será que eu sou hipócrita? Eu não sei.

"Eu sou poeta e não aprendi a amar"

SUSSURROS DE UM ROMANCE

Eu espero o dia inteiro começar só pra receber o seu abraço

Que juntos se fazem um aperto de punhos e mãos trancados
Traçados na digníssima sorte de um amor ser e não ser
E eu já não sei

Minha querida, agora me explique:
O quanto o amor é vermelho
E a vida é cinza?
O quanto nada resta
E as pessoas mudam?

Pode parecer besteira...
Mas talvez eu não consiga dormir hoje de novo por pensar em você
E se um dia eu me perder e perder tudo no fogo
Eu mandarei todo o meu amor embalado em um colar

Então descubra a inexplicável doce-ilusão que germina meus pensamentos
Plantados em nuvem ao invés de algodão

E ainda assim eu amo você por conta do seu nome
Feito soldado marchando para o suicídio
Na minha missão jesuíta
Praticamente sem chances de vitória
Mas ainda de pé enquanto houver

E se fez, então:

- O amor é o que mais amo para você

Você achou e rearranjou meu coração
Justamente para fazê-lo sumir
E reaparecer encostado às suas mãos
Acima dos seus pés

Com cabeça feita e confusa
Talvez até mais que isso
A dúvida de dizer o que deve ser dito
Sem dizer nada que talvez não se queira ouvir

Havia um pôr-do-sol e luzes naquele fim de tarde
Contrário a todos os outros

E se sente os corações baterem em compasso
Enquanto ambos gritavam grudados sussurrando em uníssono:

- Torne os meus lábios os seus

É amando que se aprende:
Somos o que somos sem ganhar nada em troca além de você e eu

Não passou de sonho a bela tarde pôr-do-sol
Onde pude acordar com aquela breve sensação de talvez verdade:
Gostinho de chocolate na boca e no peito

Os sóis que um dia puderam me cegar e me fazer ver
Pregaram uma peça no escuro
Mas ainda posso te encontrar nas tardes comuns vazias de sempre

- Leve com você o meu coração de ametista num colar

Ele é só seu

Eu espero o dia todo terminar só pra sentir o seu abraço
E espero que um dia eu o possua de verdade:
Hoje mesmo eu estava vendo uma foto sua

sábado, 17 de outubro de 2009

ÉDITO HUMANO

Poema apocalíptico que faz um retrato do agora ou do amanhã.

ÉDITO HUMANO

Rubro
O chão estava revestido de cinza e penas negras

Veio o lampejo de relâmpago
Então o trovão e a chuva
Chovia sujeira

Não se via horizonte
Havia apenas o preto moderno e vazio
E um Cristo jogado e rasgado no chão
Pregado – obviamente – em sua cruz
Condenado

Chorava sangue e sangrava choro
Profeticamente
Bradava o apocalipse sem argumento:
A tormenta

Só que dessa vez
Arrependido porque ele não queria lutar

Não havia lobo
Era o homem do homem

terça-feira, 13 de outubro de 2009

POMBA RUBRA

Eis um poema meu que eu gosto bastante: o da Pomba Rubra. O poema pode ser interpretado - como sempre - de diversas formas, mas aqui eu transformo o símbolo da Pomba, a alegoria da paz, no avatar do da guerra. Divertido? Sim. Pra caramba, por isso que eu gosto. Eu adoro misturar coisa séria com piada irônica. Tirar sarro capricorniano com tudo. Eis, também, o meu Rebelde-sem-Causa. O atual namorado da QualquerNome curtiu o poema. Achou que lembrava a primeira fase dos Titãs. Nunca gostei de Titãs, mas eu gostei do elogio/comparação. Ei-lo:

POMBA RUBRA

Prrr...!

Eu sou uma pomba-correio que traz uma bomba!
Incendeio o nosso céu de faz-de-conta
Não vou à igreja de domingo
E confirmo a insônia dos sem-sono com minha metralhadora
Não me chamem de ovelha negra e sim de afro-descendente
Porque eu sou a semente dos descontentes
E essa gente repugnante
Não passa de sopa p'ros sem dente

Prrr...!

Eu sou uma bomba-correio que traz uma pomba!
Enfeio o nosso céu feito de cinza e sombra
Essa conduta não passa de desculpa
Pros filhos da luta que agem sem pensar
E ao invés de detalhe na pintura de Serafim
Sou porta-voz do meu parceiro Bakunin
E mesmo assim meu codinome é Osama Bin
Laden Tro-tro-tro-tro!

Prrr...!

Depois das Torres o cheque-mate está por vir
Daqui a pouco eu tiro o Rei desse xadrez pra pôr em outro
E atiro na Rainha quando ela pedir socorro
E eu só me faço contente quando destruo o que há em frente
E estridente escondo fraudes com patente
Porque sou filho de um frade com a Serpente!
Não acredito no diabo e em acidentes
E em caso de dúvida
Meu grande amigo Nero confirma que sou ardente!

Prrr...!

Carrego a carta-natal do universo até o Juízo Final
E também faço do inverso o prejuízo racional
Eu engulo carne crua com tutano cobrindo corpos com meu pano
E se eu sou branco é porque sou ariano!
Sou uma das várias foices das faces da morte
Porque sempre recorreram a mim para resolver disputas egoístas
E há quem diga que eu e Ares somos um só
Mas outros ainda teimam que eu não passo de uma pomba

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A HEMATITA E O ANEL

A HEMATITA E O ANEL

Eu me apresentei e lutei por glória
E me entreguei sem esperar nada em troca
Minha mão protetora
Ferramenta de trabalho
Ensaio que enfeia e enfeita meu orgulho
Absurdo que veio a tona junto com a insônia
Defunto que se protegia com uma lágrima
Se prestigia, ao fundo, com seu único bem:
Uma máscara
Sem sal nem açúcar
Foi escutar a cegueira
Como palhaços de cristal
Que dançam feito o ritmo da ventania
E o vendaval
Girando em torno de mim
Com gosto ruim de enjôo amargo de poluição
E a criança que se desfez
Se remontou outra vez
No altar do sorriso infeliz
Na decadência
E apesar de outrora feliz
O sonho acabou cedo demais

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Eu Sou o que Eu Sou


A MANSÃO DE DEUS

Nada a declarar:

A MANSÃO DE DEUS

Estou cansado de escrever sempre sobre o mesmo vazio:
-Até quando vai essa solidão?
Até minha morte chegar por eu ser covarde!
-Até quando vai essa solidão?
Até eu decidir explodi-la em mim como uma dinamite!
-Até quando vai essa solidão?
Até ela consumir minhas entranhas de vez!

Sou sempre eu quem ajuda os outros
Sou sempre eu quem sofre sozinho
Sou sempre eu quem é abandonado depois de dar carinho
Sou sempre eu quem é a alavanca descartável do foguete
Sou eu quem tem o maior peso nas costas
Sou eu até que seja apagado para sempre
Sou eu quem tem os olhos opacos
E sou eu quem desiste no fim

Ninguém está aqui para me ajudar agora
Ninguém está aqui para tapar os meus buracos
Ninguém está aqui para reerguer meu Castelo de areia
E ninguém estará
Até que eu transborde uma lágrima do meu rosto em público
E os que virão estarão do meu lado unicamente para lavar a alma ou acalmar a consciência
Da mesma forma que se dá esmola aos mendigos
Até a consciência ser calada e a alma ter a ilusão de estar satisfeita

Eu estou no outono da minha sina
E o meu coração de vidro se congelou por entre meu sangue quente
Dentro de mim e em minhas mãos
E não há ninguém para descongelar meu coração com calor humano
E ninguém quer
E se estou vivo o que você enxerga é minha carcaça
Porque minha alma está enterrada em coma
E eu duvido que um dia acorde

Não há ninguém para me tirar da areia-movediça

A lua nova é o sinal de minha partida
E haverá outra lua para tomar o meu lugar
E as lembranças fazem a tempestade manchar
O que mancha meu coração de vidro em azul-escuro
“A nossa casa será azul!"
“E quem volta sozinho para casa sou eu”

Sou eu o que eu sou

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

PERDIDOS NA AREIA

É... Eu acho que essa é a minha obra prima da poesia. Eis um maldito CTRL C + CTRL V da minha vida. Divirtam-se. Porque essa eu tenho orgulho mesmo de ter feito:

PERDIDOS NA AREIA

De frente para o espelho esquerdo
Havia a imagem de um segundo
Que não se havia feito avatar do tempo
E vi, podendo prever:
Hoje a noite meu cobertor será minha mãe e minha amante
Porque as baratas se estendem abaixo das folhas de outono

Há pouco eu passara pelo segundo mais lento de minha vida
Como se o mero olhar levasse um para sempre
E só um pouco

Naquele instante o instante se cancelou
E houve a desolação e o retrato do momento
Não existia mais tempo

O calhamaço de cores se destilara em cinza
Com exceção da minha cor e a cor dela:
Vermelho
Fora discreto, quem assistiu não percebera

Voltei à condição atual e me virei:

-É como se o tempo nos queimasse feito uma brasa ardente

Houve o encontro com o espelho direito errado
E o lampejo cegou meu tato
Enquanto os nós se enrolaram em minha âncora submersa
Eu temo pelo tempo que não hei de respirar

Uma vez que ela se afogou na areia

Os dois espelhos se refletiam
Fazendo uma cadeia infinita de mar de mim
Era cíclico, era cíclico e era cíclico
Existiam infinitas pessoas em volta
E todas repetiam o hino em uníssono:

-Parece que nada deu certo essa noite

E nessa multidão nos dissolvemos
Mascarando a minha própria solidão

Mas até que está tudo bem
Foi um bom dia :
Quem te aconselha quer bem ou mal?

Aqui se faz e aqui se paga
O nó não se desfaz

Enquanto ela se perdia na areia
Eu era enterrado dentro da Torre da Solidão:
Esse é o nosso deserto de areia e espelho

Viramos, então, prisioneiros do passado:
-O ano que acabou de começar já passara da metade

E eu poderia cuidar disso sozinho
Se não houvesse espelhos
Mas havia:
Perdidos na areia o nosso amor vale mais

Aqui se faz e aqui se paga
O tempo quer demais

Ela se perdeu dentro das areias do passado
E eu me tranquei nos espelhos com infinitos de mim
Mas agora é tarde:
Que o azul me envolva ou devolva a locação

Porque a vida é como um baile:
Enquanto os condenados dançam sem parar
Parece que nada deu certo essa noite
E nós quisemos transformar areia em vidro

E nós Quisemos Transformar Areia em Vidro...


Department of Correct


Poesia secreta, postada aqui.












PRAZER SUICIDA

Ele sentiu a face da noite
Como se sentisse o que fossem versos soltos ressonando sobre o timbre do papel
E nada dizia:

- Só me representava

O silêncio fez barulho com o bater do portão
E se o tempo passava
Também se fazia com os ponteiros do relógio

Tudo rodava em volta
E era uma representação do gelado:
A cabeça formigava

Tentava escrever, mas se lembrava de sonhos bons:
A insânia dominava
Os seus demônios apareciam a todo o momento
Porém havia um que se destacava:
Esse seu demônio só aparecia de noite quando o mundo terminava
E o devorava
Ano após ano

Até que ele evoluiu
E continuava:
dia após dia

- Eu preciso ir ao médico, mas me falta coragem

Quanto tempo de vida o sobrava?
Não se sabe
Ele pensa que haverá vida até dois anos com sorte
Mas se lamenta:

- Já não bastava o velho em mim?

Ele sorria de desespero
E as artérias dos olhos faziam a imagem pulsar
Compassada com o coração
E era amarelo,
Distorcido:

- Eu não reverencio a morte.

Não era escravo da morte
E sim da arte
Por mais que a falta de sorte o perseguisse
Ele andava vazio
Mas havia uma recompensa ao fim do dia:
Seu prazer suicida
Talvez solitário
Mas era segredo:

- Hoje não, devo ser forte...

Ele se corrói enquanto foge
Não deveria ser assim
Mas agora já passou do ponto
É tarde demais
Havia até sangue entre os intestinos
E solitário, bradava a noite:

- Não entendo a razão de isso estar acontecendo...
Por que justo comigo?

Seria impossível tanta falta de sorte e azar concentrados
Mas havia só para ele:
O azarado mais sortudo do mundo

Era o virgem com mais experiência sexual que já existiu

Seu pesadelo não o deixava dormir em paz
Porém sabia:
Não valia a pena se preocupar
Seria pego de qualquer forma
Só queria driblar a morte vazia
E aproveitar o seu prazer suicida
E pensou:

- Vou escrever uma carta para cada pessoa amada antes de eu morrer

Assim
Ele seria imortal

Não se sabe o fim dessa tragédia
Por mais que se possa imaginar a histeria
A única certeza é que o louco que aqui se descreve
É o louco que aqui se escreve

terça-feira, 29 de setembro de 2009

(-) : Poema Introdutório

Esse foi o primeiro poema válido/sério escrito por mim. Claro que foi modificado com o tempo. ele não tem título, portanto é "untitle". Mas eu gosto do nome dele como "(-)". Dá uma sensação de vazio. Da falta e da necessidade d'eu me achar. Quem quiser se referir a esse poema, diga "Introdução à Mim". Caso eu algum dia escreva algum livro de poesias - e sim, eu possuo essa cobiça - esse será o poema introdutório, que não participará de nenhum capítulo. Enfim, ei-lo:

(-)

Eu não sou d’aqui
Alguém, por favor, me interne em algum hospício
Uma vez que eu estou no hospício da solidão

Não há problemas
Nunca houve

E eu acho que sou poeta...
Mas na verdade sou o Rebelde-sem-Causa,
A Hiena Solitária,
O Protagonista dos Subúrbios
E o Mártir do Coração Partido
Com o coração partido que nunca amou
Mesmo amando o amor inexistente:
O amor nunca existiu

Enquanto eu abro o caderno,
sinto o que há de negro nele
E silencio o silêncio em mim:

Cuide da sua vida que eu cuido da minha
Porque a maior ironia está no meu nome

Ensaio Sobre a Morte

Hoje eu fui a aula de teatro do Municipal. Não fiz prarticamente nada, porque houve ensaio com outras pessoas. Mas foi positivo. Para passar o tempo, Eu e a L** começamos a conversar. Ela faz um papel bem interessante na peça: a Morte - e por piada interna - ela começou a conversar comigo como se fosse uma morte fumante.

Fui eu mesmo. Com minhas dúvidas, pesadelos, ironia e certeza. A L**, inteligente como é - claro, agiu como aquela morte agiria. Respondeu como se ela respondesse. Essa noite foi o meu delírio de conversa com a Morte.

Delicioso e acusado de inútil por alguns, essa pequena brincadeira foi muito significativa para mim. Meu bate-papo frente ao que todo ser humano teme: um chá das cinco com a morte. Que piada. Mas pelo menos me serviu para reflexão. Muito obrigado, L**.

Mais tarde meus avós me buscaram no teatro e, o tema abordado por conversa no carro, por coincidência do destino, foi a própria: minha nova amiguinha.

Há pouco um amigo meu falesceu. Sexta-feira. Vítima de complicações decorrentes de meningite. Morte horrível, dizem alguns. Mas o negócio é manter a imagem dele vivo em mente.

Eu nunca aceitei a morte. Pelo fato em sí, quando alguma pessoa querida some da minha vida é como se ela estivesse somente viajando. Viajando para sempre.

Não adianta nem nunca adiantará. A morte não existe para mim. E quando eu morrer, por favor, não comparessam ao meu enterro. Este é um maldito costume inventado pela cultura inútil, onde a morte deve ser encarada como um ato sofrível pior do que já é.

E escrevam no meu túmulo: "Jaz aqui o Protagonista dos Subúrbios/A Hiena Solitária/O Rebelde-sem-Causa/O Mártir do Coração Partido".

E não, eu não idolatro a morte. Mas eu possuo minhas pequenas paranóias.

Achem-me estranho se quiserem. Eu não me importo e tanto faz. E minha fama? Pior não fica.

O fato, é que deve ser um vazio.

Acordem para a vida enquanto há tempo. Nunca se sabe quando pode ser sua hora.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

NAVEGADOR DE SONHOS

Letra que eu fiz com o Erik, que eu citei logo abaixo.

NAVEGADOR DE SONHOS
(Lucas P. "Delavour"/Erik C. Navarro)

Queria poder acordar todos os dias antes de dormir
Poder me entregar ou te perder
Que seja o que for mais fácil

Um beijo, mil beijos
Eu vejo você correndo à mim
Acasos descalços
Abraços que deveriam ajudar
Um eixo, sem eixos
Me queixo das suas flores jasmim
Espasmos, descasos
Esconda esse seu perfume no olhar

Meus pés tem marcas de sangue rubro
Ou seja lá o que são
Tenho medo de também manchar as minhas mãos

Seu corpo cinza sem expressão ou sofrimento me deixou
Feito um afogado em busca do seu destino
Agora a tempestade já passou e levou a nós dois
Eu não posso navegar em paz

Quando quase acordei o momento sem fim
O dragão em mim se fez camafeu
E a fé, em sí da madrugada, gemeu

Cultura Inglesa ao lado da Praça da Lembranças


sábado, 26 de setembro de 2009


Eis a música que fica na minha cabeça quando eu ando sozinho de madrugada por aí. Eis uma das letras mais simples e mais bonitas que já vi. Eis o Acônito:

ACÔNITO
(Erik)

Eu sou um verbo,
Transitivo indireto,
Incompreendido, incompleto,
Procurando um objeto

Também sou um pensamento
Ou só outro sentimento,
Que mistura toda dor
A todo o nosso amor

Seus olhos bem que podiam me dizer,
Tudo aquilo que eu quero saber,
Sua boca me mostrar
O que não consigo enxergar

Eu queria ter o poder
De fazer meu coração dizer
Aquilo que eu não paro de pensar
E o que eu não paro de escrever

Não consigo dormir,
Não sei o que está por vir,
Cansei de guardar
Preciso logo lhe falar,
Não existe maldade,
Estou morrendo de saudade,
Não sei mais o que faço,
O que eu quero é seu abraço,
Procuro a solução,
Quero ouvir seu coração
(Para então lhe conquistar
E fazer você me amar)

Porque eu não quero sentir a dor
De um solitário trovador,
E eu não quero desperdiçar o amor

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

O PREÇO DO SILÊNCIO

Um poema que eu produzi na volta de uma das minhas fugas noturnas. E sim, foi num dia de semana, por mais que tenha sido em época de férias. Eu acho interessante, também, como eu me ative até agora aos temas diários para escolher os poemas para o blog, porque eu não costumo ser muito organizado e atento para essas coisas.

O PREÇO DO SILÊNCIO

Hoje pela janela eu avistei
Criaturas que se serviam dos subúrbios
Revirando lixo derramado
Naqueles dias de madrugada no meio da semana
Que ninguém acorda
Ou está acordado...

(Silêncio)

Por isso eu me lembrei do meu demônio
Que é meu segredo enjaulado numa pequena sala escura da minha alma
Ele que já foi preso agora se solta
E já está começando a me engolir

(Silêncio)

Você acha preferível viver mais e morrer devagar
Tendo de lidar com a morte encarando sua rotina diferente
Ou viver menos sem se tratar
Ignorando a situação como se nada acontece?

(Silêncio)

Eu não sei...
Mas isso me preocupa...

(Silêncio)

As pessoas à minha volta estão cansadas
Da minha mesma pergunta sobre a cor da cegueira
Enquanto eu...

(Silêncio)

Estou cansado de estar cansado
Tendo de lidar com a dor do dia-a-dia todo dia

(Silêncio)

É horrível.
Mas viver sofrendo é melhor do que não viver
Mesmo não vivendo de verdade...
E ao contrário do que dizem
Na vida tudo se perde e nada se transforma.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A Torre:


DENTRO DA TORRE

O meu segundo poema:

DENTRO DA TORRE

É difícil viver quando se pensa em suicídio
Fazia tempo que não pensava nisso...
E nesse vazio
E a pobreza do mundo
E as pessoas infelizes
E as pessoas sozinhas que machucam clamando por atenção
E uma segunda chance
Por mais que saibam que não vão mudar

Eu estou cansado
Não existe poesia
Nunca houve

Às vezes nós só nos damos conta de onde estamos
Quando estamos na torre da solidão
Porque o mar que me remete à paixão
É o olhar que me remete ao fracasso
E as perguntas sem respostas
Só abrem respostas do que não há dúvidas:

Eu já não me importo mais

Quando as lágrimas são o ponteiro do relógio
E as horas escapam dos seus olhos
Ninguém sabe quando será o dia de amanhã

Caminhadas na Madrugada e A Torre da Solidão

Aqui na Cidade dos Condenados há uma estrutura que mexe incrivelmente comigo. A Torre da Solidão. Por mais que aquilo não seja uma torre - e sim uma chaminé luminosa - eu a chamo de torre e gosto de chamá-la assim.

Ontem eu fui assistir uma peça de teatro de uns amigos e eu voltei sozinho para casa de madrugada - chegando em casa em torno de meia-noite e meia da madrugada. E sim, minha mãe não desconfia que vim sozinho e muito menos a pé. Pensa que eu vim de carona com um grande amigo.

Mas - vocês já devem ter percebido - eu possuo um tremendo fascínio pela cidade. O urbano em sí. Os subúrbios. Isso porque eu moro numa cidade de interior. Imagine se eu morasse numa metrópole. Mas não. Por mais que aqui seja a Cidade dos Condenados, não há lugar melhor para se viver. E muitos discordam disso, eu sei. Não precisam me apedrejar. É só a minha opinião.

Aquela torre me acompanha de longe. E eu acompanharei ela para sempre. E ela é como eu, apagada de dia e iluminada a noite.

Mas há algo nela que - geralmente - me sensibiliza apenas quando estou só. Andando de madrugada... Eu ando pra caramba, sabiam? O duro é o desgaste da minha pele pelos raios de sol. E esse é um dos motivos de eu usar chapéu.

É engraçado como o simples fato de eu usar chapéu por aí é o suficiente para que isso cause uma desordem social e cause impacto na vida das pessoas.

Mas, enfim... São as pessoas que não tem com o que se preocupar e que não tem o que fazer. Que se perderam, então, nas vinhas da mesmice. Azar o deles. Não o meu.

Até. Tenho mais o que fazer.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

EU DESISTO

Poema que eu fiz, como desabafo, especialmente para o meu padrasto no dia do meu aniversário desse ano.

EU DESISTO

Não perca o seu tempo
Não perca o seu tempo
Não perca o seu tempo
Não perca o seu tempo

Idiota.

É como se minhas lágrimas fossem ácido
Caindo num rosto de barba feita
Mesmo desfeita

E é como se eu fizesse
O meu sangue, minha meia e meu metal
Num arsenal de armaduras
Duras como diamantes
E tão rebuscadas quanto detritos

Eu to cansado
Eu to cansado
Eu to cansado
Eu to cansado

Não faça da sua cor a sua solução...
Se você sente raiva eu sinto dor
(No caso uma tristeza)
Que me impermeia e me mapeia
Porque eu não vou de frente aos esportes

E se os braços não falam
Porque você faz isso?

Para!
Para!
Para!
Para!

Enquanto eu estou aqui me debilitando
Chorando minhas mágoas e minhas perdas
Preocupo-me com minha vida curta
E o que não hei de viver

Quero que você morra
Que o mundo morra
E que ele acabe em barranco.

E ela não entra
E ela não entra
E ela não entra
E ela não entra

E é aí que eu gostaria de me vomitar pra fora.
Ou desistir de tudo e ainda viver...

O melhor presente de aniversário
Que eu poderia ganhar em toda a eternidade
É uma dinamite.

Care In The Bones


terça-feira, 22 de setembro de 2009

SOLIDÃO COLETIVA

Bem... Como hoje eu postei um texto que fala pouco sobre mim, vou compensar postando aqui uma das minhas obras primas de poesia. Prometo evitar esses tipos de postagem-artigo das proximas vezes. Porque, afinal, ninguém vêm aqui ler esse tipo de coisa.

SOLIDÃO COLETIVA

Uma Lágrima de Passado
Acabou de percorrer minha face
Como se saísse de meus olhos uma lampreia
Mas ainda havia a luz que se fez
Como se fosse a luz da madrugada:
Feito canções de ilusão
Que já se foram cortadas

-Como se eu preenchesse você.

Exato
Como se me preenchesse
E quando olho em minha volta, percebo:
A luz amarela, a que cega, sempre foi a minha única companhia

-Sorria, o círculo verde não é tão lento assim.

Mentira!
Havia cor e latas de estanho

-Sinta a solidão. O veneno e a solidão. O veneno e a televisão.
Sinta a solidão. O remorso da solidão. O remorso do falso perdão.
Sinta a solidão. O socorro da solidão. O socorro da sua ilusão.

Todos estão lá fora
Se divertindo sem mim
E eu sou o único que está aqui
Trancado
Porém, tão só quanto eles.

-Eu sei.

"Eu sei", você diz?

-Sim, eu sei. Só há suicídios coletivos porque todos se sentem muitos sozinhos.

Sós coletivos,
Uma contradição em termos...

-Você tem plena consciência de que eu não estou com você agora de verdade. Você sabe, não é?

Só os meus olhos que não enxergam
E minhas orelhas que não escutam
Podem dizer o que eu estou sentindo agora...
Talvez até o exato momento

-Nessa semana não haverá Sábado, sabia?

Sabia...
Mas meus olhos já estão ardendo agora
E eu quero ou preciso dormir, tanto faz...

-Então me esqueça.

Você promete que só me acorda quando esse mês terminar, por favor?

-Eu não sei do que está falando.

Mas eu sei
E é isso que importa agora...
Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro...
E aí começa tudo de novo
Só mudam o calendário, as estações, os cabelos e a TV a cores

-É verdade

Sua cor quase me cegou, sabia?

-Foi de tanto que você olhou pra mim. Ninguém mandou.

Sim. Foi por isso mesmo.

-Eu faço mal a você?

Você é uma boa companhia,
Não me leve a mal...
Mas, eu fico louco
Quando descubro que você não é de verdade...
Até que ponto você é real?

-Oh...! Sinto muito... Não foi por mal. Eu não queria te machucar. Desculpe-me, por favor.

Você jura?

-Juro.

Está bem. Se você diz, eu acredito.

-Mas eu sou mentirosa, lembra?

Lembro...
Mas com os outros, talvez
Não comigo
Pode ser?

-Pode.

Então está bom

-Me beija

Não...
Eu não posso
Você não é só um sonho
Mas também não é de verdade...

Essas coisas imaginárias...
Nunca me fazem feliz e nunca se fazem reais...

Por que eu sonho se no final eu vou acordar?
Nada acontece nos sonhos
É tudo tão nulo...
Em vão, tão vazio.

-Mas até que ponto você é real, ou você existe "de verdade"?

Eu não sei
E prefiro não perder meu tempo pensando nessas coisas

-Até que ponto você considera algo "nulo, em vão e vazio"?

Eu também não sei...
Só que eu vou morrer cedo
Então eu quero prestar para alguma coisa antes
Que a morte me pesque ou me escolha

-Até que ponto sua opinião ou seu ponto de vista valem ou alteram alguma coisa?

Isso não faz diferença para mim

-É... Também não responde a minha pergunta.

E eu não tenho outra opção
Não é mesmo?
É como se eu espremesse uma espinha
Que mijasse pus até sangrar...
E sangrar feio!

-Ai, credo. Não fala assim...

Tudo bem...
Não falo mais, Tudo bem?
T-tudo bem?

Onde está você?
Eu estou cego ou só, novamente?
Sua falta faz falta...
Por que você foi embora?

...

Não houve respostas
Nunca mais

A luz que ardia meus olhos finalmente se apagou
No instante em que eu vesti minha forca e me despi da minha vida
Ainda que eu tenha colocado muito tarde meu pijama...

Boa noite
Ou se preferir...
Adeus.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

ROSTOS PARALELOS NUNCA DORMEM EM PAZ

E quanto ao poema que eu escrevi para ela no dia em que eu entreguei o CD? Ora... Está aqui. Se vocês realmente quiserem, eu posto. Mas não é exatamente um poema sobre amor. É sobre o fato dela ser uma condenada, assim como eu. Enfim... Eu tentei. Pelo menos, ela me rendeu bons versos, no total. Uma vez que tudo passa, ela se foi cedo demais. Mas tudo bem:

ROSTOS PARALELOS NUNCA DORMEM EM PAZ

Infelizmente
O tempo já deturpou a nós dois
Mas pense do lado positivo:
Seus olhos insanos me atraem.

Ah, se eu tivesse te encontrado antes...
Tudo seria tão diferente (pra você)

Hoje dá pra ver a libido no seu rosto
A malícia na sua voz
O lápis negro em um dos olhos
E a franja caída no outro

E a Vontade
E o Desejo
E o Delírio
Guardam a sombria estação
E juntos
Aguardam a história sair da frente

Ao contrário de mim
Que dá pra ver
O olho caído
A voz desafinada
O cansaço no rosto envelhecido de longe

Minha sina não me deixou boas lembranças
E meu único trunfo quanto a ela
É que agora posso ser chamado de mártir

Isso porque eu sou jovem, minha querida!

Seu rosto, mesmo angelical
Sempre foi triste...

Como uma beleza tão rara pode ser deixada de segundo plano?

E mesmo criança...
Essa é a prova de que rostos bonitos sofrem primeiro!
Garanto que esses seus mesmos olhos
Sempre te levaram os problemas
Que a sua idade não conseguiu suportar

E por isso você é assim.

Você traçou o seu destino, querida.
Torça pra que eu te acompanhe pra sempre
Porque você vai gostar
e se você sentir minha falta enquanto eu estiver morto
Lembre-se:
Meu nome está imortalizado por sacolas de supermercado.

E se mesmo que com febre
Você tiver a sensação de estar engolindo almofadas gigantes
Olhe para seus olhos e lembre-se de mim
Porque seus olhos são maiores que você.

Minha querida:
Você é só mais uma prova
De que os olhos são a janela da alma
E que eles são a danação do que é.

E nunca se esqueça do lado bom:
Você nunca esteve tão próxima de ser minha
Mesmo estando tão longe